Relatório da ONU: Telegram é um centro de fraude de criptomoedas e lavagem de dinheiro

Relatório da ONU: Telegram é um centro de fraude de criptomoedas e lavagem de dinheiro
Srinibas Rout
07 de out. de 2024, 17:23 PM
  • O relatório destaca como plataformas criptografadas como o Telegram transformaram a maneira como o crime organizado opera.
  • Ferramentas criminosas, incluindo software deepfake e malware para roubo de dados, são amplamente vendidas na plataforma.
  • O relatório do UNODC alerta que os mercados clandestinos de dados estão migrando para o Telegram.

Poderosos sindicatos do crime no Sudeste Asiático estão usando o aplicativo de mensagens Telegram para conduzir atividades ilícitas em larga escala, de acordo com um novo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O relatório destaca como plataformas criptografadas como o Telegram transformaram a maneira como o crime organizado opera, permitindo que redes criminosas negociem dados hackeados e ferramentas de crime cibernético com pouca supervisão.

O relatório do UNODC esclarece o papel do Telegram em facilitar a troca de dados roubados, como detalhes de cartão de crédito, senhas e histórico do navegador, em canais dispersos que carecem de moderação.

Ferramentas criminosas, incluindo software deepfake e malware para roubo de dados, também são amplamente vendidas na plataforma.

As exchanges de criptomoedas não licenciadas que operam no Telegram também fornecem serviços de lavagem de dinheiro para essas redes.

Um exemplo específico do relatório destaca um anúncio chinês que se gaba de movimentar US$ 3 milhões em USDT roubados por dia, sinalizando a escala e a sofisticação dessas operações.

O UNODC alerta que os mercados clandestinos de dados estão migrando para o Telegram, com vendedores mirando ativamente grupos criminosos transnacionais na região.

O Sudeste Asiático se tornou um centro de atividades cibercriminosas

O Sudeste Asiático se tornou um importante centro para essas atividades criminosas, em grande parte impulsionadas por sindicatos chineses que operam em complexos fortemente protegidos, com trabalhadores traficados.

Estima-se que essas redes, responsáveis por esquemas fraudulentos que afetam vítimas em todo o mundo, gerem entre US$ 27,4 bilhões e US$ 36,5 bilhões anualmente.

Este relatório surge em meio a uma crescente análise do Telegram, principalmente depois que seu fundador, Pavel Durov, foi preso em Paris em agosto.

Durov enfrenta acusações relacionadas a atividades criminosas na plataforma, incluindo a disseminação de conteúdo ilícito.

Sua prisão desencadeou um debate sobre a responsabilidade das plataformas de tecnologia em coibir atividades ilegais e equilibrar a liberdade de expressão com a aplicação da lei.