Bitcoin cai abaixo de US$68 mil: virá sequência de seis meses em baixa?

Bitcoin cai abaixo de US$68 mil: virá sequência de seis meses em baixa?
Devesh Kumar
30 de mar. de 2026, 03:33 AM
  • Bitcoin cai abaixo de US$68.000, testando brevemente a faixa de meados dos US$65.000 antes de se recuperar.
  • Fechamento de março em foco após cinco fechamentos mensais consecutivos em baixa até fevereiro.
  • Saídas de ETFs e um ambiente macro de aversão ao risco pesam sobre o sentimento no mercado cripto.

O recente declínio do Bitcoin reavivou uma das perguntas mais desconfortáveis que pairam sobre o mercado cripto este ano.

Os investidores agora se perguntam seriamente se esta é apenas mais uma semana ruim ou uma sequência de perdas mais profunda?

O que parece claro é que a pressão vem se acumulando há semanas.

O Bitcoin voltou a cair abaixo de US$68.000 no final da semana passada, chegando brevemente a cerca de US$65.112 em 30 de março antes de recuperar-se acima de US$67.000 à medida que os negócios na Ásia ganharam ritmo.

Essa recuperação não dissipou a preocupação maior. O mercado agora está fixado em saber se março fechará fraco o suficiente para estender uma já incomum sequência de quedas mensais.

Análises de mercado publicadas no final de fevereiro já apontavam cinco velas mensais consecutivas de baixa até fevereiro, fazendo do fechamento de março o verdadeiro ponto de inflexão para o próximo capítulo da história.

Tendência mensal do Bitcoin pesa mais que recuperação

As variações intradiárias do Bitcoin são dramáticas, mas o sinal mais relevante no momento é a tendência mensal.

Uma breve recuperação do fundo de 30 de março não altera o fato de que a maior criptomoeda do mundo passou grande parte das últimas semanas sob pressão.

A criptomoeda principal afundou até US$65.112 antes de voltar acima de US$67.000, já que a fraqueza renovada no final da semana passada ocorreu quando as saídas de ETFs foram retomadas e a pressão macro se intensificou.

É por isso que falar em “sequência de seis meses em baixa” ainda deve ser tratado como uma pergunta, e não como uma conclusão.

Fevereiro foi amplamente descrito nos comentários de mercado como o quinto mês consecutivo de baixa.

Março, porém, ainda não havia registrado um fechamento de fim de mês confirmado no momento da última onda de vendas.

Iliya Kalchev do Nexo Dispatch capturou bem o sentimento, dizendo que uma semana que começou com otimismo cauteloso terminou em tom mais defensivo à medida que as saídas de ETFs retornaram e a pressão macro aumentou.

Liquidação impulsionada por receios macroeconômicos

O Bitcoin costuma ser apresentado como um mundo à parte das finanças tradicionais.

Na prática, ultimamente tem sido negociado muito mais como um ativo de risco de alta volatilidade.

As mesmas forças que prejudicam as ações e abalam a confiança dos investidores em outros mercados agora repercutem diretamente no mercado cripto.

Os investidores estão de olho atento na ansiedade por guerra no Oriente Médio, na alta dos preços do petróleo, no dólar mais forte e em uma retirada mais ampla das apostas especulativas.

O agravamento do conflito no Oriente Médio elevou fortemente o preço do petróleo, fortaleceu o dólar e derrubou os principais índices acionários.

Esse mecanismo de transmissão é simples: quando os temores de guerra aumentam e o petróleo salta, as preocupações com inflação tendem a seguir.

Quando as preocupações com a inflação aumentam, os investidores ficam menos dispostos a manter ativos voláteis.

No caso do Bitcoin, essa cautela é então amplificada por aceleradores específicos do cripto, como oscilações nos fluxos de ETF, posicionamento em derivativos e pressão de liquidação.

A recente fraqueza esteve ligada à retomada das saídas de ETFs e a um ambiente macro de aversão ao risco antes do vencimento de opções de cerca de US$14 bilhões.

Um sexto mês de baixa é possível

O cenário baixista é fácil de enxergar.

Comentário técnico da FXStreet afirmou que o tom de curto prazo permanecia frágil, com suporte imediato em torno da faixa média dos US$60.000 e um fechamento diário abaixo de US$65.000 potencialmente abrindo espaço para um recuo mais profundo rumo a US$60.000.

Isso deixa o Bitcoin em posição delicada: o preço está próximo o suficiente do suporte para atrair compras de oportunidade, mas não distante o bastante de um rompimento para acalmar os nervos.

Reuters citou Cinthia Murphy, da TMX VettaFi, dizendo que o Bitcoin pode estar se aproximando de um piso, mesmo que continue sendo uma “montanha-russa” para os investidores.