Telefonica reduz uso da Huawei na Europa e mantém curso na América Latina

Telefonica reduz uso da Huawei na Europa e mantém curso na América Latina
Noris Soto
30 de jul. de 2025, 12:28 PM
  • A Telefónica está removendo o equipamento 5G da Huawei na Espanha e na Alemanha para atender às regras de segurança.
  • A empresa continuará usando equipamentos da Huawei no Brasil e em outros mercados irrestritos.
  • Todos os provedores atendem aos mesmos padrões de segurança, diz a liderança da Telefónica.

A Telefónica, gigante espanhola de telecomunicações, está tomando medidas drásticas para reduzir sua dependência da gigante chinesa de tecnologia Huawei em suas operações europeias, de acordo com um relatório da Reuters.

A empresa começou a substituir os equipamentos 5G fabricados pela Huawei na Espanha e na Alemanha para cumprir as regras de segurança nacional nesses países.

"Tanto na Alemanha quanto na Espanha, estamos reduzindo nossa exposição à Huawei seguindo as regras que temos nesses países", disse o diretor de operações Emilio Gayo à agência de notícias na quarta-feira.

Tanto a Espanha quanto a Alemanha obrigam as operadoras de telecomunicações a remover os equipamentos da Huawei do coração de suas redes 5G, citando possíveis preocupações com a segurança nacional.

Esses limites refletem preocupações crescentes sobre como a Huawei lida com a infraestrutura de rede vital e as possíveis ramificações para a segurança cibernética.

As restrições da Huawei não são uniformes em todos os mercados

No entanto, a remoção de equipamentos da Huawei não é uma política uniforme em todos os mercados da Telefónica.

No Brasil, por exemplo, a empresa continuará usando equipamentos da Huawei.

O mesmo vale para outros países latino-americanos, onde atualmente não há restrições ao uso de infraestrutura de telecomunicações fabricada na China.

"Na Grã-Bretanha, onde o equipamento da Huawei também é proibido, temos uma exposição muito, muito baixa à Huawei", acrescentou Gayo, destacando que a empresa manteve uma dependência mínima do fornecedor chinês no Reino Unido.

Essas decisões demonstram como a Telefónica está adaptando suas abordagens de rede de acordo com o ambiente regulatório e político de cada território.

Em contraste com a posição mais rígida adotada pelos governos europeus em relação à participação da Huawei na infraestrutura de telecomunicações, a ausência de políticas comparáveis nos países da América Latina permite uma margem maior para as operadoras de telecomunicações.

Garantia de segurança em todos os provedores

No entanto, devido à localização geográfica e aos dispositivos usados, a alta liderança da Telefónica tem certeza de suas práticas robustas de segurança de rede.

O executivo-chefe, Marc Murtra, descreveu claramente a empresa como garantindo altos padrões de segurança, independentemente do fornecedor.

A Telefónica usa os mesmos padrões mais rígidos em todos os equipamentos de todos os fornecedores, disse ele.

Isso fornece segurança à empresa e a seus clientes, fortalecendo a missão geral da empresa de proteger a integridade de sua rede, disse Murtra.

Equilibrando a conformidade com a eficiência operacional

A retirada do equipamento da Huawei das redes principais na Europa faz parte de uma tendência maior do setor, na qual as operadoras de telecomunicações devem encontrar um equilíbrio entre conformidade nacional e eficácia operacional.

A mudança da Huawei na Espanha e na Alemanha apresenta obstáculos logísticos e financeiros, mas a Telefónica vê isso como crucial para cumprir as obrigações regulatórias e preservar a confiança dos reguladores.

A Telefónica está mantendo sua infraestrutura existente da Huawei em regiões onde tais restrições não se aplicam, como o Brasil e outras partes da América Latina, provavelmente por considerações de custo-benefício e continuidade.

Essa diversidade regional demonstra como as empresas globais de telecomunicações devem modificar suas táticas para se adequar a uma variedade de configurações regulatórias. A Telefónica se desconectará da Huawei seletivamente na Europa, enquanto continua os negócios normalmente na América Latina.