Carros chineses acessíveis prejudicam vendas da BMW e da Mercedes no México

Carros chineses acessíveis prejudicam vendas da BMW e da Mercedes no México
Diya Poddar
27 de dez. de 2024, 09:06 AM
  • As vendas da Mercedes-Benz no México caíram 9,8% em 2023.
  • A Audi registrou uma queda de 21,9% nas vendas no mesmo período.
  • Marcas chinesas agora controlam 9,3% do mercado automotivo do México.

O mercado automotivo mexicano está passando por uma transformação significativa à medida que fabricantes de automóveis chineses ganham espaço, rompendo o domínio de marcas de luxo de longa data, como Mercedes-Benz e BMW, de acordo com um relatório da AFP.

Tradicionalmente, o mercado de carros de luxo do México dependia fortemente de fabricantes europeus e americanos, mas as mudanças nas preferências dos consumidores, a sensibilidade ao preço e a melhoria da qualidade estão abrindo caminho para veículos chineses.

Os dados destacam uma tendência clara: enquanto as marcas de luxo relatam queda nas vendas, as montadoras chinesas estão aumentando constantemente sua participação de mercado, remodelando o cenário competitivo na segunda maior economia da América Latina.

Aumento da demanda por veículos chineses

Dados de vendas da Associação Mexicana de Distribuidores Automotivos (AMDA) indicam uma queda de 8,1% no segmento de luxo entre janeiro e novembro.

A Mercedes-Benz e a Audi registraram quedas de 9,8% e 21,9%, respectivamente, enquanto a BMW, que inclui a Mini, não registrou crescimento.

Por outro lado, as marcas chinesas experimentaram um forte crescimento nas vendas durante o mesmo período.

A Motornation, que representa a BAIC, a JMC e a Changan, registrou um aumento de 8,8%, e a Jetour teve um salto impressionante de 131%.

Atualmente, as montadoras chinesas detêm 9,3% do mercado mexicano, graças a preços competitivos e recursos que rivalizam com as tradicionais marcas premium.

Seus SUVs e caminhonetes, equipados com tecnologia de ponta, atendem à crescente demanda por veículos utilitários em vez de sedãs.

Razões por trás do sucesso dos carros chineses

Uma isenção de tarifas de importação para veículos elétricos, em vigor até outubro de 2024, proporcionou uma vantagem adicional às montadoras chinesas.

Com isso, marcas como BYD e Zeekr poderiam oferecer opções competitivas em várias faixas de preço.

Por exemplo, a BYD vende uma picape elétrica por aproximadamente US$ 50.000, enquanto oferece carros compactos por US$ 17.000.

A Zeekr compete no mercado de veículos elétricos premium com modelos com preços em torno de US$ 40.000.

Os consumidores mexicanos, cada vez mais acostumados com marcas chinesas, citam o custo-benefício como um fator-chave em suas decisões de compra.

Veículos chineses oferecem conforto e tecnologia avançada, como assistência à direção, a um preço significativamente mais baixo do que seus equivalentes europeus.

Por exemplo, um SUV chinês com preço de 550.000 pesos (cerca de US$ 27.000) oferece recursos semelhantes a um equivalente europeu que custa de US$ 40.000 a US$ 50.000.

Tensões políticas e implicações comerciais

O aumento das importações de carros chineses para o México não passou despercebido no cenário geopolítico.

Tanto os EUA quanto o Canadá expressaram preocupações, sugerindo que o México poderia servir como porta de entrada para produtos chineses na região sob o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, acusou anteriormente a China de usar o México como base para acessar o mercado dos EUA, enquanto autoridades canadenses levantaram suspeitas semelhantes.

No entanto, autoridades mexicanas negam essas alegações.

A presidente Claudia Sheinbaum enfatizou que apenas 7% dos componentes dos veículos produzidos no México são chineses.

Ela também propôs uma estratégia regional de substituição de importações chinesas para resolver o déficit comercial de US$ 80 bilhões do país com a China.

Apesar desses desafios políticos, o rápido crescimento das montadoras chinesas no México ressalta uma mudança no cenário automotivo.

Com preços competitivos, avanços tecnológicos e ofertas diversificadas, as marcas chinesas estão prontas para desempenhar um papel maior na formação das preferências dos consumidores e na ruptura dos mercados tradicionais de luxo.