Rali do petróleo depende do ultimato de Trump sobre Hormuz; WTI segue em alta
AI Sentiment: 78/100 Bullish
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- Futuros de maio do WTI disparam para acima de US$115/barril; viés técnico permanece altista.
- Irã rejeita cessar‑fogo; EUA ameaçam 'inferno' pelo fechamento de Hormuz.
- Backwardation extrema domina o petróleo; aumento de cotas da OPEP+ é simbólico.
O sentimento no mercado de petróleo deve permanecer ligeiramente altista, segundo especialistas, enquanto as tensões geopolíticas continuam a ferver no Oriente Médio.
Na terça-feira, a dinâmica de preços do West Texas Intermediate (WTI) divergiu fortemente entre o mercado à vista e o de futuros.
Especificamente, os futuros de maio subiram para acima de US$115 por barril e mantinham esse patamar no momento da redação.
Do ponto de vista técnico, o viés de curto prazo é altista, pois os preços do petróleo bruto avançam acima da Média Móvel Exponencial (MME) de 100 períodos em alta, confirmando uma tendência de alta estabelecida após a recuperação da semana passada desde meados dos US$90.
Escalada geopolítica no Estreito de Hormuz
Os preços do petróleo registraram novos ganhos na terça-feira, impulsionados pelo aumento das tensões entre os EUA e o Irã.
Especificamente, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou sua retórica, ameaçando ações mais agressivas caso o Irã não reabra o Estreito de Hormuz.
Trump lançou uma dura ameaça a Teerã, advertindo sobre "inferno" se não cumprirem seu prazo, às 20h EDT de terça-feira, para reabrir o estreito.
O presidente advertiu que o Irã "poderia ser eliminado" e prometeu "medidas adicionais" se um acordo não for alcançado até o prazo.
Teerã, respondendo a uma proposta dos EUA mediada pelo Paquistão, rejeitou a ideia de um cessar-fogo.
Em vez disso, o Irã insistiu que era necessária uma conclusão permanente para a guerra, ao mesmo tempo em que resistiu às exigências de reabrir o Estreito de Hormuz.
Forças iranianas fecharam efetivamente essa via marítima vital — que normalmente transporta cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo — após o início dos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro.
Esse fechamento eliminou aproximadamente 17 a 18 milhões de barris por dia do fluxo usual de trânsito pelo estreito.
Hostilidades regionais
Segundo Tim Waterer, analista‑chefe de mercado da KCM Trade, a contagem regressiva para o ultimato de Trump está fazendo com que "ficar de olho no relógio" seja quase tão relevante nos mercados de petróleo quanto os fundamentos subjacentes.
"O potencial de um acordo de cessar‑fogo oferece algum contrapeso e pode provocar um movimento de alívio para baixo se ganhar tração, mas preocupações persistentes com a oferta — pelo gargalo em Hormuz e instalações energéticas danificadas — estão mantendo um piso para os preços", disse ele, citado em um relatório da Reuters.
Diplomatas indicaram que a votação do Conselho de Segurança da ONU na terça‑feira sobre uma resolução para a proteção da navegação comercial no Estreito de Hormuz deve recair sobre uma versão significativamente enfraquecida.
Isso ocorre após objeções da China — detentora de veto — à autorização do uso da força.
Enquanto isso, as tensões regionais persistiram com relatos de ataques contínuos.
Na Síria, ouviram‑se explosões em e ao redor da capital, Damasco, na terça‑feira, que a televisão estatal síria atribuiu à interceptação israelense de mísseis iranianos.
Separadamente, o ministério da Defesa da Arábia Saudita informou na terça‑feira que interceptou e destruiu sete mísseis balísticos lançados em direção à sua Região Oriental.
O ministério observou que destroços desses mísseis caíram perto de instalações energéticas.
Ampliação do diferencial e decisão da OPEP+
O conflito em curso afetou significativamente os mercados globais de petróleo bruto.
Os prêmios à vista para o petróleo WTI dos EUA atingiram máximas sem precedentes, à medida que refinarias asiáticas e europeias procuram urgentemente suprimentos alternativos, em resposta às interrupções nos fluxos de petróleo do Oriente Médio.
“A ampliação do diferencial entre o mercado à vista e os contratos de primeiro mês reflete a backwardation extrema que domina os mercados de petróleo bruto, com os operadores precificando um prêmio de entrega significativo de curto prazo diretamente ligado ao prazo de terça‑feira”, disse a FXStreet.
Refletindo essa pressão de mercado, a companhia estatal saudita Aramco aumentou o preço de venda oficial do seu petróleo Arab Light destinado à Ásia para entrega em maio.
Esse ajuste estabeleceu um novo prêmio recorde de US$19,50 por barril sobre a média Oman/Dubai.
Enquanto isso, membros da OPEP+ aumentaram suas cotas de produção para maio, uma decisão tomada apesar — e provavelmente por causa — das restrições à produção e aos embarques de vários dos principais produtores da aliança devido ao conflito em curso.
A aliança emitiu um alerta de que os danos causados à infraestrutura energética do Oriente Médio devem provocar um impacto sustentado e de longo prazo no abastecimento global, mesmo após o fim das hostilidades.
A OPEP+ aprovou no domingo um aumento de 206.000 barris por dia nas cotas de produção de petróleo para maio.
No entanto, espera‑se que esse aumento de produção seja em grande parte simbólico, já que membros importantes não conseguem aumentar sua produção devido às limitações de exportação causadas pelo fechamento de estreitos.
O aumento marca a continuação do desmonte gradual dos cortes de 1,65 milhão de barris por dia introduzidos em abril de 2023, após uma pausa no primeiro trimestre.
Com o Estreito de Hormuz efetivamente fechado, cotas mais altas permanecem em grande parte nominais para os produtores, incluindo Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, até que a rota seja reaberta.
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