Maior empresa financeira do Peru abre processo contra autoridade fiscal

Maior empresa financeira do Peru abre processo contra autoridade fiscal
Noris Soto
30 de jun. de 2025, 11:50 AM
  • A Credicorp está processando a SUNAT por reabrir um caso tributário já resolvido por seu Comitê de Revisão.
  • As vendas de ações de 2018-2019 foram isentas de impostos por regulamentos anteriores e aprovadas por todos os reguladores relevantes.
  • A SUNAT agora reivindica mais de 1,5 bilhão de soles, levantando preocupações sobre a segurança jurídica no Peru.

A Credicorp Ltd., a maior holding de serviços financeiros do Peru, entrou com uma ação contra a Administração Tributária do Peru (SUNAT).

A empresa alega que a instituição está ignorando opiniões legais vinculantes do país e, portanto, prejudicando o princípio da segurança jurídica para empresas que têm atividade econômica no território nacional.

A disputa se concentra em transações de ações em 2018 e 2019, nas quais a subsidiária da Credicorp, Grupo Crédito S.A., comprou ações do Banco de Crédito del Perú (BCP) da Credicorp Ltd.

As transações foram executadas por meio da Bolsa de Valores de Lima e cumpriram as leis e regulamentos locais então em vigor.

As transações isentas de impostos estão agora sob escrutínio

De acordo com a Credicorp, as transações estavam cobertas por uma clara isenção legal em vigor na época: os ganhos de capital com a venda de ações listadas estavam isentos de imposto de renda se as ações transferidas não excedessem 10% das ações em circulação da empresa emissora em 12 meses.

A empresa confirma que as transferências atingiram esse nível.

As transações foram comunicadas ao regulador do mercado de valores mobiliários do Peru, a Superintendencia del Mercado de Valores (SMV), aprovadas pela Superintendencia de Banca, Seguros y AFP (SBS) e registradas no Registro Central de Valores (CAVALI).

Apesar disso, a SUNAT está reivindicando mais de 1,5 bilhão de soles em imposto de renda não pago e juros sobre as mesmas transações.

A decisão anterior do Comitê SUNAT

A Credicorp sublinha que as transações foram previamente investigadas pelo próprio Comité de Revisão da SUNAT, que confirmou a sua legitimidade e decidiu que não havia fundamento para acusações de evasão fiscal.

As decisões do Comitê são vinculativas de acordo com a lei peruana. No entanto, as autoridades fiscais reviveram a questão, fazendo com que a Credicorp buscasse uma ação legal em resposta ao que caracteriza como uma violação do devido processo legal e dos princípios tributários aceitos.

A corporação alega que a medida mina a confiança dos investidores ao quebrar o princípio da previsibilidade nos processos tributários.

"A reabertura de um caso já resolvido pelo órgão interno competente da SUNAT desafia a própria estrutura legal da qual as empresas dependem para operar em conformidade", disse a empresa em comunicado.

Sem impacto nas demonstrações financeiras

A Credicorp afirmou que, de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade, nenhuma provisão de despesas é necessária para o assunto reaberto.

A empresa está atualmente revisando o desenvolvimento e responderá pelos canais legais e administrativos adequados.

O Grupo Crédito S.A., entidade diretamente envolvida nas operações, reiterou seu compromisso com a conformidade tributária e regulatória.

Também ressaltou seu compromisso contínuo com a proteção dos interesses de funcionários, clientes e investidores.

Principal player regional em serviços financeiros

A Credicorp é a holding líder em serviços financeiros no Peru e tem operações no Chile, Colômbia, Bolívia e Panamá.

Seus negócios são bem diversificados em quatro linhas principais de negócios: Universal Banking, representado pelo BCP e Banco de Crédito da Bolívia; Microfinanças, por meio do Mibanco no Peru e na Colômbia; Seguros e Fundos de Pensão, por meio do Grupo Pacífico e Prima AFP; e Gestão e Consultoria de Investimentos por meio da Credicorp Capital, BCP Wealth Management e ASB Bank Corp.

À medida que a disputa muda para os tribunais, ela pode ter implicações mais amplas para o tratamento tributário corporativo e a confiança dos investidores no sistema regulatório do Peru.