Remessas de canola canadense recomeçam para a China, representando um desafio para as exportações australianas

Remessas de canola canadense recomeçam para a China, representando um desafio para as exportações australianas
Sayantan Sarkar
19 de jan. de 2026, 11:46 AM
  • A China retomou as importações de canola canadense com uma carga de 60.000 toneladas após uma paralisação em outubro.
  • A China reduzirá as tarifas sobre a canola canadense de 84% para aproximadamente 15% até 1º de março, conforme um acordo comercial.
  • A retomada do comércio canadense muda a dinâmica oleaginosa, representando um desafio competitivo para os fornecedores australianos.

Uma grande compra de canola canadense por um importador chinês após a recente viagem do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim energizou as perspectivas dos agricultores canadenses, ao mesmo tempo em que potencialmente representa um desafio competitivo para os fornecedores australianos.

A China retomou as importações de canola canadense, com uma carga Panamax de aproximadamente 60.000 toneladas métricas marcando a primeira remessa desde que uma paralisação foi imposta em outubro, segundo um relatório da Reuters.

Esse acordo significativo sinaliza um possível descongelamento das tensões comerciais relacionadas à oleaginosa entre os dois países.

A carga deve ser enviada após março, segundo informações de dois comerciantes diretamente envolvidos na transação.

Descongelamento comercial e cortes tarifários

Essa retomada é um desenvolvimento crucial para agricultores e exportadores canadenses, oferecendo acesso renovado a um grande mercado internacional após um período de incerteza e restrição no fluxo comercial.

Mark Carney, falando na sexta-feira, anunciou uma redução significativa nas tarifas chinesas sobre sementes de canola canadenses.

Como parte de um acordo comercial inicial entre as duas nações, espera-se que a China reduza a taxa tarifária combinada dos atuais 84% para aproximadamente 15% até 1º de março.

Esse corte substancial de tarifas é um componente chave do acordo, que também inclui concessões recíprocas, notadamente a redução das tarifas sobre veículos elétricos chineses que entram no Canadá.

Esse desenvolvimento comercial sinaliza um descongelamento nas relações e espera-se que traga um grande impulso aos exportadores canadenses de canola.

O Ministério do Comércio da China anunciou mais tarde na sexta-feira que planeja "ajustar" suas atuais medidas antidumping contra a colza canadense.

Essa breve declaração, no entanto, não ofereceu detalhes específicos sobre a natureza desses ajustes, deixando dúvidas em aberto sobre a extensão e o momento da mudança de política.

As tarifas antidumping foram originalmente impostas como parte de uma disputa comercial mais ampla entre as duas nações.

A revisão planejada sugere um possível descongelamento das tensões ou uma concessão de Pequim, o que pode impactar significativamente as exportações agrícolas canadenses.

Dinâmicas comerciais em mudança

O recente aumento nas importações chinesas de canola canadense sinaliza uma mudança na dinâmica global do comércio de oleaginosas.

Esse desenvolvimento ocorre apesar dos esforços da Austrália para expandir suas próprias exportações de canola para a China, o maior importador do mundo.

A COFCO, de propriedade estatal australiana, havia adquirido anteriormente um volume significativo — aproximadamente 500.000 toneladas — de canola australiana nos últimos meses, sugerindo uma estratégia diversificada de fornecimento por parte da China, segundo o relatório.

As compras de canola australianas pela China foram retomadas após um hiato de cerca de cinco anos.

Essa retomada ocorre após a imposição de tarifas antidumping pela China ao Canadá e ocorre após restrições de biossegurança terem paralisado o comércio em 2020.

Enquanto isso, as expectativas de aumento da oferta fizeram com que os futuros de verinha de colza de Zhengzhou caíssem 2,4% na segunda-feira, atingindo uma mínima não vista há mais de um ano.

Colapso das importações chinesas de canola canadense

A China impôs tarifas preliminares antidumping de 75,8% sobre a canola canadense em agosto, interrompendo efetivamente os embarques.

Essa ação, que seguiu uma investigação antidumping, faz parte de uma disputa diplomática e comercial maior entre as duas nações.

Pela primeira vez desde pelo menos 2015, o extenso setor de britagem de canola da China ficou completamente paralisado devido à interrupção dos embarques canadenses, segundo dados da consultoria MySteel.

Dados comerciais indicaram que as importações mensais chinesas de canola caíram para zero em outubro — a primeira vez em duas décadas que isso ocorreu.

Consequentemente, a MySteel relata que os estoques das usinas de britagem foram completamente esgotados.

Espera-se uma decisão final de Pequim em sua investigação antidumping sobre canola canadense, com prazo previsto antes de 9 de março.

A canola, também conhecida como colza, é processada para produzir óleo de cozinha e diversos outros produtos. A farinha rica em proteína resultante é utilizada como ração para o gado.