Invezz

Emirates e Etihad retomam voos enquanto caos nas viagens em Dubai e Abu Dhabi continua

Emirates e Etihad retomam voos enquanto caos nas viagens em Dubai e Abu Dhabi continua
Harsh Vardhan
03 de mar. de 2026, 07:35 AM

Companhias aéreas do Oriente Médio começaram a repatriar viajantes retidos enquanto um fechamento de três dias em alguns dos centros de aviação mais movimentados do mundo foi lentamente aliviado nesta terça‑feira, mesmo com a guerra desencadeada por ataques dos EUA e de Israel ao Irã continuando a perturbar o tráfego aéreo global.

A Emirates reativou um número limitado de voos a partir do Dubai International Airport para destinos incluindo London Heathrow, Manchester, Paris, Frankfurt e Jeddah após suspender quase todas as operações quando o espaço aéreo regional fechou durante o fim de semana.

A companhia está priorizando passageiros já no emirado e disse que as aeronaves de retorno transportarão viajantes com destino a Dubai, mas ainda não aceitarão tráfego de conexão, ressaltando o quão distantes estão as operações normais do hub.

A Etihad Airways, com sede em Abu Dhabi, também operou alguns voos desde segunda‑feira, incluindo o primeiro serviço de passageiros a aterrissar no Reino Unido no final da noite de segunda‑feira.

A companhia afirmou que sua programação principal permanece suspensa pelo menos até quarta‑feira, com apenas “voos de reposicionamento, de carga e de repatriação” ocorrendo em coordenação com as autoridades dos EAU e sujeitos a aprovações de segurança rigorosas.

Por outro lado, a Qatar Airways disse nesta terça‑feira que seus voos continuam no solo porque o espaço aéreo do Catar ainda está fechado após os ataques retaliatórios de mísseis e drones do Irã, deixando o Hamad International Airport, em Doha, efetivamente fechado como hub de conexão.

Cancelamentos em massa, passageiros retidos

A retomada gradual sucede uma das piores interrupções da aviação global desde a pandemia.

Empresas de rastreamento e análise de voos estimam que mais de 10.000 voos foram cancelados desde o início dos ataques, com fechamentos de espaço aéreo se estendendo pelo Irã, Israel, Iraque, Catar, Bahrein, Kuwait, Síria e EAU, e restrições parciais na Arábia Saudita.

A empresa de análise de aviação Cirium afirma que cerca de 90.000 passageiros normalmente passam por Dubai, Doha ou Abu Dhabi a cada dia apenas pelas Emirates, Qatar Airways e Etihad, e que pelo menos 1 milhão de viajantes em todo o mundo já foram afetados.

Governos estão sob crescente pressão para retirar seus cidadãos da região, mas muitos ainda não lançaram voos em grande escala devido aos fechamentos em curso e ao risco de novos ataques.

O embaixador dos EUA em Israel alertou os americanos de que as opções para sair são “muito limitadas”, sugerindo que alguns podem precisar viajar por terra até o Egito, enquanto a embaixada atualmente não está em condições de organizar evacuações diretas.

A França está preparando voos de evacuação fretados para os mais vulneráveis entre seus cerca de 400.000 cidadãos no Oriente Médio, disse seu ministro das Relações Exteriores, enquanto a Itália enviou equipes de policiais Carabinieri e diplomatas para Omã e o Golfo para ajudar a retirar cerca de 70.000 nacionais da região.

Roma planeja transportar cidadãos de ônibus dos EAU até Omã antes de levá‑los de avião via Oman Air e outros operadores charter, refletindo as restrições contínuas aos serviços diretos saindo dos hubs centrais.

O governo do Reino Unido disse que está considerando “todas as opções” para trazer pessoas para casa, mas até agora tem preferido usar capacidade comercial quando possível, em vez de empregar imediatamente voos de evacuação dedicados.

Efeitos em cadeia da Ásia à Europa

Os efeitos secundários estão sendo sentidos bem além do Golfo.

Dezenas de milhares de passageiros na Ásia ainda aguardam conexões para a Europa depois que as rotas pelo Golfo foram cortadas, forçando companhias aéreas e agentes de viagem a correr atrás de assentos diretos escassos.

Executivos do setor dizem que os preços dos voos diretos Ásia–Europa remanescentes quase dobraram em algumas rotas desde o fim de semana, à medida que transportadoras como British Airways e Air France evitam o Golfo, enquanto a Virgin Atlantic relatou demanda incomumente alta em seus serviços para a Índia.

A companhia de baixo custo easyJet cancelou voos entre o Reino Unido e Chipre após um drone iraniano atingir a base Akrotiri da RAF na ilha, destacando como o conflito está redesenhando padrões de voo em toda a região ampliada.

Empresas em cidades do Golfo requisitaram que funcionários trabalhem de casa, e alguns moradores de Dubai estão tentando sair via Omã ou Arábia Saudita, onde os preços de jatos charter subiram para cerca do dobro dos níveis anteriores, segundo reportes locais.

Com voos limitados saindo dos EAU e do Catar e corredores-chave sobre o Oriente Médio ainda fechados, companhias aéreas e passageiros enfrentam dias, se não semanas, de interrupção mesmo que as tensões militares diminuam, elevando a perspectiva de um teste prolongado da resiliência do setor no pós‑pandemia.