Gana planeja lei de licenciamento de criptomoedas para regular a indústria de US$ 3 bilhões

Gana planeja lei de licenciamento de criptomoedas para regular a indústria de US$ 3 bilhões
Diya Poddar
24 de jul. de 2025, 09:20 AM
  • O Banco de Gana planeja legislação sobre criptomoedas em meio à crescente adoção e volatilidade do cedi.
  • O volume de transações no mercado de criptomoedas de Gana chega a US$ 3 bilhões.
  • A lei visa formalizar ativos digitais e apoiar as ambições Web3 do país.

Gana está se preparando para introduzir uma estrutura formal de licenciamento de criptomoedas, já que seu mercado de ativos digitais atinge US$ 3 bilhões em volume de transações.

A mudança, impulsionada por preocupações com a volatilidade da moeda e oportunidades perdidas na Web3, deve entrar no parlamento em setembro, de acordo com o vice-governador do Banco de Gana (BoG), Johnson Asiama.

O cedi, moeda fiduciária de Gana, subiu 48% no ano passado, após uma queda acentuada de 25% no ano anterior.

Os formuladores de políticas estão procurando regular o uso crescente de criptomoedas em pagamentos e comércio para melhorar a supervisão financeira e apoiar a estabilidade de longo prazo do cedi.

Entrevista da Bloomberg revela intenção regulatória

Em uma entrevista recente à Bloomberg, Johnson Asiama, do BoG, confirmou que o banco central está nos estágios finais de preparação de uma estrutura regulatória para ativos digitais.

A legislação, que deve ser submetida ao parlamento até setembro, tem como objetivo formalizar o uso de criptomoedas, capturar dados financeiros e apoiar a estratégia Web3 do país.

Asiama disse que o atraso na implementação de tais regulamentos já teve implicações para a moeda local.

Ele observou que muitas empresas ganenses já estão usando criptomoedas para pagamentos, mas sem clareza regulatória, não há dados oficiais para medir a adoção ou o risco.

A próxima lei destina-se a resolver essa lacuna.

Gana se junta a nações africanas que exploram regras de criptomoedas

Gana não está sozinho em sua busca pela regulamentação de ativos digitais. A África do Sul continua sendo o único país africano com um regime de licenciamento operacional para empresas de criptomoedas.

Em dezembro de 2024, a Autoridade de Conduta do Setor Financeiro (FSCA) na África do Sul havia licenciado 248 Provedores de Serviços de Criptoativos (CASPs) sob a Lei de Serviços de Consultoria Financeira e Intermediários, com 56 pedidos ainda em análise.

Outras nações africanas estão progredindo mais lentamente. A Nigéria, apesar de hospedar o maior volume de transações de criptomoedas do continente - US$ 59 bilhões no mesmo período de 12 meses - ainda não finalizou uma estrutura de licenciamento abrangente.

O volume de US$ 3 bilhões de Gana o coloca bem abaixo da Nigéria, mas o país está se posicionando para recuperar o atraso, incorporando infraestrutura legal antes que a adoção se torne muito difundida para ser regulamentada retroativamente.

Web3 oferece oportunidades de inclusão comercial e financeira

O Banco de Gana vê a infraestrutura cripto regulamentada como essencial para impulsionar o comércio transfronteiriço, fortalecer a vigilância econômica e aproveitar investimentos estratégicos no espaço Web3.

Espera-se que a próxima legislação crie caminhos para novos entrantes, reduzindo o risco sistêmico de plataformas não regulamentadas.

Ao legalizar e licenciar plataformas, Gana pretende integrar melhor os ativos digitais em seu sistema financeiro mais amplo.

Isso inclui atrair empresas internacionais da Web3, coletar impostos sobre atividades relacionadas a criptomoedas e aprimorar a proteção do consumidor por meio de diretrizes legais claras.

A abordagem do governo também é influenciada por tendências regionais.

Com o aumento do interesse global na tecnologia blockchain, a prontidão regulatória de Gana pode influenciar a rapidez com que ela pode alavancar parcerias, centros de inovação e investimentos no espaço financeiro digital.