A Petrobras pode manter os dividendos fluindo à medida que o petróleo cai?

A Petrobras pode manter os dividendos fluindo à medida que o petróleo cai?
Noris Soto
23 de jul. de 2025, 12:07 PM
  • A XP prevê EBITDA de US$ 10,5 bilhões no 2º trimestre, estável, apesar da queda de 12% do Brent.
  • Lucro líquido esperado em US$ 4,8 bilhões, com ganhos cambiais e capex estável.
  • A Petrobras pode pagar US$ 2,2 bilhões em dividendos, rendendo cerca de 3,0%.

Petrobras (PETR3; PETR4) planeja anunciar seu relatório de produção e vendas em 29 de julho, seguido de resultados financeiros em 7 de agosto.

De acordo com a XP Investimentos, a petrolífera estatal brasileira deve registrar lucros operacionais consistentes no segundo trimestre, apesar de uma queda considerável nos preços mundiais do petróleo.

Lucros resilientes, já que os spreads de crack compensam a fraqueza do Brent

O EBITDA da Petrobras é projetado em cerca de US$ 10,5 bilhões pelos analistas da XP Regis Cardoso e João Rodrigues, apenas 1% abaixo do último trimestre.

A força se deve aos spreads positivos de crack doméstico e a um pequeno aumento na produção que deve compensar os preços mais baixos do Brent.

O petróleo Brent teve uma média de US$ 67 por barril no 2T25, uma queda de 12% em relação aos US$ 76 do 1T25.

Essa queda veio na esteira das tarifas de importação dos EUA, amplamente conhecidas como "Dia da Libertação", após a importação em 2 de abril.

Os preços domésticos da gasolina e do diesel da Petrobras não caíram junto com o benchmark global, resultando em aumento dos spreads de crack em termos locais.

"O petróleo Brent foi menor durante o período, mas os spreads de crack e a produção mais altos mostram compensação", disseram Cardoso e Rodrigues.

A produção média diária da Petrobras deve aumentar para 2,3 milhões de barris por dia (MMbpd) no 2T25, acima dos 2,2 MMbpd no 1T.

A normalização cambial leva a uma diminuição no lucro líquido

A XP espera que o lucro líquido seja de US$ 4,8 bilhões, uma queda de 20% em relação ao trimestre anterior.

O declínio se deve principalmente à redução dos ganhos cambiais em comparação com o período anterior, enquanto os analistas preveem que o câmbio continuará a contribuir positivamente.

Espera-se que os níveis de despesas de capital (capex) permaneçam praticamente inalterados, resultando em um fluxo de caixa livre para patrimônio líquido (FCFE) de US$ 2,6 bilhões, ou rendimento de 3,5%.

De acordo com a atual política de dividendos da Petrobras, os dividendos ordinários são estimados em cerca de US$ 2,2 bilhões, representando um rendimento de 3,0% em relação ao preço das ações.

O modelo da XP sugere uma faixa de EBITDA mais ampla

Para explicar as mudanças marginais, o XP utilizou um modelo diferencial que ajustou os resultados anteriores. Isso resultou em uma faixa de EBITDA de US$ 9,3 bilhões a US$ 11,6 bilhões, com uma média de US$ 10,5 bilhões.

Apesar da volatilidade de curto prazo, a XP manteve uma classificação de "compra" para as ações da Petrobras, com metas de R$ 46 para PETR3 e PETR4.

Ventos contrários em todo o setor com pontos brilhantes selecionados

Em outros lugares, os resultados mais amplos do setor de petróleo e gás do Brasil são vistos como mais propensos a refletir os efeitos da queda global do preço do petróleo.

A queda de 12% do Brent em dólares e de 13% em reais deve impactar negativamente os players de exploração e produção (E&P), com exceção da Brava (BRAV3), que aumentou a produção após o início do FPSO Atlanta, disse o Santander.

As perdas de estoque decorrentes dos cortes da Petrobras no 2T25 também estão pressionando os players da distribuição de combustíveis.

O Santander, no entanto, também prevê uma compensação parcial de carbono pela consolidação da Comerc na Vibra e da Hidrovias (HBSA3) na Ultrapar (UGPA3), e uma grande liberação de capital de giro devido à queda nos preços dos combustíveis.

"Em nossa visão, a Brava deve ser o destaque do setor no 2T25, dado o desempenho operacional e financeiro positivo desde o início do trimestre", disse o credor.

A Braskem (BRKM5), por outro lado, deve ter um desempenho inferior, com resultados mais fracos do que o esperado decepcionando alguns investidores.

Enquanto a Petrobras se prepara para divulgar seus resultados do segundo trimestre, as expectativas são de um desempenho relativamente consistente, auxiliado pelo aumento dos lucros domésticos e pela produção constante.

Embora os lucros possam refletir ventos contrários macroeconômicos, como queda nos preços do petróleo e ganhos cambiais moderados, espera-se que o sólido fluxo de caixa e dividendos mantenham os acionistas engajados.

Investidores e analistas estarão observando de perto em 7 de agosto para ver se os dados correspondem às suas expectativas.