O principal regulador do Japão quer regular as criptomoedas sob leis financeiras mais rígidas

O principal regulador do Japão quer regular as criptomoedas sob leis financeiras mais rígidas
Rony Roy
04 de set. de 2025, 13:12 PM
  • A FSA planeja a supervisão de criptomoedas sob a Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio.
  • As mudanças propostas incluem divulgações mais rígidas para vendas de tokens.
  • A estrutura pode permitir que as autoridades emitam liminares de emergência contra empresas de criptomoedas não registradas.

O principal regulador de valores mobiliários do Japão, a Agência de Serviços Financeiros, revelou um conjunto de regras propostas que reforçariam a supervisão dos criptoativos, alinhando-os mais de perto com os instrumentos financeiros tradicionais.

Relatórios locais na terça-feira confirmaram que, com o novo conjunto de regulamentos, a FSA planeja colocar as criptomoedas sob a Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio (FIEA) em vez da atual Lei de Serviços de Pagamento.

Essa mudança proposta marcaria um grande realinhamento e ocorre em um momento em que as preocupações com a proteção do investidor, a integridade do mercado e a evolução do papel dos ativos digitais no ecossistema financeiro do Japão cresceram nos últimos meses.

Como a FSA do Japão regulará as criptomoedas?

De acordo com o documento de política divulgado pelo secretariado da FSA, a agência acredita que muitas das questões em torno do investimento em criptomoedas, desde white papers pouco claros e divulgações enganosas até fraudes de investimento e protocolos de segurança frouxos, refletem de perto os problemas historicamente tratados pela FIEA.

Como tal, a FSA argumenta que pode ser "apropriado abordá-los usando os mecanismos e a aplicação da Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio".

Atualmente, as criptomoedas no Japão são regulamentadas principalmente pela Lei de Serviços de Pagamento, que as trata mais como um meio de pagamento do que como uma classe de ativos financeiros.

Os regulamentos são muito mais leves no momento para bolsas e emissores, e a estrutura se concentra principalmente na segurança operacional e nos padrões de combate à lavagem de dinheiro, em vez de divulgações aos investidores ou conduta de mercado.

No entanto, se a proposta for aplicada e as criptomoedas forem de fato regulamentadas pela Lei FIEA, os projetos de criptomoedas que arrecadam fundos, como por meio de vendas de tokens ou ICOs, podem enfrentar regras de divulgação mais rigorosas, semelhantes às exigidas para ofertas tradicionais de valores mobiliários.

Os emissores seriam obrigados a fornecer informações detalhadas sobre a natureza do token, seu caso de uso e riscos potenciais, fechando a lacuna de informações entre desenvolvedores e investidores.

Além disso, a FIEA daria aos reguladores autoridade para reprimir corretoras não registradas e práticas comerciais desleais, inclusive por meio de liminares de emergência.

O apetite por criptomoedas no Japão está crescendo

Embora a postura regulatória do Japão tenha sido vista como progressiva em comparação com outros países, seu mercado de criptomoedas permanece relativamente modesto em escala.

De acordo com as informações mais recentes citadas pela FSA, mais de 12 milhões de contas estão registradas em exchanges domésticas, com saldos totais de usuários superiores a 5 trilhões de ienes (cerca de US$ 33,7 bilhões).

Ainda assim, a maioria dos traders de varejo possui saldos relativamente pequenos, com mais de 80% das contas contendo menos de US$ 675 em ativos.

Isso pode parecer um pouco silencioso na superfície, mas por baixo, a penetração de criptomoedas entre os investidores japoneses cresceu silenciosamente.

Aproximadamente 7,3% dos investidores no Japão supostamente possuem alguma forma de criptomoeda, mais do que aqueles que negociam em câmbio ou títulos corporativos.

A maioria dos usuários se enquadra na faixa de renda média, e impressionantes 86% dizem que estão nisso a longo prazo.

Muito tempo chegando

Os desenvolvimentos de terça-feira seguem meses de escalada do discurso regulatório. Em junho de 2025, a FSA formou um grupo de trabalho dedicado para explorar a transição da regulamentação de criptomoedas sob a FIEA.

Na época, a FSA também lançou a possibilidade de introduzir um imposto fixo de 20% sobre ganhos de capital sobre criptoativos, colocando-os em pé de igualdade com os investimentos em ações e afastando-se da atual estrutura tributária progressiva, que pode chegar a 55%.

Um mês depois, em julho, a agência convocou um painel de acadêmicos, especialistas em impostos e líderes do setor para examinar a classificação de tokens digitais e avaliar a necessidade de estruturas legais modernizadas.

As discussões na época giravam em torno da distinção entre tokens de arrecadação de fundos, como os emitidos em ICOs, e ativos de alta capitalização como Bitcoin e Ethereum, que permaneceriam principalmente sob supervisão da bolsa.

Embora o relatório divulgado esta semana não seja juridicamente vinculativo, ele serve como uma recomendação formal ao Conselho do Sistema Financeiro do Japão, um órgão consultivo do Ministro de Serviços Financeiros.

Caso o conselho adote as recomendações da FSA, uma legislação formal pode seguir já em 2026, marcando um novo capítulo na abordagem do Japão às finanças digitais.