Goldman Sachs reduz previsão para o petróleo em meio a expectativas de aumento da oferta iraniana.

Goldman Sachs reduz previsão para o petróleo em meio a expectativas de aumento da oferta iraniana.
Vatsala Gaur
19 de mai. de 2025, 05:17 AM
  • O Goldman Sachs mantém as previsões de preços do petróleo abaixo dos preços futuros atuais, apesar das projeções mais fortes do PIB.
  • Aumento da oferta iraniana se aproxima em meio a especulações sobre acordo nuclear entre EUA e Irã.
  • A preferência implícita de Trump em relação ao preço do petróleo gira em torno de US$ 40 a US$ 50 para o WTI, influenciando a política energética dos EUA.

O Goldman Sachs declarou neste domingo que mantém uma postura cautelosa em relação aos preços do petróleo, mantendo suas previsões abaixo dos preços futuros atuais, apesar dos sinais de um crescimento econômico global mais forte.

O banco de investimento citou o provável aumento no fornecimento de petróleo bruto iraniano e um aumento nos estoques comerciais da OCDE como fatores que poderiam contrabalançar o efeito positivo de um PIB mais alto.

O banco manteve suas projeções de preços do petróleo Brent e West Texas Intermediate (WTI) inalteradas em US$ 60 e US$ 56 por barril, respectivamente, para o restante de 2025.

Para 2026, a previsão cai ainda mais para US$ 56 para o Brent e US$ 52 para o WTI, representando um desconto de US$ 8 em relação aos preços futuros atuais.

Possível acordo nuclear entre EUA e Irã aumenta expectativas de oferta de petróleo iraniano.

O Goldman Sachs revisou sua estimativa de oferta de petróleo bruto iraniano para 3,6 milhões de barris por dia para o segundo semestre de 2025 até 2026.

O ajuste para cima ocorre após reportagens da mídia sobre o progresso em um possível acordo nuclear entre os EUA e o Irã.

O presidente Donald Trump declarou na semana passada que os dois países estão "muito próximos" de chegar a um acordo.

Caso um acordo se concretize e seja implementado de forma sustentável, o banco espera que o fornecimento de petróleo bruto iraniano possa aumentar ainda mais em várias centenas de milhares de barris por dia, exercendo pressão adicional sobre os preços do petróleo.

O crescimento do PIB impulsiona previsão de maior demanda, mas não o suficiente para elevar os preços.

Apesar dos fatores de oferta que indicam tendência de baixa, o Goldman Sachs elevou sua previsão de crescimento da demanda global de petróleo devido à redução das tarifas e à melhora da atividade econômica.

O banco projeta agora um crescimento da demanda do quarto trimestre para o quarto trimestre de 0,6 milhão de barris por dia em 2025 e 0,4 milhão em 2026 — um aumento de 0,3 e 0,1 mb/d, respectivamente, em relação às estimativas anteriores.

Ainda assim, essa revisão para cima não é suficiente para compensar as preocupações com a superoferta, especialmente com os altos níveis de estoque e a incerteza sobre a estratégia de produção da OPEP.

Em um cenário mais severo, que envolva tanto uma desaceleração do PIB global quanto a revogação total dos cortes de produção da OPEP, a Goldman prevê que o preço do Brent possa cair para US$ 40 até o final de 2026.

Preço preferencial de Trump para o WTI

Na semana passada, analistas da Goldman também observaram os comentários contínuos do Presidente Trump sobre os preços do petróleo nas redes sociais.

A análise interna deles encontrou quase 900 postagens, refletindo uma clara preferência por manter o WTI entre US$ 40 e US$ 50 por barril.

Trump geralmente tem pedido preços mais baixos quando o petróleo sobe acima de US$ 50 e preços mais altos quando cai abaixo de US$ 30, alinhando-se com seu objetivo declarado de manter a dominação energética dos EUA e conter a inflação.

Preços de mercado e implicações energéticas mais amplas

No início da segunda-feira, os contratos futuros do petróleo Brent estavam sendo negociados a US$ 65,24 por barril, enquanto o WTI estava a US$ 62,38.

As mudanças geopolíticas em curso e a dinâmica de demanda em constante alteração continuam a alimentar a volatilidade nos mercados globais de petróleo.

Esses desenvolvimentos podem influenciar as estratégias energéticas de nações e corporações, com potenciais ramificações para as economias tradicionais do petróleo e uma possível aceleração na transição para fontes de energia alternativas.