Morgan Stanley rebaixa a classificação da CSN Mineração, do Brasil, devido a riscos de execução.

Morgan Stanley rebaixa a classificação da CSN Mineração, do Brasil, devido a riscos de execução.
Noris Soto
27 de mai. de 2025, 12:22 PM
  • O Morgan Stanley rebaixou a CMIN3 para abaixo do peso ideal, citando o aumento dos riscos no projeto Itabirito P15, que está atrasado.
  • Os contratos de pagamento antecipado continuam a pressionar o fluxo de caixa livre e a limitar a flexibilidade financeira até 2027.
  • Previsões indicam que os preços do minério de ferro devem cair para US$ 100/t em 2025 devido ao excesso de oferta global e à demanda mais fraca.

O Morgan Stanley rebaixou a classificação da CSN Mineração (CMIN3), a segunda maior mineradora de minério de ferro do Brasil, de "peso equivalente" para "peso inferior".

De acordo com a mídia local InfoMoney, a ação foi rebaixada e o preço-alvo foi reduzido de R$6,20 para R$5,30, com base em preocupações sobre a execução da estratégia de expansão da empresa e um desequilíbrio negativo entre oferta e demanda de minério de ferro.

Às 10h51, horário local do Brasil, as ações do grupo de mineração caíram 3,80%, para R$ 5,31.

Uma das principais questões apontadas pelo Morgan Stanley é o elevado risco de execução associado ao principal projeto de expansão da empresa, a mina Itabirito P15.

A mina deveria estar em operação em 2023, mas o início das atividades foi adiado pela quarta vez, sendo que a comissionamento está agora previsto para o trimestre de dezembro de 2027.

O projeto tem como objetivo produzir anualmente 16,5 milhões de toneladas de minério de ferro com 67% de teor de ferro, com baixas impurezas e alta qualidade.

Os múltiplos adiamentos levantaram dúvidas sobre a capacidade da empresa de entregar o projeto dentro do prazo e do custo previstos, o que poderia ter um impacto fundamental nos lucros da CSN Mineração.

Contratos de pagamento antecipado exercem pressão sobre o fluxo de caixa livre.

A análise da Morgan Stanley também identifica limitações de liquidez causadas por acordos de pagamento antecipado.

A empresa tem sete contratos em vigor, totalizando aproximadamente 55,1 milhões de toneladas a serem entregues até o quarto trimestre de 2029, em troca de US$ 2,4 bilhões em pagamento antecipado.

Embora esses contratos proporcionem liquidez rápida, a CSN Mineração é onerada com compromissos de reembolso que exigem capital de giro, limitando sua flexibilidade financeira.

O reembolso dessas passivos ao longo do tempo reduz a conversão do EBITDA da empresa em fluxo de caixa livre.

Como resultado, o Morgan Stanley prevê um fluxo de caixa livre médio negativo de 9% entre 2025 e 2027, desde que nenhum novo contrato de pagamento antecipado seja assinado.

Embora tais acordos possam ajudar com a liquidez de curto prazo, o banco alerta que eles comprometem a sustentabilidade financeira de longo prazo da empresa.

Perspectivas de lucros revisadas para baixo.

As novas estimativas do Morgan Stanley apontam para um EBITDA de R$ 1,63 bilhão para o segundo trimestre de 2025, 3,8% abaixo da previsão anterior.

As estimativas de EBITDA para o ano inteiro também foram reduzidas para R$ 6,41 bilhões para 2025 (-9,0%), R$ 7,00 bilhões para 2026 (-15,5%), R$ 6,86 bilhões para 2027 (-16,3%) e R$ 12,10 bilhões para 2028 (-13,3%).

Da mesma forma, as estimativas de lucro por ação (EPS) foram reduzidas.

O lucro por ação (EPS) normalizado estimado para o 2º trimestre de 2025 é de R$ 0,10, seguido por R$ 0,24 em 2025, R$ 0,31 em 2026, R$ 0,26 em 2027 e R$ 0,70 em 2028.

No entanto, essas previsões ainda são mais altas do que o consenso do mercado, o que significa que a empresa parece cara aos preços de mercado atuais.

Atualmente, a CSN Mineração está precificada em 4,7 vezes sua previsão de EV/EBITDA para 2025, aproximadamente 15% acima de sua média histórica, apesar de suas perspectivas de fluxo de caixa livre desfavoráveis.

Previsões apontam para queda nos preços do minério de ferro devido ao excesso de oferta.

As perspectivas da empresa são ainda mais complicadas devido a uma situação menos favorável do minério de ferro.

A equipe de commodities do Morgan Stanley espera que o preço médio do minério de ferro caia para US$ 100 por tonelada em 2025 e US$ 95 por tonelada em 2026, em comparação com US$ 110 por tonelada em 2024.

O preço spot atual já está em 100 dólares por tonelada.

A redução de preço se deve a um excesso previsto no mercado de minério de ferro transportado por via marítima, que deverá atingir 62 milhões de toneladas em 2025 e continuar a expandir-se até 2029.

Isso ocorre após um modesto déficit de 2 milhões de toneladas em 2024. O excedente previsto é causado tanto pela diminuição da demanda, principalmente da China, quanto pelo aumento da produção, incluindo os 20 milhões de toneladas planejados da mina de Simandou, na Guiné, a partir de 2026.

A CSN Mineração enfrenta desafios devido a atrasos na execução, restrições financeiras decorrentes de contratos de pagamento antecipado e uma previsão pessimista para o minério de ferro.