Ações da BA sobem com a Boeing reportando prejuízo menor no primeiro trimestre, à medida que as entregas de jatos se recuperam e o plano de recuperação ganha força.

Ações da BA sobem com a Boeing reportando prejuízo menor no primeiro trimestre, à medida que as entregas de jatos se recuperam e o plano de recuperação ganha força.
Vatsala Gaur
23 de abr. de 2025, 10:44 AM
  • Boeing reporta prejuízo menor que o esperado no primeiro trimestre e aumento de 18% na receita.
  • A produção de jatos, especialmente do 737 Max, aumentará após as interrupções do final de 2024.
  • Ortberg descreveu 2025 como “nosso ano de virada”, apontando para um melhor fluxo de produção e disciplina operacional.

As ações da Boeing subiram na quarta-feira depois que a empresa registrou um prejuízo trimestral menor do que o esperado e um aumento constante nas entregas de jatos, oferecendo um vislumbre de esperança para a problemática fabricante de aviões americana.

As ações da BA estavam subindo 6,51% durante o pregão pré-mercado na quarta-feira.

Os resultados marcam um passo fundamental nos esforços da Boeing para se recuperar de um turbulento 2024, marcado por problemas de controle de qualidade, contratempos na cadeia de suprimentos e uma greve prejudicial que paralisou a produção de aeronaves.

A empresa reportou um prejuízo ajustado de 49 centavos por ação no primeiro trimestre de 2025, muito melhor do que a estimativa média de Wall Street de um prejuízo de US$ 1,29 por ação, de acordo com dados compilados pela LSEG.

A receita da Boeing aumentou 18% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 19,5 bilhões, ligeiramente acima das expectativas dos analistas.

Grande parte da melhoria veio de uma recuperação nas entregas e aumentos graduais na produção de aeronaves.

A produção do 737 Max, o avião mais vendido da Boeing, aumentou de 20 a 25 unidades em janeiro e espera-se que atinja o limite imposto pelo regulador de 38 jatos por mês até o final do ano.

“Há muito trabalho bom acontecendo em nossas equipes, e estamos vendo resultados positivos”, disse a CEO Kelly Ortberg, que assumiu o comando no ano passado.

Em uma carta aos funcionários, Ortberg descreveu 2025 como “nosso ano de virada”, apontando para um melhor fluxo de produção e disciplina operacional.

Desinvestimentos estratégicos e melhorias de caixa fortalecem as perspectivas.

A Boeing também relatou uma melhora significativa no uso do fluxo de caixa livre.

A empresa utilizou US$ 2,3 bilhões no primeiro trimestre, muito menos do que a previsão média dos analistas, de US$ 3,6 bilhões.

O desempenho de caixa melhor do que o esperado foi impulsionado pelo aumento do volume de entregas e por controles de custos mais rigorosos.

Em linha com a estratégia de Ortberg de simplificar as operações e reduzir a dívida, a Boeing anunciou a venda de várias empresas de aviação digital para a firma de private equity Thoma Bravo por US$ 10,5 bilhões.

Isso inclui seu negócio de navegação Jeppesen, que há muito tempo é considerado um ativo valioso, mas não essencial.

“Este foi um bom trimestre para a Boeing”, disse Peter McNally, chefe global de analistas da Third Bridge.

“A venda de ativos digitais com uma forte avaliação dará à empresa fôlego enquanto ela trabalha em seu plano de reestruturação mais amplo.”

Desafios persistem em meio à incerteza geopolítica e aos gargalos na cadeia de suprimentos.

Apesar dos sinais de progresso, a Boeing continua a enfrentar desafios.

As persistentes interrupções na cadeia de suprimentos atrasaram partes do cronograma de produção de jatos da empresa, enquanto as tensões comerciais entre EUA e China levaram à devolução de duas aeronaves anteriormente destinadas a uma companhia aérea chinesa, sublinhando o risco geopolítico associado à exposição global da empresa.

A recuperação financeira da Boeing também ocorre em meio a preocupações de longa data sobre sua cultura de segurança e conformidade regulatória, particularmente à luz de problemas de qualidade anteriores envolvendo o 737 Max e outros tipos de aeronaves.

Ainda assim, a empresa permanece focada em seu objetivo principal: estabilizar a produção de aeronaves e melhorar a consistência das entregas.

Ortberg deixou claro que a prioridade imediata da Boeing é construir aviões “com mais previsibilidade e maior qualidade”, visando recuperar a confiança dos clientes e o apoio dos investidores nos próximos trimestres.

Com os atrasos na entrega de jatos aumentando em todo o setor devido à demanda pós-pandemia e à capacidade limitada, a Boeing espera que seu foco operacional renovado e sua disciplina financeira a coloquem no caminho da recuperação a longo prazo.

A empresa deve divulgar seus resultados do segundo trimestre ainda neste verão.