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Ibovespa do Brasil cai em meio à turbulência do mercado global e às ameaças de Trump ao Fed

Noris Soto
22 de abr. de 2025, 14:13 PM
  • O Ibovespa caiu 0,4%, ficando abaixo de 129.300 pontos, com o retorno dos investidores após um feriado em meio à turbulência nos mercados globais.
  • A pressão renovada de Trump sobre o presidente do Fed, Powell, desencadeou vendas de ativos americanos, impactando os mercados brasileiros.
  • Petrobras, Ambev e Banco Santander caíram 1,5%, 1,1% e 1,6%, liderando as perdas nos principais setores.

O principal índice acionário do Brasil, o Ibovespa, caiu 0,4% para abaixo de 129.300 pontos na terça-feira, depois que os mercados globais se tornaram pessimistas em resposta a sinais recentes de instabilidade.

De acordo com o Trading Economics, a retração ocorreu um dia após um dia difícil para Wall Street e novas preocupações importantes sobre o futuro da política monetária dos EUA, em resposta a novas ameaças do presidente Donald Trump em um antigo conflito com o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Investidores brasileiros tiveram um dia difícil após o retorno de um feriado nacional, analisando as turbulências políticas e econômicas internacionais.

As últimas declarações de Trump, que na semana passada exigiu que o Federal Reserve cortasse as taxas de juros imediatamente e sugeriu que poderia demitir Powell, desencadearam uma nova onda de volatilidade nos mercados americanos.

Após as declarações, os títulos do Tesouro americano, as ações e o dólar sofreram forte queda, estabelecendo um tom cauteloso nos mercados globais que se estendeu aos mercados emergentes.

A pressão de Trump sobre o Fed repercute no exterior.

A pressão persistente do presidente Trump sobre o Fed para reduzir as taxas de juros, juntamente com uma ameaça velada de demitir Powell, aumentou as preocupações dos investidores sobre a independência do banco central dos EUA e a direção futura da política monetária.

A incerteza desencadeou um sentimento global de aversão ao risco, com os investidores vendendo ativos de risco em favor de investimentos considerados seguros.

No Brasil, o efeito dominó foi imediato. Investidores reduziram suas posições em diversos setores, esperando que qualquer recessão persistente nos Estados Unidos ou interrupção nos mercados financeiros globais teria um efeito cascata nas economias emergentes.

Tensões comerciais ameaçam as perspectivas de exportação do Brasil

Os crescentes temores sobre as políticas comerciais de Trump exacerbaram o desconforto.

O presidente dos EUA retomou as ameaças de impor tarifas sobre aço, automóveis e uma variedade de outros bens, alimentando preocupações sobre uma guerra comercial global maior.

As negociações sobre possíveis isenções para parceiros comerciais importantes, como o Brasil, têm sido lentas, deixando os exportadores locais em dúvida.

A economia brasileira depende fortemente das exportações de commodities, portanto, os riscos são muito altos.

Uma desaceleração na economia global, particularmente na China e nos Estados Unidos, poderia ter um impacto significativo na demanda por petróleo, minério de ferro e commodities agrícolas.

Ganhos em commodities não compensam as perdas gerais do mercado.

Apesar da liquidação geral, alguns desenvolvimentos positivos surgiram. Os preços do petróleo subiram modestamente, impulsionados pelos temores de oferta no Oriente Médio, enquanto os futuros de minério de ferro chinês aumentaram apesar da nova tarifa de exportação de aço da Índia.

Apesar disso, esses avanços deram pouco suporte às ações brasileiras.

As principais empresas dos setores petrolífero, industrial e financeiro foram as mais afetadas pela liquidação. A Petrobras, a gigante petrolífera estatal, caiu 1,5%, pressionada pelas preocupações dos investidores sobre o consumo de petróleo e pela aversão ao risco mais ampla.

A Ambev, gigante do setor de bebidas, caiu 1,1%, enquanto o Banco Santander Brasil recuou 1,6%, refletindo a queda nos mercados bancários globais.

Com a incerteza em torno da política monetária e das relações comerciais dos EUA, os economistas preveem volatilidade contínua nos mercados brasileiros.

Os investidores do mercado estão monitorando de perto os relatórios econômicos que estão chegando e quaisquer novas medidas na política comercial dos EUA.

Os investidores provavelmente permanecerão cautelosos por enquanto, com foco tanto em Brasília quanto em Washington.