Brasil mira stablecoins com novas regras de criptomoedas tratando-as como câmbio

Brasil mira stablecoins com novas regras de criptomoedas tratando-as como câmbio
Rony Roy
11 de nov. de 2025, 06:42 AM
  • As stablecoins serão tratadas como operações de câmbio de acordo com os regulamentos de criptomoedas revisados do Brasil.
  • Novos requisitos de licenciamento foram introduzidos para empresas de ativos digitais que operam como provedores de serviços.
  • Países em todo o mundo aceleraram os regulamentos de stablecoin após a aprovação da Lei GENIUS.

O Brasil revelou uma estrutura de criptomoedas que coloca as stablecoins sob supervisão cambial.

O Banco Central do Brasil (BCB) divulgou os regulamentos em 10 de novembro, cobrindo um espectro de atividades que, de outra forma, teriam permanecido fora do escopo da supervisão financeira tradicional.

Brasil regulamentará uso de stablecoins

Os reguladores se concentraram especificamente em stablecoins devido à sua rápida adoção no cenário de pagamentos do Brasil.

Cerca de 90% da atividade cripto local envolve stablecoins, de acordo com o presidente do BCB, Gabriel Galipolo.

Embora as stablecoins ofereçam meios de transações mais rápidos e baratos, elas têm sido frequentemente associadas a riscos de evasão fiscal e lavagem de dinheiro, e isso parece ter levado as autoridades a reclassificá-las sob supervisão cambial.

Qualquer transação envolvendo stablecoins, seja para compra de mercadorias, remessa de dinheiro para o exterior ou conversão entre moedas digitais e fiduciárias, será tratada como uma operação de câmbio.

Essas atividades agora estarão sob a alçada de instituições de câmbio licenciadas e dos SPSAVs recém-definidos com certos limites em vigor.

As transferências envolvendo contrapartes estrangeiras não licenciadas serão limitadas a US$ 100.000 por transação e devem ser acompanhadas de documentação relevante para verificar a origem e a finalidade.

As transferências de stablecoin de ou para carteiras autocustodiadas também estão incluídas na nova estrutura, desde que um provedor de serviços esteja envolvido na transação.

Em vez de proibir totalmente a autocustódia, as regras exigem que as plataformas regulamentadas identifiquem o proprietário da carteira e conduzam a devida diligência sobre a origem e o destino dos ativos transferidos.

Proteção ao consumidor

As regras, que entrarão em vigor em 2 de fevereiro de 2026, também introduzem uma nova categoria de licenciamento para provedores de serviços de ativos virtuais, apelidada de Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs).

Aqueles classificados como SPSAVs terão que garantir o licenciamento adequado e aderir a relatórios rigorosos e outras obrigações semelhantes à forma como as instituições tradicionais são regulamentadas no Brasil.

De acordo com os mandatos, os provedores de serviços de criptomoedas devem implementar medidas de proteção ao consumidor, salvaguardas de conflito de interesses e divulgações detalhadas ao cliente.

"O objetivo é proporcionar maior eficiência e segurança jurídica a essas operações, evitar possíveis arbitragens regulatórias e salvaguardar estatísticas e contas nacionais que possam ser afetadas por essas operações", disse o BCB.

Elementos adicionais da estrutura incluem relatórios obrigatórios de transações internacionais e do mercado de capitais a partir de 4 de maio de 2026.

Regulamentos de stablecoin em todo o mundo

Desde que os Estados Unidos revelaram o GENIUS Act no início deste ano, várias outras nações aceleraram os esforços para regular o crescente setor de stablecoins, que tem sido amplamente dominado por stablecoins lastreadas em dólares.

Conforme relatado anteriormente pela Invezz, as transações de Stablecoin aumentaram mais de 70% nos meses seguintes à aprovação da Lei GENIUS.

Para combater o domínio dos EUA no setor de stablecoin, países de todo o mundo estão pressionando por suas próprias alternativas nativas que possam ancorar pagamentos domésticos, reduzir a dependência de tokens lastreados em dólares.

No mês passado, os reguladores sul-coreanos emitiram um alerta sobre os riscos envolvidos nas stablecoins e instaram os bancos tradicionais a se apresentarem e assumirem a liderança na garantia da confiança monetária.

A Coreia do Sul está atualmente executando um piloto chamado Projeto Hangang, que está testando stablecoins emitidas por bancos dentro de uma rede blockchain controlada.

A Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul também deve apresentar uma nova estrutura de stablecoin à Assembleia Nacional antes do final do ano.

Mais recentemente, o Banco da Inglaterra publicou uma consulta sobre a regulamentação de stablecoins em 10 de novembro.

Planos de reserva de Bitcoin do Brasil

Nesse contexto, o Brasil também está explorando a ideia de manter o Bitcoin em suas reservas nacionais.

As autoridades devem participar das Reuniões de Outono do Banco Central no Rio de Janeiro este mês, onde os gerentes de reservas de toda a América Latina examinarão o papel potencial do Bitcoin nas estratégias de riqueza soberana.

Audiências legislativas anteriores já levantaram a possibilidade de uma reserva soberana de Bitcoin de US$ 19 bilhões, com os legisladores posicionando o ativo como uma proteção contra a inflação e uma reserva estratégica de valor.