Ripple amplia atuação cripto no Brasil e solicita licença ao Banco Central

Ripple amplia atuação cripto no Brasil e solicita licença ao Banco Central
Diya Poddar
17 de mar. de 2026, 11:10 AM
  • Ripple planeja solicitar licença no Brasil ao expandir serviços cripto regulados.
  • Nova plataforma integra pagamentos, custódia e negociação para instituições.
  • Expansão global é impulsionada por aquisições, incluindo Hidden Road e GTreasury.

A Ripple está intensificando sua presença no Brasil ao expandir seus serviços de ativos digitais e se preparar para integrar o sistema regulatório formal de criptoativos do país.

A empresa de blockchain focada em pagamentos disse na terça-feira que está lançando um portfólio ampliado de ofertas voltadas para bancos e fintechs, além de planejar solicitar uma licença de Prestador de Serviços de Ativos Virtuais ao Banco Central do Brasil.

A iniciativa coloca a Ripple no centro do marco cripto em evolução no Brasil, onde os reguladores estão construindo uma supervisão estruturada para empresas de ativos digitais.

Ao combinar ferramentas de pagamentos, custódia e negociação em um único sistema, a empresa se posiciona como fornecedora de infraestrutura full-service para instituições financeiras que operam transfronteiras, principalmente em mercados emergentes de rápido crescimento.

Foco no marco regulatório cripto do Brasil

A Ripple confirmou que buscará uma licença de Prestador de Serviços de Ativos Virtuais junto ao Banco Central do Brasil, alinhando suas operações às novas regras cripto do país.

Espera-se que o marco traga regras mais claras para custódia, negociação e fluxos transfronteiriços de ativos digitais.

O Brasil emergiu como um dos mercados financeiros mais desenvolvidos da América Latina, com forte adoção de fintechs e engajamento regulatório.

A expansão da Ripple reflete uma tendência mais ampla do setor de empresas migrarem para ambientes regulados à medida que governos formalizam a supervisão cripto e apertam requisitos de conformidade.

Ferramentas integradas de pagamentos e custódia

A nova oferta da empresa combina pagamentos transfronteiriços, custódia de ativos digitais, serviços de corretagem e gestão de tesouraria em uma única plataforma.

Esse sistema integrado é direcionado a instituições que precisam mover fundos internacionalmente enquanto gerenciam liquidez e mantêm ativos digitais.

A Ripple afirmou que a abordagem reduz a complexidade operacional ao permitir que bancos e fintechs acessem múltiplos serviços em uma única camada de infraestrutura.

Isso elimina a necessidade de depender de provedores separados para pagamentos, negociação e armazenamento, melhorando eficiência e velocidade de liquidação.

Parceiros no Brasil e fluxos de stablecoins

Várias instituições financeiras brasileiras já usam a rede da Ripple, incluindo o Banco Genial, que realiza transferências em dólares com compensação no mesmo dia por meio do sistema.

O Braza Bank a utiliza para fluxos de câmbio e emitiu uma stablecoin lastreada em real no XRP Ledger.

A fintech Nomad e outras empresas também estão movimentando fundos entre Brasil e EUA, liquidando transações com stablecoins.

A Ripple está simultaneamente expandindo sua solução de custódia, com parceiros como CRX e Justoken emitindo ativos tokenizados, incluindo commodities e outros ativos do mundo real, refletindo a crescente demanda institucional.

Expansão global e aquisições

A ofensiva no Brasil ocorre paralelamente à estratégia mais ampla de expansão global da Ripple.

A empresa tem ampliado suas capacidades de negociação e infraestrutura por meio de aquisições, incluindo a compra da prime brokerage Hidden Road por US$1,25 bilhão e um acordo de US$1 bilhão pela empresa de tesouraria corporativa GTreasury.

A Ripple também emite uma stablecoin em dólar americano, RLUSD, que alcançou um valor de mercado de cerca de US$1,5 bilhão e é gerida pela sua divisão de custódia.

Ao longo de sua rede de pagamentos, a empresa afirmou ter processado mais de US$100 bilhões em transações.

Mais recentemente, a Ripple lançou um programa de recompra de ações que avaliou a empresa em US$50 bilhões, ressaltando sua escala enquanto expande serviços em mercados regulados e aprofunda sua base de clientes institucionais.