Bezos venderá até US$ 4,75 bilhões em ações da Amazon: aqui está o que os investidores precisam saber

Bezos venderá até US$ 4,75 bilhões em ações da Amazon: aqui está o que os investidores precisam saber
Vatsala Gaur
02 de mai. de 2025, 13:25 PM
  • Jeff Bezos venderá até 25 milhões de ações da Amazon, no valor de US$ 4,75 bilhões, até maio de 2026.
  • A medida ocorre em meio a preocupações com tarifas e ao crescente foco na Blue Origin e no The Washington Post.
  • Executivos da Amazon apontam a “incerteza” em torno das tarifas como um fator que prejudica os lucros futuros.

Jeff Bezos, fundador e ex-CEO da Amazon, revelou planos de vender até US$ 4,75 bilhões em ações da gigante do comércio eletrônico nos próximos 12 meses, de acordo com documentos regulatórios divulgados na sexta-feira.

A venda planejada de até 25 milhões de ações, definida em um plano de negociação pré-acordado, se estenderá até o final de maio de 2026.

Com base no preço de fechamento de quinta-feira de US$ 190 por ação, a participação equivale a aproximadamente US$ 4,75 bilhões.

Bezos, que deixou o cargo de CEO da Amazon em 2021, ainda possui bem mais de um bilhão de ações e permanece um dos maiores acionistas da empresa.

A divulgação ocorreu poucas horas depois de a Amazon alertar que suas perspectivas financeiras poderiam ser prejudicadas pelas incertezas em torno das tensões comerciais globais, especialmente sob a renovada ameaça de tarifas.

Executivos da empresa disseram em uma teleconferência de resultados na quinta-feira à noite que as vendas líquidas e o lucro operacional do segundo trimestre podem ficar abaixo das expectativas de Wall Street.

Bezos diversifica seu foco para o espaço e a mídia.

A venda de ações planejada por Bezos segue-se a mais de US$ 13,4 bilhões em ações vendidas apenas em 2024 — um ano em que o valor de mercado da Amazon ultrapassou US$ 2 trilhões, impulsionado pelo entusiasmo dos investidores em relação à inteligência artificial.

A segunda pessoa mais rica do mundo tem se concentrado cada vez mais em sua empresa de exploração espacial, a Blue Origin, bem como no The Washington Post, o jornal americano que possui.

Embora a Blue Origin não divulgue dados financeiros públicos, pessoas familiarizadas com suas operações estimam que seus custos ultrapassam US$ 2 bilhões anuais.

Bezos continua sendo seu único acionista e tem usado os recursos da venda de ações da Amazon para financiar suas operações.

Mais recentemente, Bezos também ganhou manchetes por uma mudança de posicionamento político.

Outrora um crítico ferrenho de Donald Trump, chamando-o de “ameaça à democracia”, o fundador da Amazon desde então tem se esforçado para reconstruir o relacionamento.

Segundo relatos, ele se encontrou com Trump várias vezes no último ano e compareceu à segunda posse do ex-presidente com sua noiva, Lauren Sánchez.

No Washington Post, Bezos direcionou um foco editorial renovado em temas como livre mercado e liberdade individual, medidas que coincidiram com a perda de assinantes e a saída de funcionários.

Bezos também continuou a financiar empreendimentos filantrópicos, incluindo o Day One Fund.

Em março, ele doou ações no valor de cerca de US$ 60 milhões para uma organização sem fins lucrativos não identificada, de acordo com documentos apresentados.

Apesar das vendas de ações, Bezos mantém uma participação significativa na Amazon e influência sobre sua direção, mesmo enquanto a empresa navega por um cenário geopolítico e econômico mais volátil.

Amazon sinaliza incerteza no ambiente comercial

O CEO da Amazon, Andy Jassy, e o diretor financeiro, Brian Olsavsky, citaram repetidamente a “incerteza” durante a teleconferência de resultados, um termo que apareceu 11 vezes na transcrição, de acordo com o provedor de dados FactSet.

Em contraste, a palavra não havia aparecido em nenhuma das duas últimas teleconferências trimestrais.

Jassy disse aos analistas que, embora a Amazon ainda não tenha observado nenhuma desaceleração na demanda, o potencial de tarifas alterarem o comportamento do consumidor e inflacionarem os custos continua sendo uma grande preocupação.

“Nenhum de nós sabe exatamente onde as tarifas se estabilizarão ou quando”, disse ele, acrescentando que a vasta seleção de produtos da empresa pode ajudá-la a enfrentar a volatilidade melhor do que algumas concorrentes.

Olsavsky ecoou essa cautela, dizendo que a previsão da empresa para o segundo trimestre incluía uma faixa mais ampla do que o normal devido à incerteza relacionada às tarifas e a preocupações mais amplas sobre os gastos do consumidor.