Exclusão do MSCI para causar vendas de ativos de US$ 15 bilhões por empresas de tesouraria de criptomoedas

Exclusão do MSCI para causar vendas de ativos de US$ 15 bilhões por empresas de tesouraria de criptomoedas
Ananthu C U
18 de dez. de 2025, 03:33 AM
  • A proposta da MSCI pode desencadear vendas forçadas de cripto de 10 a 15 bilhões de dólares por empresas focadas em tesouraria.
  • A estratégia pode enfrentar saídas de US$ 2,8 bilhões, representando quase três quartos do valor de mercado impactado.
  • Grupos do setor alertam que a regra mira injustamente as posições em criptomoedas e pode distorcer o investimento passivo.

Empresas do tesouro focadas em criptomoedas podem enfrentar uma pressão significativa de vendas se o Morgan Stanley Capital International Index (MSCI) avançar com uma proposta para excluí-las de seus principais índices de ações, uma medida que críticos alertam que pode desencadear bilhões de dólares em vendas forçadas de ativos e pesar ainda mais sobre os já enfraquecidos mercados de ativos digitais.

Ativistas estimam que até 15 bilhões de dólares em cripto poderiam ser vendidos se o provedor do índice implementar a mudança, ressaltando o alto risco de uma consulta em andamento que tem gerado crescente oposição dos participantes do setor.

Bilhões em saídas potenciais

A BitcoinForCorporations, um grupo que faz campanha contra a proposta, afirmou que as empresas de tesouraria de criptomoedas podem enfrentar entre 10 e 15 bilhões de dólares em saídas se forem removidas dos índices MSCI.

A estimativa é baseada em uma "lista preliminar verificada" de 39 empresas, com uma capitalização de mercado ajustada pelo flutuante total de cerca de US$ 113 bilhões.

Segundo o grupo, análises do JPMorgan sugerem que a Strategy (anteriormente conhecida como Microstrategy), a empresa de tesouraria do Bitcoin associada a Michael Saylor, pode registrar saídas de US$ 2,8 bilhões sozinha.

A estratégia representa cerca de 74,5% do total impactado da capitalização de mercado ajustada pelo flutuante, tornando-a a empresa mais exposta caso a mudança de política aconteça.

Analistas citados pela campanha calcularam que as saídas potenciais de todas as empresas afetadas poderiam somar cerca de US$ 11,6 bilhões.

Essa venda provavelmente aumentaria a pressão negativa sobre os mercados cripto, que já vêm em tendência de queda há quase três meses.

A campanha contra a proposta ganhou força, com a carta de petição da BitcoinForCorporations atraindo 1.268 assinaturas no momento da redação.

Consulta da MSCI e preocupações da indústria

A MSCI disse em outubro que estava consultando os investidores sobre a exclusão das chamadas empresas de tesouraria de criptomoedas — empresas que detêm a maior parte de seu balanço em criptomoedas — de seus índices.

Os índices de referência MSCI são amplamente utilizados por fundos de investimento passivos, o que significa que mudanças na inclusão de índices podem afetar diretamente os fluxos de capital para dentro ou fora das ações afetadas.

Críticos argumentam que a abordagem proposta pela MSCI baseada em balanço patrimonial é falha.

A BitcoinForCorporations afirmou que julgar as empresas pela proporção de criptomoedas em seu balanço patrimonial não reflete com precisão suas operações comerciais subjacentes.

"Um único indicador de balanço patrimonial não pode refletir se uma empresa é um negócio operacional", afirmou o grupo, alertando que as empresas podem ser excluídas mesmo que seus clientes, receita e operações centrais permaneçam inalterados.

O grupo instou a MSCI a retirar a proposta e continuar classificando as empresas com base em modelos de negócios, desempenho financeiro e características operacionais.

Crescente resistência antes da decisão

A oposição à proposta aumentou nas últimas semanas.

Em 5 de dezembro, a Strive listada na Nasdaq pediu à MSCI que "deixe o mercado decidir" se investidores passivos querem exposição a empresas detentoras de Bitcoin.

A estratégia também se manifestou, afirmando em uma carta que a mudança proposta na regra introduziria um viés contra cripto como classe de ativos, em vez de permitir que a MSCI atuasse como uma provedora neutra de índices.

A MSCI informou que suas conclusões finais serão anunciadas até 15 de janeiro, com quaisquer mudanças aprovadas previstas para inclusão na revisão do índice de fevereiro de 2026.

Até lá, a incerteza sobre a decisão provavelmente continuará sendo uma fonte de preocupação tanto para investidores de ações quanto de criptomoedas, especialmente diante da potencial escala de vendas forçadas caso as exclusões avancem.