Argentina proíbe Polymarket e determina remoção do app pela Apple e Google

Argentina proíbe Polymarket e determina remoção do app pela Apple e Google
Diya Poddar
17 de mar. de 2026, 07:43 AM
  • Um tribunal de Buenos Aires determinou que provedores de internet restrinjam o acesso.
  • A medida ocorre após o aumento do escrutínio sobre mercados de previsão descentralizados.
  • Com essa medida, a Argentina torna-se o 34º país a restringir totalmente o acesso ao Polymarket.

A Argentina ordenou um bloqueio nacional ao Polymarket, intensificando a ação regulatória contra plataformas de apostas baseadas em criptomoedas.

Um tribunal de Buenos Aires determinou que provedores de internet restrinjam o acesso e instruiu Apple e Google a removerem o aplicativo de suas lojas.

As autoridades disseram que a plataforma operava sem aprovação, permitindo que usuários fizessem apostas usando criptomoedas e cartões de crédito.

A medida ocorre após o aumento do escrutínio sobre mercados de previsão descentralizados, especialmente aqueles que se cruzam com dados financeiros e atividades de jogos de azar.

Com essa medida, a Argentina torna-se o 34º país a restringir totalmente o acesso ao Polymarket.

Investigação sobre jogos de azar

O caso começou após denúncias da Buenos Aires City Lottery e da Argentine Chamber of Casinos.

Ambas as organizações manifestaram preocupação de que o Polymarket estivesse funcionando como uma plataforma de jogos de azar sem licença na Argentina.

O caso foi conduzido pela promotoria de jogos de azar sob a juíza Susana Parada.

Após a decisão, o órgão regulador de telecomunicações ENACOM foi instruído a aplicar a restrição em todo o país.

Os provedores de serviço de internet foram solicitados a bloquear o acesso imediatamente.

O tribunal também determinou que Apple e Google removessem o app de suas plataformas na Argentina, inclusive para usuários que já o haviam instalado.

Isso estendeu a aplicação além de novos downloads, alcançando pontos de acesso já existentes e garantindo maior conformidade nos canais digitais de distribuição.

Controvérsia sobre inflação

O caso ganhou urgência após um incidente relacionado a dados envolvendo os números da inflação da Argentina.

Relatos indicaram que o Polymarket exibiu uma estimativa de inflação de 2.9% cerca de 15 minutos antes da divulgação oficial pelo INDEC.

A proximidade temporal gerou preocupações entre as autoridades sobre possível mau uso de dados ou exposição prematura a informações econômicas sensíveis.

Os reguladores viram isso como um risco significativo, especialmente em uma plataforma que opera sem supervisão formal.

O episódio aumentou a pressão sobre as autoridades para agir rapidamente, vinculando mercados de previsão a indicadores financeiros em tempo real e a potenciais vazamentos de informação que poderiam afetar o comportamento do mercado e a confiança do público nas estatísticas oficiais.

Preocupações com segurança

Em sua decisão, o tribunal destacou os riscos associados à forma como a plataforma opera.

Autoridades afirmaram que os usuários podiam criar contas em minutos e começar a negociar imediatamente.

O Polymarket permitia transações por meio de criptomoedas, assim como por cartões de crédito.

As autoridades também apontaram a ausência de verificações de identidade e de sistemas de verificação de idade.

Essas lacunas foram vistas como aumento da exposição de usuários menores de idade e como facilitadoras de atividades de apostas não regulamentadas.

Os reguladores disseram que tais características poderiam amplificar riscos financeiros e sociais em um ambiente sem controles adequados e mecanismos de proteção ao consumidor.

Divisão global

A ação da Argentina a coloca ao lado de países que impuseram restrições totais ao Polymarket, incluindo a Colômbia.

A plataforma agora está bloqueada em pelo menos 34 jurisdições.

Ao mesmo tempo, as abordagens regulatórias permanecem inconsistentes entre as regiões.

Nos Estados Unidos, a Commodity Futures Trading Commission adotou um caminho diferente.

O regulador recentemente abandonou sua proposta de regra de 2024 que visava proibir mercados de previsão políticos.

Esse contraste destaca a incerteza contínua sobre como os governos classificam e regulam plataformas que combinam elementos de finanças, especulação e jogos de azar, particularmente à medida que ativos digitais continuam a se expandir nos mercados globais.

À medida que mais países analisam modelos de apostas baseados em criptomoedas, o Polymarket enfrenta restrições de acesso globais enquanto os marcos regulatórios continuam a evoluir.