Bitfarms vai sair da América Latina após concordar em vender o local de mineração do Paraguai

Bitfarms vai sair da América Latina após concordar em vender o local de mineração do Paraguai
Diya Poddar
04 de jan. de 2026, 08:02 AM
  • O ativo está sendo vendido para o Symtheia Power Fund, gerido pela Hawksburn Capital por até 30 milhões de dólares.
  • O acordo inclui 9 milhões de dólares em pagamentos iniciais e baseados em marcos nos próximos 10 meses.
  • Os recursos arrecadados serão reinvestidos em infraestrutura energética de HPC e IA na América do Norte em 2026.

A mineradora de Bitcoin Bitfarms está se preparando para deixar a América Latina após concordar em vender seu local restante no Paraguai, marcando uma mudança decisiva em suas prioridades geográficas e operacionais.

A medida reflete uma reavaliação mais ampla de onde as empresas de mineração utilizam capital enquanto equilibram os preços voláteis das criptomoedas com a crescente demanda por energia e infraestrutura.

Ao monetizar ativos na América do Sul, a Bitfarms está trazendo fluxos de caixa que antes eram esperados anos depois.

Os recursos arrecadados devem ser redirecionados para nova infraestrutura energética vinculada à computação de alto desempenho e inteligência artificial na América do Norte, um segmento que a empresa vê como oferecendo retornos de longo prazo mais fortes.

Venda de terrenos no Paraguai

A empresa concordou em vender sua instalação de Paso Pe, no Paraguai, para o Sympatheia Power Fund, administrado pela Hawksburn Capital, sediada em Singapura.

A transação avalia o local em até 30 milhões de dólares e está sujeita às condições habituais de fechamento. A Bitfarms espera que o negócio seja fechado nos próximos 60 dias.

De acordo com os termos, a Bitfarms receberá 9 milhões de dólares adiantados.

O valor restante de até 21 milhões de dólares será pago nos próximos 10 meses, dependendo do cumprimento de marcos específicos de pagamento.

Essa estrutura permite que a empresa garanta liquidez imediata enquanto mantém exposição ao valor de curto prazo do ativo.

Redistribuição de capital

Em vez de reinvestir em capacidade adicional de mineração na América Latina, a Bitfarms planeja canalizar os recursos para a infraestrutura energética norte-americana vinculada a cargas de trabalho HPC e de IA.

A administração indicou que essa abordagem acelera efetivamente de dois a três anos de fluxo de caixa livre previsto das operações.

Espera-se que esses fundos sejam realocados durante 2026, alinhando-se ao esforço mais amplo da empresa para diversificar além da mineração tradicional de bitcoin.

A estratégia destaca uma tendência crescente entre mineradores listados de explorar mercados de computação adjacentes que possam oferecer fontes de receita mais estáveis.

Ao realocar capital, a Bitfarms busca melhorar os retornos sobre o capital investido, ao mesmo tempo em que reduz a exposição a regiões que não considera mais centrais em seus planos de longo prazo.

Saída da América Latina

A transação Paso Pe completa a retirada da Bitfarms do Paraguai após uma investida anterior no país.

Há pouco menos de um ano, a empresa vendeu seu local em Yguazú para a Hive Digital Technologies. Juntas, as duas vendas sinalizam uma saída total das operações na América Latina.

Para a Bitfarms, a decisão ressalta um estreitamento estratégico do foco.

A empresa está priorizando jurisdições e ativos que possam suportar tanto a mineração de criptomoedas quanto a computação de próxima geração, em vez de manter uma ampla presença internacional.

Reação do mercado

O anúncio contribui para uma onda de reposicionamento estratégico entre os mineradores listados de bitcoin, que reavaliam a alocação de capital em meio a mudanças na economia energética e ao crescente interesse em usos alternativos de computação.

Ao acelerar a realização de caixa a partir dos ativos de mineração legados, a Bitfarms busca maior flexibilidade para financiar infraestruturas que apoiem tanto a mineração de ativos digitais quanto a demanda mais ampla de computação, reduzindo a dependência de uma única fonte de receita.