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Morningstar eleva meta da Netflix, mas alerta que ações continuam supervalorizadas

Morningstar eleva meta da Netflix, mas alerta que ações continuam supervalorizadas
Vatsala Gaur
30 de jun. de 2025, 05:31 AM
  • O analista da Morningstar eleva o Netflix PT para US$ 750, 43% abaixo dos níveis atuais, pois diz que as ações ainda estão supervalorizadas.
  • O analista Matthew Dolgin diz que o objetivo da empresa de atingir US$ 1 trilhão por m-cap não deve ser tratado como previsão de cenário-base.
  • Apesar do ceticismo, analistas como Pivotal e Wells Fargo aumentaram suas metas de preço para até US$ 1.600

As ações da Netflix subiram mais de 47% em 2025, superando o mercado mais amplo e deixando as ações de entretenimento rivais para trás.

No entanto, o analista da Morningstar, Matthew Dolgin, continua sendo um dos poucos céticos em Wall Street, alertando que as ações ainda estão significativamente supervalorizadas.

Em uma nota publicada na quinta-feira, Dolgin elevou sua estimativa de valor justo na Netflix de US$ 720 para US$ 750.

Mas com as ações atualmente sendo negociadas pouco menos de US$ 1.307, sua meta revisada ainda implica uma queda acentuada de 43%.

Embora a mudança sugira uma postura um pouco mais construtiva, Dolgin enfatizou que as ambições de crescimento da Netflix permanecem muito agressivas para justificar seu preço atual.

Sonhos de trilhões de dólares enfrentam ceticismo

Em uma reunião interna no início deste ano, os executivos da Netflix apresentaram planos para dobrar a receita de US$ 39 bilhões para quase US$ 80 bilhões até 2030 e gerar US$ 9 bilhões em vendas globais de anúncios, segundo relatos.

A empresa também tem como objetivo uma avaliação de mercado de US$ 1 trilhão até o final da década.

Dolgin, no entanto, argumentou que tais metas não deveriam ser tratadas como uma previsão de cenário-base.

"Essas metas serão muito difíceis de alcançar e não devem constituir uma previsão de caso base", escreveu ele, acrescentando que a repressão ao compartilhamento de senhas da empresa não é mais um impulsionador significativo do crescimento.

Ele também questionou a sustentabilidade dos aumentos de preços nos mercados doméstico e externo.

Mesmo que a Netflix atinja suas metas financeiras para 2030, Dolgin estima que as ações seriam avaliadas em US$ 1.225 - o que equivale a uma capitalização de mercado de cerca de US$ 521 bilhões, bem abaixo do marco de US$ 1 trilhão que a empresa espera alcançar.

O caso de touro para a Netflix

Apesar das preocupações de Dolgin, o sentimento de Wall Street na Netflix continua otimista.

Analistas da Wells Fargo e da Pivotal Research aumentaram suas metas de preço para US$ 1.500 e US$ 1.600, respectivamente.

O analista do Pivotal Research Group, Jeffrey Wlodarczak, reafirmou sua posição otimista sobre as ações na semana passada, elevando seu preço-alvo de US$ 1.350 para US$ 1.600.

Ele citou a crescente confiança na liderança da Netflix no mercado de streaming por assinatura.

"Nossa visão positiva de investimento na Netflix permanece inalterada", disse ele em nota a clientes.

"A Netflix permanece subpenetrada globalmente, oferece um valor de preço para entretenimento extremamente atraente (que está melhorando continuamente) impulsionado por sua oferta suportada por anúncios."

Ele espera fortes adições de assinantes e aumento da receita por usuário, impulsionados por aumentos estratégicos de preços e impulso contínuo no segmento de publicidade da empresa.

Anders Bylund, do The Motley Fool, argumenta que, embora a Netflix possa parecer cara à primeira vista - com múltiplos de avaliação de 60 vezes os lucros e 13,6 vezes as vendas - a empresa está entregando onde mais importa: o resultado final.

Ele ressalta que os ganhos dos últimos doze meses da Netflix quase dobraram nos últimos três anos, enquanto o fluxo de caixa livre subiu de níveis de equilíbrio para US$ 7,4 bilhões.

A Netflix retornou 175% nos últimos cinco anos, superando em muito o ganho de 97,4% do S&P 500.

Grande parte desse crescimento é apoiado pela expansão constante do usuário. As assinaturas pagas de streaming global da empresa cresceram 13,5% ao ano nos últimos dois anos, atingindo 305,6 milhões de assinantes no trimestre mais recente.