Exportações de petróleo da Venezuela caem 10% em julho, enquanto parceiros da PDVSA aguardam luz verde dos EUA

Exportações de petróleo da Venezuela caem 10% em julho, enquanto parceiros da PDVSA aguardam luz verde dos EUA
Noris Soto
04 de ago. de 2025, 12:50 PM
  • As exportações de petróleo da Venezuela caíram 10% em julho, enquanto os parceiros da PDVSA aguardavam autorizações operacionais dos EUA.
  • A Chevron recebeu uma licença limitada dos EUA para retomar as exportações de petróleo venezuelano sem pagamentos a Maduro.
  • Mais de 95% dos embarques de petróleo da Venezuela no mês passado foram direcionados para a China, com Cuba recebendo 31.000 bpd.

De acordo com dados de rastreamento de navios e documentos internos da empresa, as exportações de petróleo da Venezuela caíram cerca de 10% em julho em relação ao mês anterior.

A queda ocorre quando os principais parceiros da petrolífera estatal PDVSA aguardam autorizações do governo dos EUA para aumentar as operações no país que está sob severas sanções.

A Venezuela exportou uma média de 727.000 barris por dia (bpd) de petróleo bruto e produtos refinados no mês passado, em comparação com 807.000 bpd em junho.

O país também exportou 227.000 toneladas de subprodutos e petróleo petroquímico, a mesma quantidade de junho.

De acordo com a Reuters, a queda ressalta os efeitos persistentes das sanções dos EUA e um processo de licenciamento estendido na indústria petrolífera do país sul-americano, entre os poucos lugares restantes onde gera moeda estrangeira.

Como alguns comércios operam sob as isenções atuais, a maior parte da atividade ainda está congelada, aguardando as decisões regulatórias de Washington.

Chevron liberado para retomar, outros deixados esperando

No final de julho, o governo dos EUA concedeu à Chevron uma licença limitada para conduzir operações e exportar petróleo venezuelano para os EUA.

Sem surpresa, o acordo proíbe qualquer pagamento ao governo de Maduro, servindo como um gesto simbólico da luta pelo poder entre os dois países.

A empresa planeja retomar os embarques em uma "quantidade limitada" em agosto, disse o CEO da Chevron, Mike Wirth, na sexta-feira.

Os termos da autorização não foram divulgados e Wirth se recusou a elaborar.

Outros parceiros da PDVSA permanecem no limbo enquanto a Chevron se prepara para retornar.

Eles ainda estão esperando que o Tesouro dos EUA emita autorizações em espécie que lhes permitam se envolver legalmente em atividades relacionadas ao petróleo sem violar as sanções.

A PDVSA tratou as exportações da Chevron como "suspensas" desde abril, quando a empresa venezuelana descartou cargas programadas depois de não liquidar contas pendentes relacionadas à rodada de sanções anterior.

Uma decisão decisiva para revogar as poucas licenças concedidas sob o governo Trump veio em março, redirecionando as exportações da Venezuela para os mercados asiáticos, com a China como destino principal.

As exportações mudam para o leste, enquanto os estoques aumentam no terminal principal

Em julho, a China recebeu mais de 95% das exportações de petróleo da Venezuela, direta ou indiretamente.

O governo também manteve o fornecimento para sua aliada política Cuba, fornecendo aproximadamente 31.000 barris por dia de petróleo bruto, gasolina e combustível de aviação.

Apesar do menor volume geral, os fluxos de petróleo para esses destinos críticos permaneceram consistentes.

Enquanto isso, o terminal petrolífero de José, o principal centro de exportação da Venezuela, viu os estoques de petróleo pesado e diluentes crescerem rapidamente na última semana de julho, já que o porto estava praticamente esgotado de embarques de saída.

O impasse em José destaca os obstáculos logísticos e financeiros que continuam a atormentar a indústria petrolífera da Venezuela, que já foi pressionada por anos de subinvestimento, sanções e reveses operacionais.

Chevron negocia uma nova estrutura de tomada

A Chevron também está em discussões com a PDVSA para estabelecer um novo mecanismo de compra após a emissão de sua nova licença.

A empresa e a estatal petrolífera estão negociando para estabelecer um acordo sob o qual royalties e impostos seriam pagos em espécie, não em dinheiro, disseram fontes locais.

Por exemplo, a Chevron poderia fornecer diluentes à PDVSA em troca de uma parte do petróleo bruto produzido em conjunto.

Essas trocas permitiriam que a empresa cumprisse as leis de embargo dos EUA, ao mesmo tempo em que geraria receita limitada para a indústria petrolífera venezuelana, cada vez mais necessitada.

Poucos dias depois que os prisioneiros foram trocados entre Washington e Caracas, a aprovação da licença veio quando os legisladores americanos se gabavam do aumento da quantidade de petróleo venezuelano indo para a China.

Embora tenha sido uma pequena vitória, a mudança de curso de Washington ficou evidente na retomada das operações da Chevron, e ocorre quando o restante dos parceiros da PDVSA fica fora de cena, deixando o burburinho das exportações de petróleo venezuelanas na melhor das hipóteses.