DCG enfrenta processo de US$ 3,3 bilhões enquanto Genesis revela esquemas de empréstimos internos

DCG enfrenta processo de US$ 3,3 bilhões enquanto Genesis revela esquemas de empréstimos internos
Diya Poddar
25 de jun. de 2025, 11:17 AM
  • Memorandos internos alertaram sobre responsabilidade legal em 2022.
  • A equipe do Genesis foi instruída a seguir scripts fixos após o colapso do 3AC.
  • Nota promissória e acordo de ida e volta sinalizados como fraudulentos.

Documentos judiciais recém-revelados sugerem que o Digital Currency Group (DCG) usou conscientemente sua subsidiária falida, a Genesis, como um pool de caixa privado.

Isso foi supostamente feito apesar dos repetidos avisos sobre a piora da condição financeira da Genesis.

Uma queixa apresentada pelo Comitê de Supervisão de Litígios da Genesis (LOC) no Tribunal de Chancelaria de Delaware alega que os executivos do DCG estavam cientes dos riscos legais vinculados ao seu controle sobre a Genesis, mas continuaram a extrair valor disso por meio de empréstimos internos e deturpações estratégicas.

A reclamação não editada de 250 páginas inclui e-mails internos e memorandos que datam de 2020, muitos dos quais sugerem que o DCG operava a Genesis como uma subsidiária totalmente controlada para canalizar fundos para seu próprio benefício.

No centro das alegações está a alegação de que a Genesis estava subcapitalizada, carecia de controles de risco e enganou o público durante os principais períodos de volatilidade do mercado, inclusive após o colapso da Three Arrows Capital (3AC) e a queda da FTX.

Processo detalha avisos de estratégia interna e memorandos de risco

O processo destaca como o então diretor financeiro do DCG, Michael Kraines, sinalizou a exposição legal em um memorando de estratégia de 2022, alertando que os credores poderiam tentar perfurar o véu corporativo e responsabilizar o DCG como o "alter ego" da Genesis.

No mesmo documento, Kraines descreveu a Genesis como "100% de propriedade e controlada pelo DCG" e alertou que isso poderia levar a uma ação de grandes credores.

Apesar desses avisos, as comunicações internas mostram que o DCG atrasou a implementação da supervisão de risco e usou a Genesis como um instrumento financeiro para sustentar sua liquidez.

Os documentos afirmam que, em vez de abordar a condição frágil da Genesis, o DCG e seus executivos intensificaram as negociações internas.

Barry Silbert, CEO do DCG, é acusado de se referir à Genesis como uma "tesouraria de fato" e usá-la para financiar outras partes das operações do grupo.

A certa altura, os funcionários descreveram a cultura interna da Genesis como submissa, observando que estavam sob pressão para priorizar as necessidades financeiras do DCG.

Deturpações públicas e transações contestadas sob escrutínio

A denúncia afirma ainda que, após o colapso da 3AC em 2022, a Genesis foi instruída a minimizar sua exposição e aderir a uma narrativa fixa.

Scripts internos foram distribuídos à equipe para garantir mensagens públicas uniformes, enquanto os executivos continuavam a afirmar a estabilidade da empresa.

Silbert também supostamente ampliou essas alegações por meio da mídia social, reforçando uma falsa sensação de segurança para clientes de varejo e institucionais.

Duas transações financeiras estão sob escrutínio especial. Um envolve uma nota promissória emitida em 30 de junho de 2022, enquanto o outro detalha um acordo de ida e volta feito em setembro do mesmo ano.

Ambos estão sendo contestados como transferências fraudulentas, supostamente destinadas a mascarar dificuldades financeiras e atrasar a ação do credor.

A Genesis agora está tentando recuperar mais de US$ 3,3 bilhões do DCG, Barry Silbert e outros executivos por meio de várias vias legais.

Ações judiciais paralelas, reembolsos e pressão regulatória aumentam

A ação legal da Genesis está ocorrendo em todas as jurisdições.

Em Delaware, a empresa está perseguindo mais de US$ 2,2 bilhões em criptoativos, incluindo Bitcoin e Ethereum.

Um processo separado de Nova York busca recuperar mais de US$ 1 bilhão em supostas transferências fraudulentas – US$ 450 milhões para o DCG e US$ 297 milhões para seu braço internacional.

Um adicional de US $ 34 milhões em pagamentos relacionados a impostos também está sendo contestado como ilegítimo.

O colapso financeiro da Genesis foi desencadeado pela falência da 3AC e agravado pelo fim da FTX. A empresa entrou com pedido de falência do Capítulo 11 em janeiro de 2023, listando dívidas acima de US$ 3,5 bilhões.

Embora um plano de reestruturação tenha sido finalizado em agosto de 2024, a tensão com o DCG permanece sem solução. O DCG deixou de pagar mais de US$ 620 milhões em obrigações, levando a Genesis a processar por reembolso, incluindo 4.550 BTC.

Apesar dos desafios, a Genesis devolveu US$ 2,18 bilhões para mais de 232.000 clientes, inclusive por meio de um acordo pendente de US$ 1,8 bilhão com os usuários do Gemini Earn.

No entanto, persistem desafios regulatórios. A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) está processando a Gemini por violações de conformidade, com um julgamento marcado para janeiro de 2025.

No início deste ano, a SEC acusou a Genesis e o DCG de fraude de investidores. Desde então, o DCG concordou em pagar um acordo de US$ 38 milhões.

À medida que a Genesis continua seus esforços de recuperação, o DCG permanece sob escrutínio por lidar com as finanças entre empresas e supostos esforços para enganar os investidores durante os últimos meses da empresa antes da falência.