Brasil valoriza imposto IOF sobre pagamentos transfronteiriços em criptomoedas enquanto uso de stablecoins dispara

Brasil valoriza imposto IOF sobre pagamentos transfronteiriços em criptomoedas enquanto uso de stablecoins dispara
Noris Soto
18 de nov. de 2025, 13:41 PM
  • O Brasil está avaliando um imposto IOF sobre pagamentos em criptomoedas após classificar stablecoins como forex.
  • O uso de stablecoins, principalmente USDT, representa dois terços do volume cripto de R$227 bilhões do Brasil.
  • Autoridades dizem que regras mais rígidas podem conter a evasão, com 30 bilhões de dólares em receita anual em risco.

O Brasil está pensando em estender seu imposto IOF sobre transações financeiras para criptomoedas para pagamentos internacionais, disseram à Reuters dois funcionários familiarizados com as discussões em andamento.

Tal medida preencheria uma lacuna no recente arcabouço do tipo forex sobre operações de stablecoin e ativos virtuais, aplicando-se a muitas áreas promovidas pelo banco central.

As operações de criptomoedas já estão sujeitas ao imposto de renda (ou seja, imposto de renda) acima de um valor específico de ganhos mensais, mesmo que ainda não paguem IOF.

A sugestão está sendo atualmente considerada pelo Ministério das Finanças, que também se recusou a comentar sobre as negociações.

Segundo um dos funcionários envolvidos nas discussões, o ministério está considerando se pagamentos transfronteiriços usando ativos virtuais estarão sujeitos ao regime IOF, após a declaração oficial do banco central de que as atividades de stablecoin são consideradas câmbio.

No entanto, as novas definições não têm nada de automático quanto às implicações fiscais, disse a fonte, que acrescentou que a implementação da autoridade dependerá de mais definições da autoridade federal de impostos do Brasil.

Potencial aumento de receita em meio a metas fiscais apertadas

Os funcionários enfatizaram que o principal objetivo aqui é preencher uma brecha regulatória, em vez de gerar receita tributária.

No entanto, neste momento, a medida pode oferecer um apoio oportuno às finanças públicas, enquanto o governo trabalha em objetivos fiscais ambiciosos para aliviar a pressão sobre o orçamento.

A rápida expansão do mercado cripto brasileiro nos últimos anos tem sido impulsionada pela adoção das stablecoins locais, especialmente USDT, como uma forma fácil e barata de manter saldos vinculados a greenbacks.

O total de transações em criptomoedas no primeiro semestre de 2025 foi de 227 bilhões de reais (US$ 42,8 bilhões), um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da autoridade fiscal federal.

Dessa parcela, cerca de dois terços foram devido à negociação de stablecoin (o USDT parecia ser a principal moeda nesse aspecto), enquanto o bitcoin representava apenas 11%.

Segundo uma fonte da Polícia Federal, a imposição de impostos IOF sobre operações de câmbio (FX) relacionadas a criptomoedas pode aumentar o rastreamento de transações, potencialmente levando a outras evasão fiscal.

Então, se imaginário aqui significa que você importa uma máquina ou insumos, declara oficialmente apenas 20% do valor correto e envia os outros 80% por baixo via USDT (sem pagar impostos aduaneiros), o IOF é o menor dos seus problemas, disse o funcionário, estimando que importações tradicionais financiadas via cripto para evitar esse tipo de tributação representam uma perda anual de mais de 30 bilhões de dólares para a nobreza.

O marco do Banco Central prepara o terreno para a tributação

Qualquer compra, troca ou troca de stablecoins é considerada uma transação de câmbio sob as novas regulamentações do banco central, que entrarão em vigor em fevereiro.

A liquidação de obrigações de cartão, métodos de pagamento eletrônico e transferências entre carteiras de autocustódia e prestadores de serviços são todos cobertos por eles, assim como pagamentos estrangeiros ou transferências realizadas usando ativos virtuais.

Os reguladores agora têm uma base melhor para lidar com o que as autoridades chamam de arbitragem regulatória, graças à classificação.

O arcabouço tem como objetivo "garantir que o uso de stablecoins não crie arbitragem regulatória em relação ao mercado tradicional de câmbio", segundo uma fonte governamental.

Em meio a um arcabouço legal desconexo, as autoridades brasileiras alertaram repetidamente que as stablecoins estão sendo usadas principalmente para pagamentos, e não para investimentos, abrindo uma nova via para a lavagem de dinheiro.

O banco central não impõe impostos automaticamente, mesmo quando seus critérios aumentam o escrutínio.

O departamento federal de impostos do Brasil, que ampliou as regras de declaração para transações em criptomoedas para incluir provedores de serviços estrangeiros que atuam no país na segunda-feira, tem jurisdição.

O objetivo da extensão é garantir que os reguladores tenham acesso às informações necessárias para aplicar as regulamentações atuais e levar em conta futuras obrigações como a tributação do IOF.

Próximos passos em revisão

O Ministério das Finanças está analisando como o IOF pode ser aplicado a transações transfronteiriças baseadas em criptomoedas sem interferir em atividades financeiras legais ou desencorajar a inovação.

Segundo um funcionário, o exame é "cuidadoso", enfatizando que o governo quer evitar implicações imprevistas para a indústria de ativos virtuais em rápida expansão.

A conclusão do debate pode mudar a forma como as criptomoedas são usadas na maior economia da América Latina e influenciar como o Brasil preenche uma das lacunas mais significativas em seu arcabouço legislativo, dado que o uso de stablecoins continua crescendo e as pressões econômicas estão aumentando.