UBS BB corta previsões de câmbio e vê real mais firme com flexibilização dos EUA e altas taxas do Brasil

UBS BB corta previsões de câmbio e vê real mais firme com flexibilização dos EUA e altas taxas do Brasil
Noris Soto
18 de set. de 2025, 14:49 PM
  • O UBS BB projeta o real em R$ 5,40 por dólar até o final de 2025 e 2026, mais firme do que as previsões anteriores.
  • A flexibilização monetária dos EUA e as altas taxas de juros do Brasil são vistas apoiando a moeda à frente.
  • Os riscos decorrem das eleições de 2026, choques globais e volatilidade em outros mercados emergentes.

O UBS BB revisou suas projeções cambiais e argumenta que o cenário é mais positivo para o real à medida que a flexibilização monetária global avança, enquanto o Brasil continua oferecendo altas taxas de juros domésticas.

O banco também vê um valor justo de R$ 5,40 por dólar no final de 2025 e no final de 2026, que é superior à taxa à vista real, mas inferior às suas projeções anteriores de R$ 5,80 em 2025 e R$ 5,86 em 2026.

De modo geral, a revisão implica em um viés mais positivo para os ativos locais em condições externas e dado o viés monetário doméstico no Brasil.

Variáveis estruturais por trás da previsão

O modelo de valor justo do UBS BB inclui uma série de elementos estruturais, macroeconômicos e financeiros.

Isso inclui o saldo em conta corrente e o passivo externo líquido como porcentagem do PIB, os preços externos das commodities medidos pelo índice CRB e o desempenho de uma cesta de moedas de mercados emergentes.

O banco também considera os diferenciais de taxas de juros nominais entre o Brasil e os países avançados, bem como as discrepâncias e projeções do nível de preços, comparando especificamente o IPCA do Brasil com o IPC dos EUA.

Essas características, quando consideradas em conjunto, levam a um ambiente em que o real pode lucrar com causas externas e locais no médio prazo.

Impacto da política monetária global e local

De acordo com o banco, o ciclo contínuo de flexibilização monetária nas economias desenvolvidas, particularmente nos Estados Unidos, tem sido uma fonte significativa de apoio para as moedas dos mercados emergentes.

Com as taxas de juros mais baixas dos EUA, os investidores são incentivados a buscar melhores rendimentos em outros lugares, e a política restritiva do Brasil apresenta opções atraentes.

O UBS BB observa que a flexibilização monetária do Brasil deve ser modesta.

O banco prevê que o ciclo doméstico não começará até o final do primeiro ou segundo trimestre de 2026, o que implica que diferenciais substanciais nas taxas de juros durariam algum tempo.

Dinâmica e crescimento da conta corrente

As contas externas do Brasil ainda são uma preocupação. O déficit anual em conta corrente está entre US$75 bilhões e US$80 bilhões, cerca de 3,5% do PIB.

Esse número é significativamente maior do que a média histórica de 2,2%.

Essa lacuna crescente está associada a uma expansão econômica bem acima da tendência.

A economia do Brasil cresceu 3% ao ano, em média, entre 2022 e 2024, um número acima da faixa de crescimento potencial estimada de 2% a 2,5% para o país.

Isso também pode ser visto nas estatísticas do mercado de trabalho, onde o desemprego está na faixa de 5,5% a 6,0% contra a estimativa do Banco para o NAIRU, de aproximadamente 8%.

De acordo com o UBS BB, faz sentido que o déficit diminua diante da atual recessão econômica.

O banco espera que esse índice possa reverter para a faixa média histórica para trimestres mais próximos e para 2026.

O ciclo político aumenta a volatilidade

O banco alerta que eventos políticos, particularmente as eleições de 2026, causarão volatilidade na taxa de câmbio.

Os eleitores brasileiros elegerão representantes em vários níveis, incluindo governos estaduais, a Câmara dos Deputados de 513 membros, dois terços do Senado e a presidência.

Os ciclos eleitorais historicamente causaram instabilidade nos mercados financeiros, e o agregador em tempo real de indicadores de volatilidade do UBS BB prevê o mesmo no ciclo que se aproxima.

Riscos para as perspectivas

O UBS BB disse que os riscos existem, mesmo que as perspectivas para o setor imobiliário tenham melhorado – incertezas macroeconômicas, como crescimento do PIB, dinâmica da inflação e possível desaceleração da atividade doméstica.

A moeda também pode enfrentar pressão negativa de choques externos, desde eventos financeiros globais até movimentos nos preços das commodities.

Para os investidores, porém, os problemas vão além da economia geral.

Os riscos setoriais e específicos da empresa estão no topo da agenda do banco, particularmente para empresas com exposições significativas a mercados emergentes.

As avaliações podem ser significativamente impactadas por flutuações da taxa de câmbio, mudanças nas regulamentações, eventos sociopolíticos e movimentos repentinos no custo do capital.

Além disso, os efeitos colaterais de outros mercados emergentes podem criar a tempestade perfeita, aumentando o risco para empresas e setores dependentes do fluxo de capital global.

As revisões do UBS BB são mais otimistas para o real do que as projeções anteriores.

Apesar das vulnerabilidades estruturais persistentes e dos riscos políticos latentes, tanto a flexibilização global como os respetivos fortes diferenciais de taxas de juro e o ajustamento gradual das contas externas criam um cenário favorável.

No entanto, o ciclo eleitoral de 2026 e a possibilidade de um mercado emergente volátil provavelmente continuarão a deixar os investidores em alerta e, com sua moeda sensível a eventos domésticos e externos, a moeda do Brasil também.