Juiz dos EUA mantém títulos da PDVSA 2020 e paralisa leilão da Citgo

Juiz dos EUA mantém títulos da PDVSA 2020 e paralisa leilão da Citgo
Noris Soto
18 de set. de 2025, 14:41 PM
  • Juiz dos EUA mantém os títulos de 2020 da PDVSA, reforçando as reivindicações dos credores sobre a Citgo.
  • Leilão da Citgo em Delaware brevemente suspenso após a decisão de Nova York.
  • A oposição da Venezuela enfrenta uma pressão renovada à medida que os detentores de títulos ganham alavancagem.

Um juiz dos EUA validou os títulos de 2020 da petrolífera estatal venezuelana PDVSA na quinta-feira, suspendendo temporariamente um leilão separado de ações da controladora norte-americana da Citgo Petroleum.

De acordo com a Reuters, a decisão confirmou os direitos dos detentores de títulos à refinaria com sede em Houston, um dos ativos estrangeiros mais preciosos da Venezuela.

Esses títulos são garantidos por uma participação majoritária na Citgo e, em última análise, de propriedade da PDVSA, com sede em Caracas.

A Citgo pode ser apreendida por credores internacionais devido ao calote da dívida da Venezuela em 2019.

Anos de batalhas legais

Detentores de títulos e empresas cujos ativos foram expropriados na Venezuela lutaram durante anos nos tribunais dos EUA para recuperar reivindicações das participações internacionais do país.

A Citgo, avaliada em cerca de US$ 13 bilhões e a sétima maior refinaria dos Estados Unidos, está no centro dos conflitos.

A Venezuela deixou de pagar os títulos em 2019, juntamente com outras dívidas do governo e da PDVSA.

As empresas que perderam propriedades durante as expropriações realizadas pelo falecido presidente Hugo Chávez acabaram entrando com processos de arbitragem, ganhando sentenças que agora estão tentando executar contra os ativos estrangeiros da Venezuela.

Sanções e controlo da oposição

Washington sancionou a PDVSA em 2019 como um esforço para pressionar o regime de Maduro.

As sanções obrigaram a Citgo a cortar laços com sua controladora e colocar a empresa sob o controle da oposição venezuelana apoiada pelos EUA.

Desde então, a oposição tentou proteger a Citgo e outros ativos estrangeiros dos credores. O cerne de sua estratégia jurídica foi a afirmação de que os títulos de 2020 da PDVSA não eram válidos porque haviam sido mal autorizados pela lei venezuelana.

Juiz reafirma validade de fiança

Na quinta-feira, a juíza distrital dos EUA Katherine Polk Failla, de Manhattan, rejeitou os argumentos da oposição.

Ela decidiu que os títulos foram emitidos legalmente, repetindo sua decisão anterior de 2020.

Um tribunal de apelações reenviou o veredicto inicial para uma revisão mais aprofundada, mas Failla permaneceu firme.

Seu julgamento teve um impacto imediato em Delaware, onde o juiz distrital dos EUA Leonard Stark está supervisionando a venda ordenada pelo tribunal das ações da empresa-mãe da Citgo.

O leilão foi brevemente interrompido para analisar o impacto da decisão de Nova York.

Leilão e potenciais compradores

O leilão de Delaware atraiu 15 lances, incluindo empresas e detentores de títulos com reivindicações contra a Venezuela.

Entre eles estão uma subsidiária da mineradora canadense Gold Reserve e a Amber Energy, afiliada à Elliott Investment Management.

As audiências chegaram ao seu quarto dia na quinta-feira, com Stark ainda para responder a várias questões processuais ou confirmar uma oferta vencedora.

A decisão de venda deve determinar o futuro da Citgo, uma fonte crítica de caixa para a oposição da Venezuela e um possível ativo para os credores que exigem o pagamento.

De acordo com um documento judicial de julho, o lance inicial veio de uma afiliada da Gold Reserve de uma mineradora listada em Toronto. Durante anos, a empresa buscou restituição pela expropriação de seus interesses venezuelanos.

Mas a revisão teve uma reviravolta dramática no mês passado, quando o diretor Robert Pincus mudou sua recomendação em favor da Amber Energy, parceira da Elliott Investment Management.

No final, Pincus considerou a oferta de US$ 5,9 bilhões de Amber a melhor das duas após uma guerra de lances tardia.

A oferta de Amber logo foi contestada por reclamantes rivais e seus advogados, que entraram com moções para desqualificá-la.

Próximos passos da Venezuela

No início desta semana, advogados venezuelanos alertaram que, se os títulos de 2020 fossem considerados legítimos, eles entrariam com um recurso.

Após a decisão de Failla, os conselhos de supervisão da Citgo convocaram uma reunião de emergência com advogados para avaliar suas opções, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

Por enquanto, o tribunal de Stark continua o processo de leilão, mas o vigor renovado das reivindicações dos detentores de títulos complica uma batalha já acalorada pela Citgo.

Um momento crucial

Os casos de duelo em Nova York e Delaware destacam os riscos para os ativos offshore da Venezuela, que estão presos entre as demandas dos credores e as medidas políticas para proteger os interesses nacionais.

Com o destino da Citgo em jogo, a decisão de Failla pode alterar a quantidade de influência que os detentores de títulos e requerentes de expropriação têm na luta pelo controle da corporação.