FDIC rejeita o 'testamento vital' do Citigroup, citando controles de dados deficientes

FDIC rejeita o 'testamento vital' do Citigroup, citando controles de dados deficientes
Diya Poddar
21 de jun. de 2024, 09:02 AM
  • A FDIC rejeita o testamento vital do Citigroup, citando deficiências significativas nos controles de dados.
  • A próxima votação da Reserva Federal será crucial para determinar os próximos passos do Citi.
  • O Citigroup enfatiza os esforços contínuos para modernizar a sua infra-estrutura e melhorar os controlos de dados.

Os reguladores bancários dos EUA rejeitaram o “testamento vital” do Citigroup, um plano concebido para delinear a estratégia do banco para uma liquidação ordenada no caso de uma falência catastrófica.

Esta decisão marca um revés significativo para o Citigroup, que tem estado sob pressão regulamentar para melhorar os seus controlos de risco durante quase quatro anos.

Rejeição da FDIC ao testamento vital do Citigroup

Numa reunião a portas fechadas, o conselho de cinco membros da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) votou pela rejeição do plano de resolução do Citigroup.

Esta decisão faz parte do quadro regulamentar estabelecido após a crise financeira, que determina que os maiores bancos do país mantenham planos detalhados para garantir que o seu fracasso não exigiria resgates dos contribuintes ou perturbaria o sistema financeiro mais amplo.

Esses planos são revisados e recertificados a cada dois anos tanto pelo FDIC quanto pelo Federal Reserve.

A FDIC citou controles de dados “deficientes” como a principal razão para a rejeição, um rebaixamento em relação a dois anos atrás, quando a agência, juntamente com o Fed, aprovou o testamento vital do Citi, mas notou deficiências em sua gestão de dados.

A Reserva Federal ainda não conduziu a sua votação sobre o testamento vital do Citigroup.

Caso ambos os reguladores rejeitem o plano, o Citigroup poderá enfrentar sanções significativas.

Contexto histórico e questões atuais

O Citigroup tem um histórico de desafios regulatórios. No final de 2020, o banco foi multado em 400 milhões de dólares pela Reserva Federal e pelo Gabinete do Controlador da Moeda por não abordar questões de gestão e controlo de risco.

Esta multa deveu-se em parte a um incidente em que o Citigroup transferiu por engano 900 milhões de dólares para credores da Revlon, uma empresa de cosméticos.

Numa recente conferência de investidores, os executivos do Citigroup reconheceram o ritmo lento na resolução de questões regulatórias. A CEO Jane Fraser destacou que a abordagem destas preocupações regulatórias tem sido uma área de progresso lento para o banco.

O CFO Mark Mason reiterou o compromisso do Citigroup em investir na modernização da sua infra-estrutura e na automatização de dados e processos de relatórios regulamentares.

Implicações futuras

A rejeição do testamento vital do Citigroup pelo FDIC sublinha os desafios contínuos que o banco enfrenta para satisfazer as expectativas regulamentares.

O banco deve agora concentrar-se na rectificação das deficiências destacadas pelo FDIC para evitar potenciais penalidades e maior escrutínio regulamentar.

A próxima votação da Reserva Federal será crucial para determinar o futuro imediato da posição regulamentar do Citigroup.

Os esforços do Citigroup para modernizar e melhorar a sua infra-estrutura de gestão de risco são críticos não só para a conformidade regulamentar, mas também para manter a confiança entre investidores e partes interessadas.

À medida que o banco continua a enfrentar estes desafios, a sua capacidade de implementar controlos eficazes e demonstrar uma gestão de risco robusta será fundamental para a sua estabilidade e sucesso a longo prazo.