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O que poderá o potencial segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca significar para a inflação?

O que poderá o potencial segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca significar para a inflação?
Harsh Vardhan
16 de jul. de 2024, 17:25 PM
  • Analistas alertam que as políticas de Donald Trump que priorizam a América podem aumentar a inflação.
  • As políticas protecionistas de Trump poderão perturbar o comércio internacional e impactar as economias da Ásia e da Europa.
  • Os analistas alertam que o optimismo do mercado poderá durar pouco devido à potencial instabilidade económica.

Enquanto o antigo Presidente Donald Trump se prepara para outro potencial mandato na Casa Branca, os analistas económicos emitem alertas sobre o possível reacender da inflação global.

As políticas de Trump que priorizam a América, caracterizadas por tarifas elevadas e impostos baixos, podem levar a um aumento da inflação tanto nos Estados Unidos como a nível internacional.

O nacionalismo económico de Trump pode ser uma má notícia

O primeiro mandato presidencial de Trump foi marcado por um nacionalismo económico agressivo, que poderá ser intensificado se ele conseguir um segundo mandato.

De acordo com Michael Metcalfe, chefe de estratégia macro da State Street Global Markets, o ambiente económico agora é totalmente diferente de quando Trump assumiu o cargo pela primeira vez em 2016.

“Naquela altura, a inflação esteve baixa durante um longo período e as expectativas de inflação foram moderadas”, explica Metcalfe.

Este cenário sugere que as políticas de Trump poderão alimentar ainda mais as pressões inflacionistas, impactando não só os mercados internos, mas também causando repercussões nas economias globais.

Tarifas, impostos e comércio global

A pedra angular da estratégia económica de Trump envolve a imposição de tarifas elevadas sobre bens importados e a redução de impostos internos. Estas tarifas tendem a ser inflacionárias, pois aumentam o custo das importações, permitindo que os produtores nacionais aumentem os seus preços, o que, por sua vez, onera os consumidores.

Simultaneamente, as reduções fiscais podem impulsionar os gastos dos consumidores, o que pode fazer subir ainda mais os preços devido ao aumento da procura de bens e serviços.

Tanto Trump como o atual presidente Joe Biden sugeriram intensificar as tarifas sobre a China em meio à escalada das tensões geopolíticas.

No entanto, uma sondagem a economistas sugere que a inflação deverá aumentar de forma mais significativa sob Trump devido à sua firme posição proteccionista, em comparação com Biden, cujas pressões inflacionistas podem resultar de grandes pacotes de gastos.

Impactos internacionais e respostas do mercado

O potencial para uma inflação mais elevada num segundo mandato de Trump poderá estender-se para além dos Estados Unidos. Na Ásia, segundo Gareth Nicholson da Nomura, a presidência de Trump poderia ser um “fator de risco negativo” para as ações da região.

Na Europa, a Goldman Sachs prevê que uma presidência de Trump poderá acrescentar modestos 0,1 pontos percentuais à inflação devido ao aumento das tarifas que afectam a dinâmica do comércio global.

Da mesma forma, Marc Franklin, da Manulife, vê as políticas potenciais de Trump como uma "mistura um tanto reflacionária" devido à sua propensão para novos cortes de impostos e revisão das tarifas chinesas.

Isto poderia levar a “uma tendência para a inclinação da curva”, um indicador do aumento das expectativas de inflação e, consequentemente, de taxas de juro mais elevadas.

Estabilidade política e reações do mercado

A campanha de Trump ganhou recentemente impulso, especialmente após a sua aparição na Convenção Nacional Republicana em Milwaukee.

Este ressurgimento ocorre pouco depois de uma tentativa de assassinato num comício na Pensilvânia, um evento ao qual Trump sobreviveu notavelmente, demonstrando resiliência e desafio.

Depois disto, os mercados bolsistas dos EUA reagiram positivamente às perspectivas reforçadas para o candidato republicano pró-empresarial.

No entanto, os analistas alertam que este entusiasmo do mercado poderá durar pouco devido às preocupações com as agendas protecionistas e geopolíticas de Trump, que poderão perturbar a estabilidade económica global.

As potenciais implicações económicas de um segundo mandato para Donald Trump são significativas, com a possibilidade de pressões inflacionistas acrescidas, tanto a nível interno como internacional.

À medida que a economia global continua a navegar pelas incertezas, a perspectiva de uma presidência de Trump sublinha a necessidade de os mercados e os decisores políticos se prepararem para mudanças na dinâmica comercial, fiscal e inflacionária.