Putin dá luz verde à venda do Citigroup após meses de restrições impostas pelo Estado

Putin dá luz verde à venda do Citigroup após meses de restrições impostas pelo Estado
Diya Poddar
12 de nov. de 2025, 11:35 AM
  • Putin aprova a venda do Citigroup de seu banco russo para a Renaissance Capital, encerrando seu atraso de saída.
  • A exposição do Citi na Rússia subiu para US$ 13,5 bilhões em setembro, apesar dos planos de deixar o mercado desde 2022.
  • As empresas estrangeiras enfrentam perdas acentuadas e regras estatais rígidas à medida que a Rússia reforça o controle sobre as saídas corporativas.

O Citigroup finalmente garantiu a aprovação do Estado russo para vender suas operações bancárias locais, quase um ano e meio depois de anunciar planos de deixar o mercado.

Na quarta-feira, uma ordem presidencial assinada por Vladimir Putin autorizou a venda do banco russo do Citi para a Renaissance Capital, marcando a saída formal do gigante financeiro do país.

A ordem emitida pelo governo foi publicada sem detalhes adicionais. Ele não ofereceu mais informações sobre a estrutura, avaliação ou cronograma da transação.

No entanto, a aprovação encerra um período prolongado de incerteza para o Citigroup, que enfrentou barreiras regulatórias desde o anúncio de sua retirada.

Apesar desses desenvolvimentos, os registros regulatórios mostram que, em setembro, a exposição do Citi à Rússia totalizou US$ 13,5 bilhões, acima dos US$ 9,1 bilhões do ano anterior.

O aumento foi amplamente atribuído aos dividendos corporativos recebidos pelos clientes durante o terceiro trimestre.

Empresas ocidentais desaceleradas por barreiras de saída

A decisão do Citigroup de encerrar seus negócios de banco comercial e de consumo na Rússia remonta a agosto de 2022.

Essa decisão veio em resposta às crescentes pressões operacionais e geopolíticas após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Após a saída em massa de empresas ocidentais no início de 2022, o Kremlin implementou rapidamente novas regras para controlar o fluxo de capital para fora do país.

Um decreto presidencial exigia que qualquer transação envolvendo empresas do que chama de países "hostis", ou seja, aquelas que impuseram sanções à Rússia, fosse revisada e aprovada por uma comissão especial do governo.

Esta comissão aplicou padrões rigorosos. Entre os requisitos estão grandes descontos nas avaliações de ativos e contribuições forçadas para o orçamento do Estado russo.

Essas condições foram projetadas para penalizar as saídas corporativas e garantir ganhos financeiros para o tesouro russo no processo.

Renaissance Capital assume

O novo comprador, Renaissance Capital, é um banco de investimento com sede em Moscou conhecido por suas operações em mercados emergentes e de fronteira.

A aquisição dos negócios russos do Citi se encaixa em um padrão em que as empresas locais estão intervindo para preencher o vazio deixado pelas corporações globais que saem do país.

Embora o decreto presidencial formalize a transação, detalhes críticos como o preço de venda, perdas financeiras para o Citigroup ou o valor de quaisquer contribuições orçamentárias impostas pelo Estado permanecem não divulgados.

Também não está claro como as operações farão a transição do Citi para a Renaissance Capital ou se os serviços continuarão sob a mesma estrutura.

O Renaissance Capital, um dos bancos de investimento mais antigos da Rússia, ganhou destaque na era pós-soviética ao ajudar várias empresas a serem listadas em Londres e Moscou.

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a empresa começou a fechar seus escritórios em Londres, Nova York e Joanesburgo.

No entanto, suas operações domésticas na Rússia continuaram a funcionar normalmente.

O aperto da Rússia sobre ativos estrangeiros

A venda se soma a uma lista crescente de saídas estrangeiras remodeladas pelos controles mais rígidos da Rússia sobre o desinvestimento.

O processo de saída provou ser um desafio para várias empresas multinacionais.

Muitos tiveram que vender com perdas significativas ou enfrentaram longas negociações com os reguladores.

No início deste ano, Vladimir Putin aprovou a venda dos negócios do Goldman Sachs Group Inc. na Rússia para a Balchug Capital, seguindo movimentos semelhantes de outros bancos internacionais.

Apenas algumas semanas antes, ele havia assinado um decreto permitindo que a Natixis alienasse suas operações russas.

Em janeiro, o ING Groep NV também concordou em vender seus negócios locais para a Global Development JSC, uma empresa de propriedade de um investidor financeiro com sede em Moscou.