França revela projeto de lei ousado de bitcoin para construir reserva nacional de criptomoedas
- A França propõe uma reserva nacional de Bitcoin, com o objetivo de tratar o BTC como um ativo digital estratégico.
- O plano vincula a mineração de Bitcoin às metas de energia nuclear excedente e independência energética da França.
- O projeto de lei de Ciotti desafia o Euro Digital da UE, promovendo a inovação criptográfica descentralizada.
A França deu um passo decisivo para integrar os ativos digitais em sua estrutura financeira.
Uma nova proposta liderada pelo legislador francês Éric Ciotti pede a criação de uma Reserva Estratégica Nacional de Bitcoin, posicionando a criptomoeda como uma forma de "ouro digital".
O projeto de lei, apresentado à Assembleia Nacional em outubro de 2025, visa tornar a França a primeira nação europeia a tratar o Bitcoin como um ativo nacional estratégico, potencialmente adquirindo até 2% de sua oferta total, ou cerca de 420.000 BTC, nos próximos oito anos.
França planeja tratar bitcoin como um ativo nacional
A proposta, apresentada por Ciotti e seu partido União de Direita e Centro (UDR), busca reformular a abordagem da França às finanças digitais.
Ele pede o estabelecimento de uma reserva de Bitcoin gerenciada por uma autoridade pública, semelhante em estrutura às participações em ouro e moeda estrangeira do país.
O plano descreve três fontes primárias de financiamento para esta reserva.
Primeiro, a França usaria seu excedente de energia nuclear e hidrelétrica para apoiar as operações públicas de mineração de Bitcoin.
Em segundo lugar, o estado reteria qualquer Bitcoin apreendido durante os processos judiciais.
Em terceiro lugar, parte da economia de produtos populares, como a conta "Livret A", poderia ser alocada para pequenas compras diárias de Bitcoin.
Além disso, o projeto de lei propõe que os cidadãos franceses possam pagar certos impostos em Bitcoin, aguardando aprovação constitucional.
Ciotti enfatiza que essas medidas visam fortalecer a independência financeira da França em um momento em que outras nações, incluindo os EUA, estão tentando comprar ativos de mineração franceses.
O projeto de lei vincula a adoção de criptomoedas à independência energética
A estratégia Bitcoin proposta está intimamente ligada à criptomoeda à política energética da França.
Com a energia nuclear já fornecendo cerca de 70% da eletricidade do país, o governo poderia canalizar o excedente de energia para a mineração de Bitcoin sem prejudicar o consumo doméstico.
A proposta de Ciotti também destaca preocupações sobre a influência estrangeira sobre a infraestrutura digital da França.
O plano faz referência especificamente à oposição às tentativas de compradores estrangeiros, particularmente empresas americanas, de adquirir empresas francesas de mineração de criptomoedas e inteligência artificial, como a Exaion.
Ao manter o controle doméstico sobre as operações de mineração, o projeto de lei visa manter os dados e os recursos energéticos dentro das fronteiras da França.
Essa abordagem impulsionada pela energia também pode ajudar a França a reduzir o desperdício de eletricidade não utilizada, ao mesmo tempo em que apoia uma nova indústria de alta tecnologia.
Se implementado, tornaria a França um dos poucos países a conectar a política de energia renovável e nuclear diretamente ao desenvolvimento de criptomoedas.
Stablecoins e debate sobre o euro digital
Além da reserva de Bitcoin, o projeto de lei propõe a introdução de stablecoins lastreadas em euros para pagamentos de baixo valor.
As transações inferiores a 200 euros estariam isentas de impostos, permitindo que os cidadãos utilizassem euros digitais ou criptomoedas estáveis privadas para pequenas compras diárias.
No entanto, a proposta de Ciotti também rejeita a ideia de um euro digital controlado pelo Banco Central Europeu.
Ele argumenta que uma moeda digital emitida pelo Estado poderia ameaçar a privacidade dos cidadãos e dar aos governos muita supervisão dos gastos pessoais.
Em vez disso, seu projeto de lei pede uma abordagem descentralizada que permitiria ao setor privado inovar sob salvaguardas definidas pelo governo.
A legislação também inclui medidas para atrair investimentos no setor de criptomoedas da França, como reduzir os impostos sobre eletricidade para mineradores e tornar mais fácil para investidores institucionais comprar Bitcoin por meio de plataformas regulamentadas.
Desafios políticos na assembleia nacional
Apesar de seus objetivos ambiciosos, o projeto de lei do Bitcoin enfrenta uma batalha difícil no parlamento. O partido UDR de Ciotti controla apenas 16 dos 577 assentos na Assembleia Nacional, limitando sua capacidade de aprovar a legislação sem um apoio mais amplo.
Analistas acreditam que, embora a proposta possa não ser aprovada em sua forma atual, ela representa um grande ponto de virada no debate financeiro da França.
A introdução do projeto de lei sinaliza um interesse crescente em como os ativos digitais podem servir como instrumentos de estratégia nacional, em vez de ativos especulativos.
Se promulgada, a França se juntaria a uma lista pequena, mas crescente, de países que exploram a integração de criptomoedas em nível estadual.
Mesmo sem aprovação, a proposta eleva a posição da França na conversa europeia em andamento sobre o papel da blockchain, mineração e finanças descentralizadas na economia global.
Implicações mais amplas para a Europa
A iniciativa Bitcoin da França pode influenciar a forma como outros países europeus veem a interseção de energia, tecnologia e finanças.
Ao vincular a mineração de criptomoedas ao uso de energia limpa e criar incentivos para a adoção institucional, o projeto de lei pode inspirar novas discussões na UE sobre o equilíbrio entre regulamentação e inovação.
A proposta também acrescenta outra dimensão ao debate em curso na UE sobre a regulamentação dos Mercados de Criptoativos (MiCA), levantando questões sobre se os Estados-membros devem manter ativos digitais em reservas nacionais ou depender apenas de moedas tradicionais.
Independentemente de seu destino político, a iniciativa de Ciotti sinaliza uma mudança na abordagem da Europa à criptomoeda - uma mudança de cautela e regulamentação para exploração e integração estratégica.
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