WEG fica abaixo das previsões apesar de aumento de lucro e enfrenta incerteza tarifária nos EUA

WEG fica abaixo das previsões apesar de aumento de lucro e enfrenta incerteza tarifária nos EUA
Noris Soto
23 de jul. de 2025, 11:12 AM
  • WEG registra aumento de 10,4% no lucro do 2º tri, para R$ 1,59 bilhão, abaixo das estimativas dos analistas.
  • A receita e o EBITDA ficam abaixo das previsões do mercado, apesar do crescimento ano a ano.
  • Empresa alerta para volatilidade global; permanece em silêncio sobre a ameaça tarifária dos EUA.

A fabricante brasileira de motores WEG (WEGE3. SA) divulgou na quarta-feira um aumento de 10,4% no lucro líquido do segundo trimestre, para 1,59 bilhão de reais (US $ 285,8 milhões).

Os resultados mostram crescimento em base anual, mas o total ficou abaixo da estimativa de 1,76 bilhão de reais dos analistas em uma pesquisa recente da LSEG.

O relatório de lucros fica aquém das expectativas e destaca os crescentes ventos contrários para o enorme player industrial global, que havia sido identificado como um dos mais expostos à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na sexta-feira, a partir de 1º de agosto.

Receitas e ganhos principais ficaram abaixo das projeções

A receita líquida do trimestre totalizou 10,2 bilhões de reais, um aumento de 10,1% em relação ao ano anterior. Os analistas esperavam um valor maior, de 11,16 bilhões de reais.

O lucro principal, definido pelo Ebitda, aumentou 6,5%, para 2,26 bilhões de reais, ficando aquém das expectativas do mercado de 2,49 bilhões de reais.

Apesar dos aumentos nas principais medidas, os dados mostram uma disparidade crescente entre as expectativas do mercado e o desempenho real.

A WEG atribuiu o crescimento ano a ano aos sólidos resultados em seus negócios de ciclo longo, particularmente nos segmentos de infraestrutura de transmissão e distribuição que incluem equipamentos usados em projetos de energia de grande porte.

A WEG (WEGE3) aprovou a distribuição de dividendos intermediários no valor de R$ 719,35 milhões, informou a companhia nesta terça-feira.

O pagamento equivale a R$ 0,1714503823 por ação.

Os acionistas que possuem ações em 25 de julho de 2025 são elegíveis para os ativos. A partir de 28 de julho de 2025, as ações serão negociadas "ex-dividendo".

De acordo com o meio de comunicação local InfoMoney, o dividendo intermediário e os juros sobre capital próprio (JCP) emitidos entre março e junho de 2025 serão pagos em 13 de agosto de 2025.

Lucratividade cai em meio à volatilidade global

Embora a administração tenha enfatizado que a WEG alcançou crescimento e lucratividade em um ambiente global turbulento, a empresa alcançou uma margem EBITDA de 22,1%, o que representa uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao ano anterior.

A administração da WEG citou um "cenário político e econômico global caracterizado por incerteza e alta volatilidade" em um comunicado, mas expressou satisfação com o desempenho da empresa, apesar das contínuas pressões sobre os mercados.

Embora a empresa tenha se abstido de abordar diretamente as possíveis tarifas dos EUA, ela destacou a necessidade de ter "espaço de manobra" na frente financeira para gerenciar melhor os riscos.

Posicionamento estratégico à medida que as tarifas se aproximam

Embora a tarifa potencial de 50% imposta pelo governo dos EUA não tenha sido especificamente abordada na declaração de resultados, a WEG expressou confiança em sua estratégia de negócios de longo prazo.

A empresa citou sua presença de produção mundial, variedade de produtos e presença multissetorial como fatores-chave que podem ajudá-la a resistir a choques externos.

A empresa afirmou.

A WEG possui plantas de produção em mais de uma dezena de países, incluindo Estados Unidos e México.

Essa base mundial pode fornecer alguma proteção contra as crescentes tensões comerciais, mas os analistas continuam a enfatizar a sensibilidade da empresa em mudar a política comercial dos EUA como um fator-chave de risco no futuro.

Olhando para o futuro

À medida que a WEG entra em seu segundo semestre este ano, todos os olhos do mercado devem se concentrar em duas áreas: a capacidade da empresa de manter o crescimento às custas de uma lucratividade menor do que o previsto; e os efeitos evolutivos das medidas comerciais dos EUA.

Dada a crescente incerteza geopolítica aliada à volatilidade global, a resiliência da WEG será desafiada não apenas por fatores macroeconômicos, mas também por sua capacidade de responder às mudanças na dinâmica global sem sucumbir à pressão externa.