Peso chileno cai apesar de superávit; moedas da América Latina sentem o dólar

Peso chileno cai apesar de superávit; moedas da América Latina sentem o dólar
Harsh Vardhan
07 de abr. de 2026, 13:05 PM
  • Peso chileno cai apesar de superávit de março acima das previsões.
  • Peso mexicano atinge nova mínima enquanto risco no Oriente Médio impulsiona demanda por dólar.
  • Real e peso argentino recuam; ações na América Latina estendem perdas.

As moedas e ações da América Latina recuaram à medida que a escalada do conflito no Oriente Médio e um dólar mais forte afastaram investidores de ativos de risco, com o peso chileno entre os mais afetados apesar de dados mostrarem um superávit comercial maior que o esperado.

Um índice MSCI que acompanha ações listadas publicamente na região caiu 0,57%, a caminho de uma terceira sessão consecutiva de queda.

As ações de empresas listadas localmente também fecharam em baixa de forma generalizada.

Superávit comercial do Chile não sustenta o peso

O Chile registrou um superávit comercial de US$ 3,06 bilhões em março, acima da expectativa dos analistas de US$ 2,65 bilhões, à medida que as exportações de commodities, incluindo cobre, superaram as importações de bens industriais.

No entanto, os dados melhores que o esperado pouco sustentaram o peso, já que a aversão a risco ligada ao conflito no Oriente Médio e a força do dólar sobrepuseram qualquer sinal doméstico positivo.

O movimento reflete mais do que um episódio padrão de aversão a risco, segundo Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics.

"Uma vulnerabilidade estrutural a choques simultâneos do petróleo e do dólar dos EUA foi exposta e as perspectivas de curto prazo parecem muito difíceis", disse ele.

O banco central do Chile manteve sua política de juros em terreno neutro, embora se espere que os custos mais altos de combustíveis adicionem pressão inflacionária nos próximos meses.

México atinge nova mínima à medida que sentimento azeda

O peso mexicano caiu a uma nova mínima frente ao dólar, recuando 0,67% para 44,30 por dólar, arrastando o índice de moedas latino-americanas para baixo em 0,28%.

A Bolsa Mexicana de Valores caiu pela terceira sessão consecutiva, perdendo 1,08%.

Colômbia avança com divergência de política

O peso colombiano contrariou a tendência regional, subindo 0,12% após o banco central do país elevar as taxas de juros apesar da oposição do governo.

Espera-se que o aumento da taxa atraia fluxos de capital, embora o conflito de políticas entre o banco central e o governo tenha aumentado a incerteza sobre a credibilidade institucional da Colômbia.

Movimentos no Brasil, Argentina e mercados emergentes mais amplos

O real brasileiro caiu 0,59%, e o peso argentino recuou 0,07%.

A pressão mais ampla sobre as moedas de mercados emergentes se estendeu além da América Latina, com a rupia indonésia caindo abaixo de 17.100 por dólar pela primeira vez, e perdas também registradas na lira turca, rúpia indiana, rand sul-africano, dólar taiwanês e peso filipino.

A fraqueza nos preços de energia exacerbou a liquidação, à medida que investidores reduziram exposição a ativos de risco globalmente.

Geopolítica mantém investidores cautelosos

O conflito no Oriente Médio, agora em sua sexta semana, continua a dominar o sentimento do mercado.

O dólar forte permanece a fonte mais imediata de pressão sobre os ativos de risco na região, com investidores aguardando sinais mais claros sobre a trajetória do conflito e suas implicações para o abastecimento global de petróleo antes de se reposicionarem.