Ações da Eletrobras caem 4% devido aos resultados decepcionantes do 1º trimestre, apesar do progresso estratégico.

Ações da Eletrobras caem 4% devido aos resultados decepcionantes do 1º trimestre, apesar do progresso estratégico.
Noris Soto
15 de mai. de 2025, 12:34 PM
  • A Eletrobras reportou um prejuízo líquido de R$ 354 milhões no primeiro trimestre de 2025, revertendo o lucro obtido no mesmo período do ano anterior.
  • O EBITDA ajustado ficou 8% abaixo das expectativas, principalmente devido aos custos mais elevados no mercado de energia spot.
  • Apesar dos resultados fracos, os analistas mantêm uma recomendação de compra, citando melhorias estruturais e progresso nas vendas de ativos.

As ações da Eletrobras, empresa estatal de energia do Brasil, caíram significativamente na quinta-feira, depois que a empresa divulgou resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025 piores do que o esperado.

As ações caíram 4,49%, para R$ 41,24, enquanto a ELET6 caiu 4,16%, para R$ 45,65.

A reação negativa surgiu após um prejuízo líquido surpreendente de R$ 354 milhões no primeiro trimestre, em comparação com um lucro de R$ 331 milhões no mesmo período do ano anterior.

De acordo com o veículo de mídia local InfoMoney, a perda foi causada principalmente por um aumento inesperado na exposição ao submercado de energia spot.

A empresa reportou um EBITDA de R$ 5,49 bilhões, uma queda de 3,7% em relação ao ano anterior. O EBITDA ajustado também caiu 4,1%, para R$ 5,38 bilhões.

A Eletrobras apontou a diminuição da receita de transmissão e o aumento dos custos de compra de energia como as principais causas da queda, que superaram os ganhos da geração de energia, a redução de despesas e os melhores resultados patrimoniais.

Principais observações dos analistas sobre a perda.

De acordo com o Infomoney, a XP Investimentos expressou preocupação com o EBITDA ajustado, que ficou aquém das projeções, citando as margens brutas apertadas como o principal motivo.

A Genial Investimentos atribuiu a divergência das previsões à estratégia de vendas mais agressiva da Eletrobras, na qual a empresa vendeu mais energia do que conseguia gerar, resultando em uma posição vendida (posição short).

Isso obrigou a Eletrobras a cumprir suas obrigações contratuais, comprando eletricidade a custos mais elevados no mercado spot.

Por outro lado, o Bradesco BBI acredita que o debate sobre a Eletrobras se deslocará cada vez mais da exposição ao mercado spot para questões mais amplas sobre as trajetórias de preços de eletricidade a longo prazo e a capacidade da empresa de desbloquear valor de seu portfólio de geração, especialmente dadas as restrições de infraestrutura regional até 2028/2029.

A perspectiva a longo prazo permanece positiva.

Apesar do revés trimestral, especialistas têm um prognóstico cautelosamente otimista a longo prazo. Bradesco BBI e Genial Investimentos mantiveram suas recomendações de "compra", destacando melhorias estruturais e potencial de alta.

Uma transação notável foi a venda de diversas propriedades termelétricas para a empresa J&F por R$ 2,9 bilhões. A aprovação regulatória para a transação da usina de Santa Cruz ainda está pendente.

A XP também notou uma queda nas exposições do balanço energético da Eletrobras e uma diminuição positiva nos compromissos de empréstimos compulsórios durante o trimestre.

Esses fatores, embora ofuscados pelo desempenho operacional, demonstram um progresso contínuo na eficiência operacional e na reestruturação de capital.

Além disso, a recente resolução de uma questão constitucional sobre os direitos de voto corporativo, que pôs fim às tensões entre a Eletrobras e o governo federal, marca o início de uma nova era para a empresa.

A Genial considera esse desenvolvimento fundamental para alcançar flexibilidade de governança e clareza estratégica.

Em conclusão, embora os resultados do primeiro trimestre da Eletrobras tenham gerado preocupações sobre a estabilidade dos lucros a curto prazo, investidores e analistas parecem estar focados na reforma estrutural mais ampla da empresa e em seu potencial de longo prazo no mercado de energia em transformação do Brasil.