Notícias cripto da América Latina: Peru ultrapassa limites de blockchain enquanto Argentina aposta em impostos cripto

Notícias cripto da América Latina: Peru ultrapassa limites de blockchain enquanto Argentina aposta em impostos cripto
Noris Soto
23 de ago. de 2025, 05:14 AM
  • O Blockchain no Peru está remodelando as principais indústrias, impulsionando a inclusão financeira e a transparência da cadeia de suprimentos.
  • Buenos Aires pretende criar um sistema mais amigável para impulsionar o investimento e a inovação em criptomoedas
  • Brasil debate Reserva Soberana de Bitcoin, equilibrando promessa e riscos.

A LATAM está se estabelecendo como um centro vital no ecossistema global de bitcoin, com novos marcos demonstrando rápida aceitação e criatividade crescente.

Os destaques desta semana são que o Peru está progredindo com blockchain em mineração e moeda digital, preparando-se para eleições on-chain em 2026, enquanto Buenos Aires lança o BA Cripto, permitindo que as pessoas paguem impostos em criptomoeda e oferecendo incentivos para atrair empresas globais de blockchain.

Adoção de blockchain no Peru

O recente Relatório Blockchain LATAM 2025 da Sherlock Communications reconheceu o desenvolvimento considerável do Peru na adoção de blockchain em uma variedade de setores.

Em 2024, o Banco Central de Reserva do Peru (BCRP) colaborou com a Bitel para estabelecer uma moeda digital que permite que as transações sejam feitas usando a carteira BiPay.

Esse esforço permitiu que clientes em locais rurais com acesso limitado a bancos tradicionais realizassem transações digitais, aumentando assim a inclusão financeira em populações isoladas.

Além disso, a indústria de mineração do Peru fez história em 2023, quando a Minsur se tornou a primeira produtora de estanho a registrar toda a sua produção em blockchain, garantindo rastreabilidade e transparência em um setor-chave para o país.

Outro marco citado no relatório é a preparação para a integração do blockchain nas eleições gerais de 2026 no Peru, que seguirão a ratificação da Lei 32270.

O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) e o Júri Nacional de Eleições (JNE) estão trabalhando em um sistema blockchain autorizado para registrar votos, garantindo imutabilidade, auditabilidade e confiança no processo eleitoral.

De acordo com Luiz Eduardo Abreu Hadad, consultor e pesquisador da Sherlock Communications, esses projetos representam uma "revolução" no ecossistema blockchain do Peru, estabelecendo o país como um dos líderes em crescimento da América Latina ao lado da Colômbia.

Buenos Aires lança "BA Cripto" para impostos e serviços públicos

A Prefeitura de Buenos Aires anunciou o BA Cripto, um conjunto de medidas que permitiria que pessoas e empresas pagassem impostos e taxas de serviço público em criptomoedas.

Os residentes agora podem pagar seus impostos sobre a propriedade, impostos sobre carros, renda bruta e pagamentos não fiscais, como multas de trânsito e renovações de carteira de motorista, digitalizando um código QR.

De acordo com o prefeito Jorge Macri, o projeto visa estabelecer Buenos Aires como líder global em adoção de criptomoedas, ressaltando que a cidade já tem mais de 10.000 pessoas obtendo renda do exterior por meio de criptomoedas ou PayPal.

Além de permitir que ativos digitais sejam usados para pagar impostos, a iniciativa também implementa medidas legislativas destinadas a atrair empresas de criptomoedas para a capital argentina.

Isso inclui uma nova categoria de imposto projetada exclusivamente para negociação de criptomoedas, uma base de imposto de renda bruta modificada que se aplica apenas a spreads de câmbio e a exclusão de provedores de serviços de ativos virtuais dos regimes de retenção bancária.

As autoridades locais enfatizaram que essas melhorias simplificam o cumprimento, minimizam a burocracia e aumentam a segurança jurídica, tornando Buenos Aires um local mais atraente para investimentos no setor.

Brasil debate criação de reserva soberana de Bitcoin

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados convocou uma audiência pública para explorar a ideia de criar uma Reserva Estratégica Soberana em Bitcoin.

Representantes do Tesouro Nacional, Banco Central, Febraban, Méliuz, MDIC e ABCripto participaram da sessão, cada um dando uma perspectiva única sobre os potenciais benefícios e perigos.

Enquanto as vozes do setor privado sublinharam a escassez e o potencial do Bitcoin como ferramenta de diversificação de reservas, funcionários do governo enfatizaram a importância da prudência, particularmente em termos de volatilidade, salvaguardas regulatórias e consequências para a política monetária.

Os participantes adotaram uma variedade de abordagens para a iniciativa: Méliuz enfatizou a emissão previsível do Bitcoin e incentivou soluções práticas envolvendo atores governamentais e privados.

O Tesouro Nacional alertou sobre os riscos à privacidade do cidadão e à custódia de ativos, e o MDIC propôs ver o Bitcoin como uma commodity que poderia apoiar a diversificação se introduzida gradualmente.

Enquanto isso, o Banco Central enfatizou a volatilidade do Bitcoin e o impacto potencial na política monetária, enquanto a Febraban pediu cautela antes de buscar a adoção.

ABCripto enfatizou a necessidade de segurança legislativa e regulamentação contínua na manutenção de um sistema seguro e equilibrado.