Boletim Europa: licença bancária da Revolut, alerta do BCE, FTSE recua

Boletim Europa: licença bancária da Revolut, alerta do BCE, FTSE recua
Devesh Kumar
11 de mar. de 2026, 15:05 PM
  • Revolut obtém licença bancária plena no Reino Unido após longo processo regulatório.
  • BCE alerta que a volatilidade do mercado pode amplificar choques econômicos em meio ao conflito no Irã.
  • Índices FTSE caem enquanto volatilidade do petróleo e resultados mistos pressionam o sentimento.

Os mercados na Europa deram sinais mistos na quarta-feira, enquanto os investidores permaneceram em alerta diante da escalada da guerra, de avanços regulatórios e de alertas do banco central.

O maior desenvolvimento veio do setor de fintechs, quando a Revolut obteve a tão esperada licença bancária do Reino Unido.

Mas as tensões permaneceram altas, já que o Banco Central Europeu advertiu que a volatilidade dos mercados pode amplificar choques econômicos.

As ações em Londres recuaram em meio à incerteza impulsionada pelo petróleo ligada ao conflito no Irã, enquanto as tensões diplomáticas entre Espanha e Israel se aprofundaram.

Revolut conquista licença bancária plena no Reino Unido

A Revolut finalmente obteve uma licença bancária plena no Reino Unido da Prudential Regulation Authority, encerrando uma longa jornada regulatória que começou em 2021.

A empresa agora lançará contas correntes para um grupo seleto de novos clientes nas próximas semanas, com planos de expandir para empréstimos e hipotecas.

O caminho esteve longe de ser tranquilo, pois os reguladores levantaram alertas sobre irregularidades contábeis, violações de conformidade com a UE e dúvidas sobre se os controles de risco da Revolut poderiam acompanhar seu agressivo crescimento global.

A empresa esteve em uma "fase de mobilização" restrita desde julho de 2024, limitada a manter apenas £50,000 em depósitos totais de clientes.

BCE alerta que oscilações de mercado podem agravar choques econômicos

O vice‑presidente do BCE, Luis de Guindos, soou um tom cauteloso na quarta‑feira, ao advertir que a volatilidade dos mercados financeiros pode fazer com que os choques econômicos atinjam com mais força.

Falando em uma conferência em Madri, ele disse que os desdobramentos da guerra no Irã elevaram os preços do petróleo em quase 50% desde o início do ano, e que isso complicou a capacidade do banco de prever crescimento e inflação.

De Guindos afirmou que o BCE examinará múltiplos cenários antes de sua reunião de política de 19 de março.

Os mercados agora precificam aumentos de juros entre 30 e 35 pontos base este ano, o que representa uma forte mudança em relação a apenas duas semanas atrás, quando nenhum aumento era esperado.

Ações em Londres recuam

Os principais índices de ações de Londres fecharam no vermelho na quarta‑feira, pressionados por preços do petróleo voláteis e resultados corporativos mistos.

O blue‑chip FTSE 100 caiu 0.6% enquanto o mid‑cap FTSE 250 caiu 0.7%, já que o conflito em curso no Oriente Médio manteve os investidores em modo de aversão ao risco.

O Brent subiu novamente acima de $90 por barril depois que os mercados ignoraram o plano reportado da IEA para uma liberação recorde de reservas de petróleo.

Shell e BP subiram cerca de 0.5% cada, enquanto as ações do setor de energia contrariaram a queda mais ampla.

No lado corporativo, Legal & General caiu 5.5% após não atingir as estimativas de lucro anual, enquanto a recrutadora Robert Walters caiu quase 3% após cancelar seu dividendo final.

A Balfour Beatty foi o destaque entre os ganhos, subindo 7.3% com uma forte perspectiva de lucro apoiada por um pipeline recorde de projetos de energia no Reino Unido.

Espanha retira formalmente sua embaixadora em Israel

A Espanha retirou permanentemente sua embaixadora em Israel, Ana María Salomón Pérez, formalizando uma ruptura diplomática que vinha se acumulando há meses.

A demissão, aprovada pelo Conselho de Ministros da Espanha na terça‑feira e publicada no diário oficial na quarta‑feira, deixa a embaixada espanhola em Tel Aviv sob um chargé d'affaires, o mesmo status reduzido da embaixada de Israel em Madri.

A medida remonta à convocação de setembro de 2025, quando Madri chamou Salomón para consultas depois que o ministro das Relações Exteriores de Israel chamou a Espanha de "antissemita" por sua proibição a navios e aeronaves que transportam armas de usarem portos ou espaço aéreo espanhóis.

As relações já haviam se deteriorado fortemente desde que a Espanha reconheceu um Estado palestino em 2024, levando Israel a retirar seu próprio enviado de Madri.