As remessas podem impulsionar as economias, ou são uma faca de dois gumes?

As remessas podem impulsionar as economias, ou são uma faca de dois gumes?
Noris Soto
22 de fev. de 2025, 06:51 AM
  • De acordo com a Statista, as remessas para países de baixa e média renda atingiram US$ 685 bilhões em 2024.
  • A dependência de Tajiquistão em remessas atingiu 45,4% do PIB, destacando a vulnerabilidade das economias frágeis.
  • As remessas oferecem apoio, mas levantam preocupações sobre a sustentabilidade econômica a longo prazo em economias frágeis.

De acordo com estimativas do Banco Mundial, as remessas para países de baixa e média renda atingiram US$ 685 bilhões em 2024, um aumento em relação aos US$ 647 bilhões em 2023.

Com as remessas se aproximando de US$ 905 bilhões globalmente, surge a questão de saber se elas são uma tábua de salvação para famílias em dificuldades ou uma armadilha que impede o crescimento econômico sustentável.

Países com os maiores fluxos de remessas

A Statista afirmou que a Índia recebeu US$ 129 bilhões em entradas, seguida pelo México e pela China, com US$ 68 bilhões e US$ 48 bilhões, respectivamente.

Para entender a importância desses dados, é importante considerar seu contexto.

As remessas podem representar uma grande parcela do desempenho econômico geral em economias menores e mais pobres.

Um exemplo notável disso é o Tajiquistão, que registrou um impressionante influxo de remessas de 45,4% do PIB em 2024.

A dependência de remessas é uma tendência comum em países em desenvolvimento, onde a economia doméstica depende fortemente de trabalhadores expatriados para a estabilidade financeira.

A assistência humanitária tem um impacto considerável na resiliência e sustentabilidade econômica, especialmente em governos frágeis.

Economias frágeis e dependência excessiva de remessas

Dados da Statista mostram que as economias menos resilientes dependem fortemente de remessas recebidas.

De acordo com a OCDE, três dos quatro países com a maior participação das remessas no PIB também eram os mais frágeis.

Na Nicarágua, as remessas representam 27,2% do PIB.

A onda foi impulsionada em grande parte pela persistente turbulência econômica e política que levou muitos nicaraguenses a partir, principalmente para os EUA.

Além disso, em outro exemplo ilustrativo de como a mudança nas classificações de fragilidade pode ter consequências microeconômicas por meio de remessas, a situação em Honduras destaca esse ponto.

Honduras já foi classificada em um contexto de “alta fragilidade”, mas desde então foi rebaixada, evidenciando a fluidez da estabilidade econômica, mas também a dinâmica migratória e de remessas em constante mudança na região.

De acordo com dados do Banco Mundial, as remessas enviadas para a Venezuela contribuíram com apenas 3,7% do PIB em 2024, totalizando US$ 3,8 bilhões, representando um aumento de 8,6% em relação aos níveis de 2023.

Por que temos essa crescente necessidade de trabalhadores migrantes?

Analistas da OCDE também atribuem parcialmente o aumento das remessas à forte demanda por trabalhadores migrantes nas maiores economias.

Para resolver o problema generalizado da escassez de mão de obra em diversos setores, muitas nações agora se veem em busca de soluções externas para a força de trabalho.

Isso, por sua vez, aprofunda os laços entre as regiões emissoras e receptoras do mundo, e os fluxos de remessas reagem diretamente às demandas dos mercados de trabalho.

Neste contexto, as remessas não são apenas transferências; são atividade econômica e indicadores de resiliência.

Eles permitem que as famílias tenham acesso a recursos para educação, saúde e empreendedorismo, todos os quais oferecem caminhos de mobilidade ascendente que, de outra forma, seriam inacessíveis.

Contexto econômico mais amplo

Os avanços no campo da tecnologia também levaram ao desenvolvimento do setor de remessas.

As remessas têm sido um poderoso motor de crescimento nos países receptores, e as plataformas de pagamento digital facilitaram o envio de dinheiro para casa pelos migrantes.

Embora esses fluxos financeiros possam sustentar a economia até certo ponto, eles levantam novas questões sobre os impactos econômicos de longo prazo.

Essas economias, muitas das quais dependem de remessas, estão investindo o suficiente em seu futuro? Ou se tornarão excessivamente dependentes e repetirão o círculo vicioso da fragilidade econômica, que pode ser agravado pela recessão econômica global ou pela flutuação da imigração?