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Índice mundial de preços dos alimentos da ONU mantém-se estável em junho; preços dos cereais caem 3%

Índice mundial de preços dos alimentos da ONU mantém-se estável em junho; preços dos cereais caem 3%
Diya Poddar
05 de jul. de 2024, 11:09 AM
  • O índice de preços dos alimentos da FAO situou-se em média nos 120,6 pontos em Junho, inalterado em relação a Maio.
  • Os preços dos óleos vegetais aumentaram 3,1%, enquanto os preços dos cereais caíram 3,0%.
  • A FAO elevou a sua previsão de produção global de cereais em 2024 para 2,854 mil milhões de toneladas.

O índice mundial de preços dos alimentos das Nações Unidas permaneceu inalterado em Junho, uma vez que os aumentos nos óleos vegetais, açúcar e produtos lácteos foram equilibrados por uma descida nos preços dos cereais, de acordo com dados divulgados na sexta-feira.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informou que o índice, que monitoriza os produtos alimentares mais comercializados a nível mundial, atingiu uma média de 120,6 pontos em Junho, mantendo o mesmo nível de Maio.

O valor de maio foi ligeiramente revisado em alta em relação à leitura inicial de 120,4.

Óleos vegetais subiram 3,1%, cereais caíram 3,0%

Em Junho, o índice da FAO destacou diversas tendências nos preços dos produtos alimentares. Enquanto os preços dos óleos vegetais subiram, os preços dos cereais registaram uma descida notável.

O índice de preços dos óleos vegetais registou um aumento significativo de 3,1%, impulsionado pelos preços mais elevados dos óleos de palma, soja e girassol. Entretanto, os preços do óleo de colza permaneceram quase inalterados.

Por outro lado, os preços dos cereais caíram 3,0% em termos mensais devido à melhoria das previsões de produção nos principais países exportadores, como o Cazaquistão e a Ucrânia.

Os preços de exportação do milho também caíram, influenciados pela produção antecipada maior do que o esperado na Argentina e no Brasil.

Previsão de produção global de cereais para 2024 sobe

Num relatório separado, a FAO aumentou a sua previsão para a produção global de cereais em 2024 em 7,9 milhões de toneladas métricas, o que representa um aumento de 0,3%, fixando a nova previsão em 2,854 mil milhões de toneladas.

Este ajustamento é ligeiramente superior aos níveis de produção em 2023 e marca um novo máximo histórico previsto.

A revisão em alta reflecte melhores perspectivas para os cereais secundários, especialmente o milho, com expectativas de colheita mais elevadas na Argentina e no Brasil a contribuir para este aumento.

A FAO também previu que a utilização global de cereais para o período 2024/25 será de 2,856 mil milhões de toneladas, marcando um aumento de 0,5% em comparação com o período 2023/24.

Além disso, espera-se que as reservas mundiais de cereais até ao final da época de 2025 atinjam 894 milhões de toneladas.

Preços dos lacticínios e do açúcar sobem, preços da carne estáveis

Os preços dos lácteos aumentaram 1,2% em junho em comparação com maio, enquanto o índice do açúcar aumentou 1,9%, em parte devido aos resultados da colheita no Brasil em maio, abaixo do esperado.

Os preços da carne permaneceram praticamente estáveis, com um declínio nos preços internacionais das aves compensado por ligeiros aumentos nos preços das carnes ovina, suína e bovina.

Preços dos alimentos abaixo do pico de 2022

Apesar da estabilidade observada em junho, o índice da FAO registou uma descida de 2,5% face ao ano anterior e está 24,8% abaixo do seu pico registado em março de 2022.

O índice atingiu o mínimo de três anos em Fevereiro, à medida que os preços dos alimentos recuavam dos níveis recorde observados após a invasão da Ucrânia pela Rússia em Março de 2022.

Os últimos relatórios da FAO sublinham a natureza dinâmica dos preços globais dos produtos alimentares, com vários factores, como as previsões de produção e os resultados das colheitas, a influenciar significativamente as tendências.

Embora os óleos vegetais e alguns outros produtos tenham registado aumentos de preços em Junho, a estabilidade global do índice da FAO reflecte o impacto equilibrador da queda dos preços dos cereais e de outras dinâmicas de mercado.