Senadores democratas intervêm enquanto DOJ investiga vínculos da Binance com o Irã

Senadores democratas intervêm enquanto DOJ investiga vínculos da Binance com o Irã
Rony Roy
13 de mar. de 2026, 06:15 AM
  • Três senadores democratas vão supervisionar a investigação do DOJ sobre a Binance.
  • O DOJ está avaliando transações em grande escala ligadas a entidades sancionadas.
  • A Binance já negou essas alegações.

Legisladores democratas estão aumentando a fiscalização da corretora de criptomoedas Binance enquanto autoridades dos EUA averiguam se a plataforma pode ter sido usada para movimentar fundos ligados a redes iranianas sancionadas.

Em uma declaração conjunta divulgada na quinta-feira, os senadores Elizabeth Warren, Chris Van Hollen e Ruben Gallego disseram que acompanharão de perto a investigação relatada do Departamento de Justiça sobre possíveis violações de sanções envolvendo a corretora. 

Os legisladores afirmaram que seu objetivo é garantir que as autoridades federais “realizem uma investigação séria sobre a Binance e responsabilizem a empresa por qualquer ato ilícito.”

“A Binance tem um histórico comprovado de colocar lucros acima da lei”, disseram os senadores. Relatórios recentes, acrescentaram, levantam “sérias preocupações de que a empresa esteja novamente violando as leis de sanções dos EUA, ajudando de forma imprudente a financiar as atividades de grupos terroristas ligados ao Irã.”

A renovada fiscalização segue a reportagem do The Wall Street Journal que afirma que o Departamento de Justiça dos EUA está avaliando se atores iranianos usaram a Binance para contornar sanções e transferir ativos digitais pela plataforma. 

Investigadores estariam examinando transações que podem ter envolvido mais de $1 billion em criptomoedas fluindo por contas vinculadas a redes associadas ao Irã.

A pressão do Congresso já vinha crescendo antes da última reportagem.

No mês passado, Van Hollen e Warren juntaram-se a outros membros democratas do Comitê Bancário do Senado ao instar o Secretário do Tesouro Scott Bessent e a Procuradora-Geral Pam Bondi a examinar a movimentação de fundos ligados ao Irã pela corretora.

Os legisladores estão particularmente preocupados com alegações de que até $1.7 billion em criptomoedas podem ter passado pela Binance para redes ligadas a grupos apoiados pelo Irã, incluindo o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e os huthis no Iêmen. 

Relatórios citados pelos legisladores sugerem que a equipe de compliance dentro da corretora havia previamente sinalizado grandes volumes de transações suspeitas envolvendo usuários iranianos.

De acordo com esses relatos, duas entidades sediadas em Hong Kong, Hexa Whale e Blessed Trust, podem ter atuado como intermediárias que redirecionaram fundos pela plataforma apesar das restrições das sanções dos EUA

A possibilidade de que tal atividade tenha ocorrido enquanto a Binance operava sob monitores nomeados pelo tribunal após seu acordo anterior com as autoridades dos EUA levantou dúvidas em Washington sobre a robustez do programa de compliance reformulado da empresa.

Binance nega as alegações

A Binance não confirmou publicamente a investigação relatada do Departamento de Justiça. 

No entanto, a empresa já afirmou que cooperou com as autoridades quando atividade suspeita foi identificada e fechou contas conectadas às transações.

A corretora também contesta as alegações mais amplas.

A Binance afirma que abriu investigações internas sobre Hexa Whale e Blessed Trust antes de as reportagens surgirem e removeu ambas as entidades da plataforma, removendo a Hexa Whale em agosto de 2025 e a Blessed Trust em janeiro de 2026.

Segundo a empresa, nenhuma de suas contas realizou transações diretas com entidades iranianas. 

A Binance argumenta que referências à exposição em alguns relatos se referem a vínculos indiretos por meio de carteiras de terceiros fora do controle imediato de exchanges centralizadas.