Binance escolhe Grécia como base na UE sob regras MiCA para cripto

Binance escolhe Grécia como base na UE sob regras MiCA para cripto
Diya Poddar
26 de fev. de 2026, 09:04 AM

A Binance está posicionando a Grécia como sua porta de entrada para a União Europeia, enquanto o bloco se prepara para implementar o Regulamento sobre Mercados de Criptoativos (MiCA).

A medida ocorre antes do prazo de julho de 2026, que exige que empresas de cripto possuam uma licença MiCA para continuar operando na UE.

A decisão indica que a estratégia regulatória na Europa envolve mais do que rapidez, refletindo considerações sobre talento, segurança e expansão.

Estratégia de licenciamento MiCA

A Binance, que detém cerca de US$44 bilhões em bitcoin nas carteiras de clientes, solicitou no mês passado na Grécia autorização para operar em toda a UE sob a MiCA.

O regulamento cria um único quadro de licenciamento entre os Estados-membros, permitindo que empresas autorizadas em um país prestem serviços em todo o bloco.

A Grécia ainda não emitiu uma licença MiCA.

Reguladores na Alemanha concederam 45 licenças, enquanto os Países Baixos emitiam 22, segundo dados oficiais.

Isso torna a Grécia uma escolha incomum para um grupo com cerca de 300 milhões de usuários globalmente e com base regulatória em Abu Dhabi.

O co-CEO Richard Teng disse que a licença é padrão em toda a Europa.

Ele afirmou que a empresa avaliou a qualidade da força de trabalho, a segurança e o talento ao selecionar uma base.

Teng, que anteriormente atuou como regulador em Singapura e Abu Dhabi, afirmou que o prazo para aprovação dependeria das autoridades da UE.

Desde que se tornou CEO em novembro de 2023, ele tem se concentrado em posicionar a Binance como a exchange de cripto mais regulada do mundo.

Liderança e escrutínio

A postura regulatória da Binance continua sob escrutínio.

O fundador Changpeng Zhao, conhecido como CZ, declarou-se culpado por violar as leis dos EUA sobre lavagem de dinheiro.

O caso resultou em quase quatro meses de prisão e em uma multa de US$4,3 bilhões.

Zhao foi perdoado no ano passado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Ele permanece acionista, e Teng disse que quaisquer perguntas sobre um retorno a um cargo executivo teriam de ser tratadas diretamente.

Em dezembro, a Binance nomeou Yi He, cofundadora e parceira de longa data de Zhao, como co-CEO ao lado de Teng.

Teng disse que os dois líderes trazem forças complementares.

Preocupações com sanções e oscilações do mercado

Reportagens recentes afirmaram que investigadores da Binance identificaram evidências de US$1,7 bilhão em transferências de cripto envolvendo atores iranianos e russos sancionados.

As reportagens provocaram um inquérito do senador de Connecticut Richard Blumenthal, um democrata.

Teng disse que a cobertura era enganosa.

Ele afirmou que os investigadores mencionados nas reportagens foram demitidos por violarem políticas de manuseio de dados, e não por terem descoberto transferências suspeitas.

Ele reiterou que a Binance não atende residentes de países sancionados, ao mesmo tempo em que reconheceu que não é possível eliminar totalmente transações suspeitas realizadas em redes blockchain.

A expansão ocorre em meio a condições voláteis do mercado cripto.

O Bitcoin caiu cerca de 50% em relação ao seu recorde de pouco mais de US$126.000 em outubro.

A Binance utilizou US$1 bilhão de um fundo de emergência em dezembro para comprar bitcoin e apoiar a estabilidade do mercado.

Teng disse que o sentimento entre investidores de varejo enfraqueceu.

No entanto, a participação de profissionais financeiros permaneceu estável, com fluxos institucionais continuando apesar das oscilações de preços.