Brasil firma acordo de exportação de subproduto de etanol com a China, visando domínio dos EUA no setor de ração animal.

Brasil firma acordo de exportação de subproduto de etanol com a China, visando domínio dos EUA no setor de ração animal.
Noris Soto
13 de mai. de 2025, 13:41 PM
  • O Brasil assinou um acordo para exportar DDGs para a China, entrando em um mercado dominado há muito tempo pelos EUA.
  • O acordo está alinhado com a expansão do etanol no Brasil e com o esforço da China para diversificar seus fornecedores.
  • Protocolos adicionais abrangem as exportações de aves e peixes, aprofundando os laços agrícolas entre o Brasil e a China.

O Brasil assinou um protocolo comercial com a China que permitirá a exportação de grãos secos de destilaria (DDGS), um subproduto do etanol rico em proteínas usado na alimentação animal, representando um desafio direto ao quase monopólio dos Estados Unidos no mercado chinês de ração.

O acordo foi anunciado na terça-feira, durante a visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China.

Abrange DDGS e outros produtos agrícolas e representa o culminar de dois anos de negociações, agora finalizadas em meio às crescentes tensões comerciais entre EUA e China.

O DDGS, um subproduto rico em nutrientes da produção de etanol, é amplamente utilizado na alimentação de suínos, bovinos e aves.

De acordo com dados alfandegários chineses, os fornecedores dos EUA representaram 99,6% das importações chinesas de DDG em 2024, no valor de US$ 65,7 milhões.

"Isto abre as portas para que o Brasil se torne mais um fornecedor e ofereça à China uma alternativa na nutrição animal", disse Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) do Brasil. "Isso ajuda a fortalecer os laços entre nossos setores agrícolas."

O momento coincide com a estratégia da China de diversificar e reduzir as importações agrícolas dos EUA, impulsionada por atritos geopolíticos e econômicos com Washington.

O impulso do etanol no Brasil alimenta as ambições do DDG

A expansão do setor de etanol de milho no Brasil levou ao aumento da disponibilidade de DDGS (sigla em inglês para grãos secos de destilaria com solúveis). Nolasco disse que cerca de 10 novas usinas de etanol estão em construção, com previsão de entrar em operação em 2 a 3 anos.

Em 2025/26, o Brasil poderá produzir até 5 milhões de toneladas de DDGS anualmente, posicionando-se como um exportador global.

O mercado chinês oferece uma importante saída. Sua crescente demanda por ração animal complementa o aumento da produção brasileira e sustenta a lucratividade na indústria de etanol.

Ganhos mais amplos no comércio agrícola

Além do DDGS, Brasil e China também assinaram protocolos que permitem a exportação de produtos de aves e da pesca extrativa. Essas medidas refletem esforços mais amplos do Presidente Lula para aprofundar os laços agrícolas e econômicos com a China.

O Brasil já é um fornecedor importante de soja e carne bovina para a China. A expansão para subprodutos de etanol e proteína animal reflete uma diversificação em sua relação comercial baseada nos BRICS.

Com o realinhamento do comércio global em meio a tensões políticas, a entrada do Brasil no mercado chinês de DDG pode remodelar a cadeia de suprimentos.

Embora os EUA continuem sendo um ator importante, a ascensão do Brasil adiciona competição e flexibilidade.

Se o Brasil atingir suas metas de produção e fortalecer os laços diplomáticos, seu DDGS poderá em breve se tornar um componente regular na indústria de ração animal da China, marcando uma mudança na dinâmica do comércio agrícola global.