A BHP bloqueada de recorrer da decisão do Reino Unido sobre responsabilidade por desastre da barragem no Brasil

A BHP bloqueada de recorrer da decisão do Reino Unido sobre responsabilidade por desastre da barragem no Brasil
Noris Soto
19 de jan. de 2026, 10:49 AM
  • A recusa do tribunal do Reino Unido mantém a BHP legalmente responsável pelo colapso da barragem brasileira em 2015.
  • O caso avança para um julgamento por danos que pode levar anos para ser concluído.
  • A decisão mantém a pressão sobre a BHP como uma das maiores ações civis da Inglaterra.

Na segunda-feira, a BHP teve negada a permissão para recorrer de um veredito judicial de Londres que considerou a mineradora responsável pelo colapso da barragem em 2015, no sudeste do Brasil, uma reivindicação que pode eventualmente valer dezenas de bilhões de libras.

Segundo a Reuters, a decisão mantém uma decisão do Tribunal Superior de novembro que declarou a BHP legalmente responsável pelo rompimento da barragem Fundao em Mariana, um dos maiores desastres ambientais do Brasil.

A barragem era de propriedade e operada pela Samarco, uma joint venture BHP-Vale.

A decisão do Tribunal Superior representou um marco significativo em um caso que se tornou uma das maiores ações civis já julgadas no sistema jurídico inglês, envolvendo centenas de milhares de reclamantes, além de um amplo espectro de instituições governamentais e corporativas do Brasil.

A BHP solicitou permissão para contestar o veredito, mas foi negada no momento. O Tribunal Superior recusou o pedido; O escritório não pode apresentar recurso pelos canais ordinários desse tribunal.

Próximos passos no tribunal de apelação

Apesar da derrota, a BHP indicou que não vai desistir de sua luta legal. A corporação declarou que buscaria levar seu desafio diretamente ao Tribunal de Apelação, apesar da negação do Tribunal Superior.

"Vamos levar nosso recurso ao Tribunal de Apelação", afirmou um representante da BHP.

A questão do recurso está sendo analisada junto com os preparativos para a próxima rodada do litígio, que se concentrará no valor dos danos concedidos caso os autores vençam.

Um caso de escala sem precedentes

Os advogados dos autores classificaram a ação como uma das maiores da história jurídica inglesa.

Eles estimaram anteriormente o total de reivindicações em até 36 bilhões de libras, ou cerca de 48,26 bilhões de dólares, indicando a dimensão do suposto dano e o número de pessoas e organizações envolvidas.

Após o sucesso inicial com a culpa, as equipes jurídicas dos reclamantes buscaram cerca de £200 milhões em despesas legais.

Os números envolvidos destacam os interesses financeiros para a BHP à medida que o caso avança para a fase de indenização.

A fase inicial do processo focou em avaliar se a BHP poderia ser responsabilizada legalmente pelo colapso da barragem.

Com esse obstáculo superado, espera-se que o tribunal mude seu foco para determinar a compensação.

Cronograma do julgamento por danos

Um novo julgamento para determinar os danos a serem pagos está previsto para começar em outubro. Dado o tamanho e a complexidade das reivindicações, é improvável que uma decisão final sobre a compensação seja rápida.

O tribunal afirmou que uma decisão provavelmente será tomada em meados de 2027.

O longo cronograma reflete a necessidade de analisar as perdas de um grupo diversificado de reclamantes, incluindo pessoas, empresas e governos locais afetados pela tragédia.

O desastre das Marianas

A barragem Fundão desabou em 2015, liberando uma enchente de lodo perigoso pelo sudeste do Brasil.

Dezenove pessoas morreram, muitas ficaram sem teto, florestas foram inundadas e poluentes foram espalhados pelo rio Doce.

O desastre afetou centenas de milhares de brasileiros, dezenas de municípios e aproximadamente 2.000 empresas.

Esses grupos e indivíduos posteriormente entraram com a ação em Londres contra a BHP, alegando que a empresa era responsável por seu envolvimento na joint venture Samarco.

A juíza Finola O'Farrell decidiu no ano passado que a BHP não deveria ter avançado para aumentar a altura da barragem, decisão que ela atribuiu pelo colapso da barragem.

Essa conclusão apoiou a decisão do tribunal de responsabilizar a BHP pelas repercussões do desastre.

À medida que a luta judicial continua, a recusa de conceder permissão para apelar mantém o veredito de novembro, deixando a BHP com uma longa e provavelmente custosa jornada pelos tribunais ingleses.