Brasil adia proposta de imposto sobre grandes empresas de tecnologia em meio a preocupações com tensões comerciais com os EUA

Brasil adia proposta de imposto sobre grandes empresas de tecnologia em meio a preocupações com tensões comerciais com os EUA
Noris Soto
26 de mar. de 2025, 13:24 PM
  • O Brasil agora pretende impulsionar uma nova proposta legislativa com o objetivo de regular a concorrência.
  • O Brasil anunciou a implementação de um imposto mínimo de 15% sobre os lucros de corporações multinacionais.
  • A nova administração está se afastando da abordagem de política externa de seu antecessor.

O Brasil adiou seu plano de taxar grandes empresas de tecnologia devido a preocupações de que isso pudesse ser visto como retaliação contra as crescentes ameaças comerciais dos EUA, feitas pelo presidente Donald Trump.

Segundo a Reuters, fontes familiarizadas com o assunto disseram que o Brasil agora pretende apresentar uma nova proposta legislativa com o objetivo de regular a concorrência entre as plataformas de internet dominantes na América Latina.

Em meio a desafios econômicos internos e mudanças na dinâmica do comércio internacional, a nova administração está se afastando da abordagem de política externa de seu antecessor.

Projeto de lei sobre concorrência em práticas de mercado digital

Em 4 de outubro de 2024, o Brasil anunciou a implementação de um imposto mínimo de 15% sobre os lucros de corporações multinacionais, conforme detalhado em uma ordem executiva publicada no Diário Oficial do país na noite de quinta-feira.

Esta iniciativa visava impulsionar a receita em face da ambiciosa meta do governo de alcançar um déficit fiscal zero, evitando cortes amplos de gastos que poderiam comprometer programas sociais essenciais.

Ao alinhar-se com os esforços globais para combater a evasão fiscal, o Brasil buscava estabilizar seu arcabouço financeiro e garantir uma tributação justa para entidades multinacionais.

O governo está atualmente consultando sobre um projeto de legislação de concorrência destinado a práticas comerciais anticompetitivas que prejudicam a concorrência leal entre os consumidores, mas propôs levar em consideração uma proposta de emenda em consulta pública (janeiro de 2024).

O projeto de lei visa prevenir danos como as "aquisições predatórias", em que uma grande empresa compra concorrentes potenciais com o propósito expresso de eliminá-los e favorecer os produtos de uma plataforma nos resultados de busca.

O Brasil pretende fomentar um ambiente competitivo para impulsionar a inovação e oferecer melhores opções aos consumidores em sua crescente economia digital.

Esse foco na concorrência surge em um momento em que reguladores de todo o mundo estão ajustando seus marcos regulatórios para responder à rápida expansão das empresas de tecnologia, exigindo mais responsabilidade e justiça nos mercados digitais.

Proposta tributária levanta preocupações sobre as relações comerciais.

Anteriormente, autoridades brasileiras insinuaram que apresentariam um plano tributário direcionado às principais empresas de tecnologia globais, dependendo das previsões de receita federal para o segundo semestre de 2024.

Se aprovado, este imposto afetará grandes empresas americanas como Amazon, Google (da Alphabet) e Meta, que opera o Facebook e o WhatsApp.

No entanto, como disse um dos membros do governo, o momento da apresentação do plano tributário causou alarme na administração brasileira.

O quadro volátil das relações comerciais entre EUA e Brasil, particularmente após o anúncio do presidente Trump sobre possíveis aumentos de tarifas em 2 de abril, tornou o Brasil mais cauteloso.

A pessoa enfatizou que o aumento de impostos sobre grandes corporações americanas poderia interromper as conversas e negociações comerciais existentes, particularmente à luz do forte programa tarifário de Trump.

Gerenciando a incerteza no comércio internacional

A pressão do governo por tal política, enquanto o Brasil se prepara para possíveis cenários de retaliação resultantes do aumento das tarifas americanas, faz parte, em última análise, de um objetivo mais amplo de evitar que as tensões comerciais se intensifiquem.

Enquanto isso, autoridades brasileiras parecem não ter clareza sobre a natureza exata das ameaças e como elas influenciarão o futuro das relações comerciais entre os dois países.

O contexto dos sistemas e negociações de comércio internacional destaca a situação vulnerável do Brasil.

Ao rejeitar o plano tributário para os gigantes da TI, o Brasil parece estar buscando manter uma postura cooperativa com parceiros econômicos importantes, ao mesmo tempo em que aborda preocupações locais sobre concorrência e justiça na economia digital.

O Brasil pode buscar uma abordagem mais equilibrada.

O novo foco do governo brasileiro na regulação da concorrência em vez da tributação representa uma recalibração estratégica.

Embora aborde preocupações internas sobre desigualdades de mercado e práticas anticompetitivas, também busca manter relações comerciais construtivas com os Estados Unidos em meio às incertezas prevalecentes.

À medida que a economia digital se expande e evolui, os desenvolvimentos legislativos do Brasil serão, sem dúvida, acompanhados de perto por partes nacionais e estrangeiras.

A conclusão das consultas públicas sobre o projeto de lei da concorrência será crucial enquanto o Brasil trabalha para construir um cenário digital mais equitativo, sem deixar de perseguir seus interesses econômicos em escala global.