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Crise em Hormuz provoca boom de oleodutos no Oriente Médio

Crise em Hormuz provoca boom de oleodutos no Oriente Médio
Sayantan Sarkar
22 de jun. de 2026, 03:12 AM

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Potencial do oleoduto da Aramco (Arábia Saudita)

Comprar Saudi Aramco (2222.SE / 2222.SR). O oleoduto East–West redirecionou até 7 mbpd durante o bloqueio, comprovando o ativo e criando um próximo passo claro: expandir a capacidade de carregamento de Yanbu. Isso transforma risco geopolítico em tráfego recorrente e maior utilização, não apenas manchetes pontuais.

Key Risk: A expansão de Yanbu pode ser adiada ou bloqueada, limitando volumes incrementais de exportação e tornando a 'prova' do oleoduto não repetível.

Expansão de capacidade em Fujairah (EAU)

Comprar ADNOC (ADNOC listed via ADX: ADNOCDIST / or ADNOC-related listed entities; or buy UAE energy infrastructure exposure via Emaar?—stick to ADNOC-linked listings). Os Emirados Árabes Unidos estão dobrando a capacidade de Fujairah para 3,6 mbpd e expandindo portos orientais para reduzir a dependência de Hormuz. Mais capacidade significa fluxos de caixa mais estáveis e maior poder de barganha no transporte e armazenamento durante futuras interrupções.

Key Risk: A demanda/contratações não preenchem a capacidade adicional de Fujairah, de modo que o novo oleoduto fica subutilizado e as margens se comprimem.

  • Países do Golfo aceleram projetos de oleodutos após o bloqueio de Hormuz.
  • Linha East‑West da Arábia Saudita e expansão de Fujairah evidenciam resiliência.
  • Iraque busca ampliar Kirkuk‑Ceyhan; planos regionais miram o Mediterrâneo.

Produtores de petróleo do Oriente Médio estão acelerando projetos de oleodutos para contornar o Estreito de Hormuz depois que o bloqueio recente expôs a vulnerabilidade dos fluxos energéticos globais, informou o OilPrice.com.

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque lideram esforços para ampliar a infraestrutura, enquanto planos de longo prazo preveem novas rotas para portos do Mediterrâneo.

Visão de futuro da Arábia Saudita compensa

Segundo Irina Slav, do OilPrice.com, a Arábia Saudita redirecionou com sucesso até 7 milhões de barris por dia pelo oleoduto East‑West durante a crise, enviando petróleo do Golfo Pérsico ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

O oleoduto, construído na década de 1980 precisamente para mitigar riscos relacionados a Hormuz, tornou‑se uma tábua de salvação quando o Irã fechou o estreito no início deste ano.

A única limitação foi a capacidade de carregamento de Yanbu, que a Aramco deve expandir.

O colunista de energia da Reuters, Ron Bousso, observou que a decisão da Arábia Saudita, tomada décadas atrás, de construir o oleoduto East‑West foi confirmada pelo bloqueio, que paralisou um quinto dos fluxos globais de GNL e de petróleo bruto.

Emirados reforçam aposta em Fujairah

Os Emirados Árabes Unidos, que já operam um oleoduto até Fujairah fora de Hormuz, agora planejam dobrar a capacidade de 1,8 milhão de barris por dia para 3,6 milhões.

O novo oleoduto está previsto para ficar pronto até o final do próximo ano, refletindo a urgência de Abu Dhabi em se proteger de futuras interrupções.

Os Emirados também pretendem expandir seus portos orientais, incluindo Dibba e Khor Fakkan, para reduzir totalmente a dependência de Hormuz.

Batalha árdua do Iraque

O Iraque, fortemente dependente das exportações pelo Golfo, viu os embarques caírem de 3,3 milhões de barris por dia para pouco mais de 1 milhão durante o bloqueio, desencadeando uma forte queda na receita.

Bagdá agora prioriza a segurança energética doméstica e a expansão do oleoduto Kirkuk‑Ceyhan, que atualmente transporta 200.000 barris por dia.

Há planos em andamento para aumentar a capacidade para 770.000 barris por dia dentro de meses, segundo o relatório.

O Iraque também está considerando novos oleodutos para a Síria e a Jordânia, visando conectar campos do norte a portos do Mediterrâneo e contornar Hormuz por completo.

Visão regional de oleodutos

Além dos projetos nacionais, uma iniciativa mais ampla conhecida como Four Seas Initiative prevê ligar os campos petrolíferos do Oriente Médio a portos do Mediterrâneo via Turquia e Síria.

O New Lines Institute afirmou que o plano poderia proporcionar "soberania energética europeia da dependência russa e iraniana" e apoiar a reconstrução síria por meio de receitas de trânsito.

A Turquia, já se posicionando como um centro de gás natural, vê a iniciativa como complementar à sua estratégia, embora também envolva o trânsito de gás russo.

O custo estimado é 10 mil milhões USD (aprox. R$ 52,5 mil milhões), que os exportadores podem considerar válido para reduzir riscos geopolíticos.

Ao contrário da Arábia Saudita, os Emirados, o Iraque, o Kuwait e o Catar não dispõem de infraestrutura de oleodutos independente.

Eles teriam de depender das redes dos vizinhos para contornar Hormuz, uma perspectiva problemática dado o clima de tensões regionais.

Para o Catar, a dependência de oleodutos sauditas ou emiradenses está longe de ser ideal devido às relações desgastadas.

Perspectivas

Embora o risco imediato de outro fechamento de Hormuz seja reduzido, a menos que as hostilidades se reiniciem, a crise remodelou permanentemente a abordagem sobre segurança energética no Golfo.

Os produtores estão determinados a garantir que uma interrupção dessa magnitude nunca mais ocorra.

Como concluiu Irina Slav, do OilPrice.com, o bloqueio desencadeou um boom de oleodutos em todo o Oriente Médio, com projetos destinados a proteger as exportações e estabilizar os mercados energéticos globais.