A Gol, do Brasil, sobe 35% com plano de recuperação, enquanto a Azul cai 5% com temores de falência (Capítulo 11).

A Gol, do Brasil, sobe 35% com plano de recuperação, enquanto a Azul cai 5% com temores de falência (Capítulo 11).
Noris Soto
22 de mai. de 2025, 14:16 PM
  • As ações da Gol subiram 35% depois que um tribunal dos EUA aprovou sua reestruturação e US$ 900 milhões em liquidez esperada.
  • As ações da Azul caíram 5% em meio a uma nova rebaixação de crédito e à crescente especulação de um pedido de falência (Capítulo 11).
  • A Gol planeja uma captação de capital de até R$ 19,25 bilhões para apoiar sua recuperação pós-falência e reduzir a alavancagem.

Em uma sessão de negociação turbulenta na quarta-feira, as ações das duas maiores companhias aéreas de capital aberto do Brasil subiram em direções opostas devido a notícias conflitantes.

A Gol Linhas Aéreas (GOLL4) subiu 35,29%, para R$ 1,38, impulsionada pelo otimismo dos investidores após um juiz dos EUA aceitar seu plano de reestruturação, um passo crucial para sair da proteção de falência do Capítulo 11.

Enquanto isso, a Azul (AZUL4) caiu 5,56%, para R$ 1,02, pressionada por especulações de mercado sobre um iminente pedido de falência (Capítulo 11) e uma nova rebaixação de crédito pela S&P Global Ratings.

Gol ganha altitude com aprovação da justiça

De acordo com o veículo de comunicação local InfoMoney, a alta das ações da Gol ocorre após a aprovação do plano de reestruturação da companhia aérea por um tribunal de falências dos EUA na terça-feira.

A empresa espera agora sair do processo do Capítulo 11 nos próximos meses com uma liquidez de aproximadamente US$ 900 milhões.

Uma injeção significativa de capital faz parte do plano de reestruturação.

O conselho da Gol aprovou anteriormente um aumento de capital de R$ 5,34 bilhões para R$ 19,25 bilhões, tornando-o um dos maiores já divulgados por uma empresa brasileira.

Embora a tentativa ainda precise da aprovação dos acionistas, essa medida tem como foco reequilibrar o balanço patrimonial e permitir que a empresa opere de forma estável a longo prazo.

Analistas da BTG Pactual observaram que a aprovação do tribunal reduz a incerteza financeira e amplia as opções estratégicas da Gol.

Embora a captação de capital implique uma potencial diluição para os acionistas existentes, a perspectiva de longo prazo parece ter se fortalecido, com os investidores provavelmente se concentrando novamente na capacidade da companhia aérea de reconstruir operações consistentes e melhorar o fluxo de caixa.

Azul se enfraquece sob pressão de liquidez.

Enquanto isso, as ações da Azul sofreram, caindo à medida que os temores dos investidores aumentaram.

A S&P rebaixou a classificação de crédito da Azul de "CCC+" para "CCC-" na terça-feira, apontando para um maior risco de inadimplência.

A agência também apontou pressões sobre a liquidez e a possibilidade de não cumprir compromissos financeiros em curto prazo como a razão para a rebaixação.

Embora os vencimentos da dívida da Azul sejam moderados nos próximos 12 meses, totalizando R$ 730 milhões, a companhia aérea está sob pressão devido aos compromissos de arrendamento operacional, despesas com juros e despesas de capital planejadas.

Ao final do primeiro trimestre, a empresa registrou um preocupante prejuízo líquido ajustado de R$ 1,82 bilhão, R$ 5 vezes maior do que no mesmo período do ano anterior.

A alavancagem financeira da Azul também havia aumentado para 5,2 vezes o EBITDA até o final de março, ante 3,7 vezes no ano anterior.

Embora a companhia aérea ainda não tenha pedido recuperação judicial, ela é a única grande empresa do mercado brasileiro que não utilizou o mecanismo de reestruturação. No entanto, esse status pode mudar em breve.

A especulação sobre falência intensifica-se.

Azul estaria avaliando a proteção do Capítulo 11 como uma possibilidade.

Fontes citadas pela Broadcast e, posteriormente, pela Bloomberg, afirmam que credores estão em negociações para fornecer à companhia aérea até US$ 600 milhões em financiamento para ajudá-la a passar por um pedido de falência.

O pedido de registro pode ser apresentado já na próxima semana, disse a Bloomberg.

Um pedido de falência de acordo com o Capítulo 11 representaria uma mudança radical para a Azul e poderia alterar fundamentalmente o cenário da aviação no Brasil.

A crescente especulação destaca a pressão financeira que a Azul está enfrentando e marca uma tempestade iminente.