Petróleo reduz ganhos após relatos de liberação das reservas estratégicas do G7

Petróleo reduz ganhos após relatos de liberação das reservas estratégicas do G7
Sayantan Sarkar
09 de mar. de 2026, 09:30 AM
  • Países do G7 reúnem-se para discutir a liberação de reservas petrolíferas de emergência.
  • Brent atinge US$119,46, seu nível mais alto desde meados de 2022.
  • Fechamento do Estreito de Ormuz e cortes de oferta impulsionam a alta dos preços.

Os preços do petróleo recuaram dos níveis máximos alcançados mais cedo na segunda-feira após relatos de que o Grupo dos Sete discutirá a possível liberação de reservas petrolíferas de emergência. 

Os ministros das Finanças do G7 devem reunir-se nesta segunda-feira para discutir a potencial liberação de reservas petrolíferas de emergência.

A discussão responde ao forte aumento dos preços do petróleo causado pelo conflito no Oriente Médio. 

O Financial Times foi o primeiro a noticiar essas conversas, acrescentando que a Agência Internacional de Energia deverá participar.

Citando fontes, o FT informou que três países do G7, incluindo os EUA, indicaram até agora apoio à ideia.

Petróleo reduz ganhos

“O petróleo recuou na direção dos US$100 por barril, reduzindo um enorme salto diário, após relatos sobre conversas a respeito de uma liberação coordenada de reservas”, disse Neil Welsh, chefe de metais da Britannia Global Markets, em comentário enviado por e-mail. 

Os preços do petróleo dispararam mais de 25% na segunda-feira, atingindo seus níveis mais altos desde meados de 2022.

Essa alta foi impulsionada por grandes produtores que cortaram fornecimentos e por receios do mercado de interrupções prolongadas no transporte marítimo. 

O aumento da tensão é atribuído à expansão do conflito envolvendo Irã, EUA e Israel.

Os benchmarks Brent e West Texas Intermediate (WTI) recentemente subiram aos seus níveis mais altos desde o início da guerra Rússia-Ucrânia em 2022.

O preço do Brent atingiu um pico dramático de US$119,46 por barril, representando um ganho de 26%, e era negociado por último em alta de 12%, a US$103,79.

Essa alta também levou o Brent a cifras de três dígitos pela primeira vez desde agosto de 2022.

De forma semelhante, o WTI atingiu um pico de US$119,43 por barril e foi reportado por último a US$102,21 por barril, refletindo um aumento de 12,5%. 

O fechamento virtual do Estreito de Ormuz, ponto de trânsito crucial para cerca de um quinto do petróleo mundial e do gás natural liquefeito, é um dos principais fatores que impulsionam a alta dos preços. 

Fatores de mercado e aperto da oferta

Além disso, a nomeação de Mojtaba Khamenei para substituir seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã — um movimento que sinaliza o controle firme continuado dos linha-duras em Teerã uma semana após o conflito com os Estados Unidos e Israel — também está contribuindo para o aumento dos preços.

O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a nomeação como “inaceitável”.

Mesmo com pedidos pela liberação de reservas estratégicas de petróleo, a situação no Oriente Médio parece estar se agravando, em vez de diminuir, conforme mostram os desenvolvimentos do fim de semana. 

Além disso, a produção de petróleo upstream está sendo interrompida à medida que os produtores enfrentam limitações de armazenamento.

Especificamente, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos começaram a reduzir sua produção de petróleo.

O Iraque foi o primeiro a implementar cortes de oferta na semana passada, tendo supostamente reduzido sua produção em aproximadamente 1,5 milhão de barris por dia (bpd).

Além disso, durante o fim de semana, o Kuwait supostamente reduziu sua produção em até 300.000 bpd.

“Quanto mais isso durar, mais oferta veremos ser interrompida. Isso é motivo de preocupação para os mercados”, disse Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING Group, em nota. 

“O ponto principal é que, enquanto não virmos petróleo passando pelo Estreito de Ormuz, os preços do petróleo só subirão.”

Com os preços do petróleo bruto sendo negociados acima de US$100 por barril e o aperto de oferta se intensificando, espera-se que aumente a pressão para liberar petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR).

Houve relatos na semana passada de que o governo japonês está considerando recorrer às suas reservas, dados os desenvolvimentos no Oriente Médio.