Azul, do Brasil, registra forte prejuízo no 1º trimestre, apesar do crescimento da receita e do aumento do tráfego de passageiros

Azul, do Brasil, registra forte prejuízo no 1º trimestre, apesar do crescimento da receita e do aumento do tráfego de passageiros
Noris Soto
14 de mai. de 2025, 13:04 PM
  • O prejuízo líquido ajustado disparou 460%, atingindo R$ 1,816 bilhão (US$ 353 milhões) no primeiro trimestre de 2025, apesar do aumento na receita e no tráfego.
  • A receita operacional aumentou 15,3%, atingindo R$ 5,4 bilhões (US$ 1,049 bilhão), impulsionada pela forte demanda e pelo crescimento internacional.
  • A dívida líquida aumentou mais de 50% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 31,35 bilhões (US$ 6,085 bilhões).

A companhia aérea brasileira Azul registrou um prejuízo líquido ajustado de R$ 1,816 bilhão (aproximadamente US$ 353 milhões) no trimestre de março, marcando um aumento de 460,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o veículo de mídia local Info Money, a companhia aérea atribuiu o forte aumento nas perdas aos elevados custos operacionais e à desvalorização do real brasileiro, apesar da demanda e receita estáveis de passageiros.

Sem considerar as provisões, o lucro líquido atingiu R$ 783,1 milhões (aproximadamente US$ 152 milhões) no trimestre, em comparação com um prejuízo de R$ 1,118 bilhão (aproximadamente US$ 217 milhões) no mesmo período do ano passado.

No entanto, o número ajustado, que visa mostrar a saúde subjacente das operações da Azul, ilustra as dificuldades financeiras que a empresa enfrenta à medida que intensifica as suas operações.

A demanda de passageiros e a expansão internacional impulsionam a receita bruta.

No 1º trimestre de 2025, a receita operacional aumentou 15,3% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 5,4 bilhões.

O aumento foi impulsionado pela alta demanda de passageiros, pelas receitas acessórias substanciais e pela excelente execução das atividades de negócios da Azul que vão "além do metal", e que englobam operações de logística e programas de fidelidade.

O tráfego de passageiros, medido em passageiros-quilômetro pagos (RPK), aumentou 19,4% em relação ao ano anterior, superando o crescimento da capacidade e elevando a taxa de ocupação para 81,5%, um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação ao 1º trimestre de 2024.

A Azul transportou mais de 8 milhões de passageiros no trimestre, representando um crescimento de 9,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A medida convencional de capacidade, assentos-quilômetro disponíveis (ASK), aumentou 15,6% no geral, impulsionada por um aumento de 39,2% nas operações estrangeiras.

Apesar da expansão da capacidade, a receita unitária (RASK) permaneceu estável em 42,14 centavos (cerca de US$ 0,082), demonstrando a resiliência de preços da companhia aérea.

Pressões de custo corroem as margens em meio a ventos contrários cambiais e de combustível.

Embora as métricas de receita e tráfego tenham apresentado um crescimento robusto, as pressões de custo aumentaram. As despesas operacionais totalizaram R$ 4,8 bilhões (aproximadamente US$ 932 milhões) no 1º trimestre de 2025, um aumento de 24,4% em relação ao 1º trimestre de 2024.

O aumento foi devido principalmente à maior capacidade, à depreciação de 18,0% do real brasileiro em relação ao dólar americano e ao aumento de 3,0% nos preços dos combustíveis.

Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) aumentaram 29,4%, para R$ 1,385 bilhão (cerca de US$ 269 milhões), indicando maior receita e iniciativas de redução de custos.

No entanto, a margem EBITDA ajustada diminuiu para 25,7%, uma queda de 4,6 pontos percentuais em relação ao ano anterior, já que a inflação e as pressões de custos externos superaram os ganhos de eficiência.

A Azul afirmou que implementou melhorias de produtividade e medidas de redução de custos, mas estas não foram suficientes para mitigar adequadamente os problemas macroeconômicos.

A alavancagem aumenta à medida que a dívida líquida ultrapassa os 50%.

Também houve uma pressão extrema sobre a situação financeira da companhia aérea. A dívida líquida em 31 de março de 2025 totalizou R$ 31,350 bilhões (US$ 6,085 bilhões) (50,3% menor do que na mesma data em 2024).

Como resultado, a relação entre a dívida líquida e o EBITDA ajustado aumentou para 5,2 vezes.

A Azul continua a enfrentar dificuldades na gestão da estrutura de capital devido aos altos custos e à dinâmica cambial variável.

Os números do primeiro trimestre da Azul revelam um cenário complexo, com alto crescimento de receita e tráfego contrastando com perdas financeiras e dívidas significativas.