Banco Central do Brasil endurece regras do PIX para combater crimes financeiros
- Banco Central eleva conformidade com PIX, excluindo instituições com patrimônio líquido inferior a R$ 5 milhões.
- O PIX automático passa a ser obrigatório para pagamentos recorrentes a instituições financeiras não autorizadas.
- Novas regras de prevenção de fraudes e sanções estendidas entram em vigor entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.
Nesta semana, o Banco Central do Brasil anunciou novas regulamentações para aprimorar o Sistema Financeiro Nacional do país, visando combater o crime organizado.
As mudanças dizem respeito ao PIX, a plataforma de pagamentos instantâneos do Brasil, e aumentam a carga de conformidade das instituições financeiras.
Destaca-se que a regra exclui instituições com patrimônio líquido mínimo inferior a R$ 5 milhões.
A medida faz parte de um plano maior que o Banco Central vem implementando discretamente desde o início deste mês para lidar com as vulnerabilidades usadas por grupos criminosos contra bancos e empresas de pagamento.
PIX automático passa a ser obrigatório
Uma nova norma, que havia sido anunciada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, permite o uso do PIX Automático para transações destinadas a instituições financeiras que não são licenciadas pela autoridade monetária.
O PIX automático é usado para negócios automatizados, e as regras recentes tornam obrigatório evitar que essas transações sejam exploradas.
O regulamento também fornece um nível adicional de controle sobre o processamento de transferências digitais recorrentes, garantindo que entidades não autorizadas não possam explorar as lacunas existentes no ecossistema de pagamentos.
Um pacote mais amplo de reformas
No início de setembro, o Banco Central anunciou um pacote abrangente de reformas com o objetivo de fechar as falhas do setor financeiro.
As reformas visam reforçar o controlo e garantir que as instituições de pagamento sigam critérios mais rigorosos destinados a reduzir o risco de fraude.
As novas regras devem entrar em vigor em 13 de outubro de 2025. As instituições terão até 1º de janeiro de 2026 para alterar seus contratos, autorizações de dívida e protocolos de conformidade existentes para cumprir os novos requisitos.
Principais medidas introduzidas
As medidas delineadas pelo Banco Central abrangem diversos aspectos das operações do PIX:
• Requisito de patrimônio líquido: Serão excluídas do sistema as instituições com patrimônio líquido inferior a R$ 5 milhões.
• Cronograma de reentrada: O prazo para os participantes sancionados excluídos do PIX solicitarem o reingresso foi ampliado de 12 para 60 meses.
• Limites de transação: As instituições serão autorizadas a estabelecer limites de valor de transação com base apenas nos perfis de risco e nos padrões de comportamento dos clientes.
• Bloqueio cautelar de pessoa jurídica: Uma salvaguarda anteriormente aplicada apenas a usuários individuais agora se estenderá a pessoas jurídicas, ampliando o escopo dos bloqueios cautelares.
• Medidas de notificação de fraude: As instituições que emitem ou aceitam notificações de fraude devem restringir o início e o recebimento de transações PIX e devem rejeitar solicitações de registro, portabilidade ou reivindicações de propriedade de chaves PIX vinculadas a contas sinalizadas.
Reforçar as salvaguardas contra a criminalidade organizada
A medida do Banco Central reflete os crescentes temores de que o crime organizado esteja tentando penetrar no sistema financeiro do Brasil.
O serviço de pagamento criptográfico, PIX, foi lançado como uma solução rápida e barata, mas rapidamente se tornou popular para o crime por causa desses mesmos recursos.
Os reguladores bancários estão levantando barreiras à entrada e permitindo mais espaço para as instituições garantirem o risco da transação, o que, por sua vez, deve contribuir para uma maior resiliência no sistema.
E suas novas regras que regem as notificações de fraude e as reivindicações de propriedade da chave destinam-se a acabar com os caminhos que abrem para os malfeitores que usam contas hackeadas para facilitar transações ilegais.
Aplicação e período transitório
O prazo de conformidade permite que as instituições alterem seus sistemas e práticas antes que a aplicação total comece no início de 2026.
Esse tempo transitório permitirá que as empresas se adaptem aos novos regulamentos, além de garantir a continuidade dos clientes atuais.
O prazo destaca a prioridade simultânea do Banco Central em aumentar a segurança e, ao mesmo tempo, minimizar a interrupção das transações financeiras legais.
As instituições serão obrigadas a alterar não apenas os sistemas técnicos, mas também os procedimentos de avaliação de risco e monitoramento de transações de consumidores.
Um ecossistema financeiro reforçado
Quando combinadas, as políticas indicam uma mudança em direção a um ambiente de pagamentos mais rigorosamente regulamentado no Brasil.
O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional estão trabalhando para aumentar a confiança no sistema financeiro, endurecendo as regras de elegibilidade, estabelecendo processos de segurança e melhorando as tecnologias de prevenção de fraudes.
A combinação de requisitos de capital mais rígidos, aumento das penalidades por não conformidade e medidas focadas de proteção contra fraudes demonstra um plano holístico para proteger as operações do PIX.
As instituições que não cumprirem correm o risco de serem removidas do sistema até janeiro de 2026, demonstrando a disposição do regulador de corrigir vulnerabilidades exploradas por redes criminosas.
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