Lucro da Vamos no primeiro trimestre cai 46% em meio a altas taxas, mas receita e aluguéis atingem novos recordes.

Lucro da Vamos no primeiro trimestre cai 46% em meio a altas taxas, mas receita e aluguéis atingem novos recordes.
Noris Soto
07 de mai. de 2025, 13:14 PM
  • O lucro líquido caiu 45,6% no primeiro trimestre, para R$ 107,8 milhões, devido ao aumento das taxas de juros que impactaram os custos financeiros.
  • A receita aumentou 24%, atingindo R$ 1,33 bilhão, impulsionada por vendas recordes de ativos e aumento da demanda por serviços de locação.
  • A ocupação atingiu 85%, impulsionada pela diversificação do setor e pela melhoria na gestão de estoque.

A Vamos, empresa brasileira de locação de caminhões e equipamentos, parte do Grupo Simpar, reportou um lucro líquido consolidado de R$ 107,8 milhões no primeiro trimestre de 2025 — uma queda acentuada de 45,6% em relação ao ano anterior — devido ao forte impacto do aumento das taxas de juros nas margens.

Apesar da queda nos lucros, a Vamos registrou fortes ganhos em receita e métricas operacionais, refletindo uma grande mudança de estratégia após a separação de sua divisão de concessionárias.

Em dezembro de 2024, a empresa desmembrou seu negócio de concessionárias em uma nova entidade listada, a Automob, simplificando as operações para se concentrar em locações.

A reestruturação apoia a estratégia da Vamos de maior agilidade e clareza, ao concentrar seu foco no segmento principal de locação.

Altas taxas de juros prejudicam a lucratividade.

A queda no lucro líquido foi atribuída principalmente a maiores despesas financeiras causadas por taxas de juros elevadas.

Embora o volume de negócios e a receita tenham aumentado, o ambiente macroeconômico continuou a pressionar o resultado final da empresa.

Ainda assim, a força operacional permaneceu evidente.

O EBITDA consolidado aumentou 10,1% ano a ano, atingindo R$ 886,7 milhões, enquanto a receita líquida saltou 24%, para R$ 1,33 bilhão.

O crescimento foi impulsionado pela forte demanda em todas as linhas de negócios e pelas vendas recordes de veículos usados.

O desempenho operacional aumenta a confiança.

Em entrevista à InfoMoney, o CEO Gustavo Couto descreveu o primeiro trimestre como um “trimestre recorde”, citando o forte desempenho da receita e as melhorias operacionais.

As vendas de veículos usados, normalmente lentas no primeiro trimestre devido a padrões sazonais, superaram as expectativas.

Os indicadores-chave também melhoraram, com as taxas de ocupação atingindo 85%, impulsionadas por uma maior diversificação entre setores.

Embora o agronegócio ainda represente cerca de 30% da demanda, a logística e outros setores estão desempenhando um papel crescente no portfólio.

A Vamos também reduziu os níveis de estoque e impulsionou as vendas de ativos usados, indicando melhor utilização de ativos e gestão da cadeia de suprimentos mais ágil.

Perspectivas da Vamos em meio à reestruturação

Apesar dos desafios econômicos contínuos, a Vamos manteve suas projeções para 2025 e seus objetivos estratégicos de longo prazo.

A empresa pretende reduzir a dívida líquida/EBITDA para 3,0x–3,2x, de 3,3x no final do 4º trimestre de 2024.

Espera-se que o EBITDA do ano inteiro atinja R$ 4 bilhões, com R$ 2 bilhões em investimentos de capital e um nível menor de investimentos líquidos.

O lucro líquido projetado fica entre R$ 450 milhões e R$ 550 milhões.

Sob seu programa Sempre Novo, a Vamos planeja arrendar R$ 1 bilhão em ativos e renovar R$ 700 milhões em contratos de veículos atualmente em uso.

De acordo com a InfoMoney, a cisão da Automob representa um ponto de virada estratégica, permitindo que a empresa se concentre na eficiência de estoque, na diversificação setorial e na lucratividade de longo prazo.

Embora as altas taxas de juros continuem a impactar os lucros, a Vamos está se posicionando para um crescimento sustentável por meio de disciplina operacional, otimização de ativos e uma direção estratégica clara.