DOGE de Musk cancela contratos, mas economia questionada: cortes são apenas para mostrar serviço?

DOGE de Musk cancela contratos, mas economia questionada: cortes são apenas para mostrar serviço?
Deepali Singh
25 de fev. de 2025, 12:55 PM
  • De acordo com dados administrativos, 40% dos cancelamentos de contratos DOGE podem não gerar economia.
  • Muitos contratos cancelados já haviam sido totalmente pagos, tornando improvável qualquer economia.
  • Especialistas alertam que os cortes no DOGE podem prejudicar o desempenho do governo.

A iniciativa de redução de custos da administração Trump, liderada pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) de Elon Musk, está sob escrutínio.

Embora a DOGE tenha anunciado o cancelamento de mais de 1.100 contratos federais, dados publicados pela própria agência revelam que uma parte significativa desses cancelamentos provavelmente não trará economia alguma ao governo.

Na semana passada, o DOGE divulgou uma lista inicial de 1.125 contratos rescindidos em todo o governo federal.

No entanto, os dados exibidos no "Mural de Recibos" da DOGE indicam que 417 desses cancelamentos de contrato, representando quase 40% do total, devem resultar em nenhum benefício financeiro.

Essa falta de poupança deve-se principalmente ao fato de que o valor total desses contratos já foi totalmente comprometido.

Isso significa que o governo está legalmente obrigado a gastar os fundos com os bens ou serviços adquiridos e, em muitos casos, já cumpriu sua obrigação financeira.

Cancelamentos "sem sentido": as economias são apenas uma miragem?

"É como confiscar munição usada depois de disparada, quando não resta nada nela. Não atinge nenhum objetivo político", disse Charles Tiefer, professor de direito aposentado da Universidade de Baltimore e especialista em direito de contratação governamental, à Fortune.

Ele acrescentou que "rescindir tantos contratos sem necessidade obviamente não contribui para a economia de dinheiro".

Exemplos desses contratos já pagos incluem assinaturas de serviços de mídia como The Associated Press e Politico, estudos de pesquisa concluídos, treinamentos ministrados, softwares adquiridos e estágios anteriores.

Apesar da falta de economia tangível, um funcionário da administração defendeu os cancelamentos, argumentando que faz sentido eliminar contratos considerados como potencial "peso morto".

O funcionário pediu anonimato porque não estava autorizado a discutir o assunto publicamente.

Os dados da DOGE avaliam os 417 contratos em questão em um total de US$ 478 milhões.

Espera-se também que dezenas de outros contratos cancelados gerem economias mínimas, se houver.

Abordagem de "corte e queima": especialistas levantam preocupações

"É tarde demais para o governo mudar de ideia sobre muitos desses contratos e se desvencilhar de sua obrigação de pagamento", advertiu Tiefer, observando que o DOGE parecia estar adotando uma abordagem de "cortar e queimar" na redução de contratos.

Tiefer, que integrou a Comissão sobre Contratos em Tempo de Guerra no Iraque e no Afeganistão, argumentou que essa abordagem poderia impactar negativamente o desempenho das agências governamentais.

Ele sugeriu que economias genuínas poderiam ser alcançadas por meio da colaboração com os oficiais de contratação de agências e os inspetores-gerais para identificar eficiências, uma estratégia que a administração não adotou.

Alegações de poupança inflacionadas: uma análise mais detalhada do resultado final

Embora a DOGE afirme que os cancelamentos de contratos projetados devem gerar uma economia de mais de US$ 7 bilhões, especialistas independentes questionaram a precisão desse número, sugerindo que ele pode estar inflado.

Os contratos cancelados abrangiam uma ampla gama de bens e serviços.

Por exemplo, o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano concedeu um contrato em setembro para a compra e instalação de mobiliário de escritório em diversas filiais.

Embora o contrato não expire até o final deste ano, registros federais revelam que a agência já havia se comprometido a gastar o valor máximo de US$ 567.809 com uma empresa de móveis.

Da mesma forma, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional negociou um contrato de US$ 145.549 no ano passado para limpar o carpete de sua sede em Washington.

No entanto, o valor total já havia sido comprometido com uma empresa pertencente a uma tribo nativa americana com sede em Michigan.

Outro contrato, no valor de US$ 249.600, já havia sido gasto com uma empresa de Washington, D.C., para auxiliar o Departamento de Transportes na recente transição entre administrações.

Objetivos contraditórios: dificultando os esforços de modernização?

Aumentando a controvérsia, alguns dos contratos cancelados tinham como objetivo modernizar e melhorar as operações governamentais, o que parece contradizer o mandato de redução de custos da DOGE.

Um desses contratos, entre os maiores, envolveu uma empresa de consultoria contratada para ajudar a reorganizar o Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, a agência que liderou a resposta à pandemia de Covid-19.

O valor total de US$ 13,6 milhões já havia sido comprometido com a Deloitte Consulting LLP para assistência na reestruturação, que incluiu o fechamento de vários escritórios de pesquisa.